Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

John Wick: Um Novo Dia para Matar (2017)

Eu indico
John Wick 2 (EUA, 2017)

Após recuperar seu carro, John Wick (Keanu Reeves) acredita que enfim poderá se aposentar. Entretanto, a reaparição de Santino D'Antonio (Riccardo Scarmacio) atrapalha seus planos. Dono de uma promissória em nome de Wick, por ele usada para deixar o posto de assassino profissional da Alta Cúpula, Santino cobra a dívida existente e insiste para que ele mate sua própria irmã, Gianna (Claudia Gerini). Dirigido por Chad Stahelski.

O bicho papão:
Chad Stahelski, com ajuda do roteirista Derek Kolstad, acaba de mostrar que é um gênio de filmes de ação. Já Keanu Reeves tem a sua carreira como ator ressuscitada após um bom tempo. Provavelmente desde a franquia Matrix o ator só fez filmes descartáveis. Com 52 anos, ele mostra que está em plena forma, se encaixando perfeitamente no papel de John Wick, o cara que é o bicho papão do pedaço. Basta mencionar o nome John Wick que todos ao redor reagem com intensidade, mais forte até do que o nome Christian Grey (brincadeiras à parte com Cinquenta Tons de Cinza).
No primeiro filme, John Wick: de Volta ao Jogo (2014), o assassino profissional aposentado volta à ativa para se vingar dos que mataram seu cachorro. A partir daí, ele faz o maior estrago. Apesar de passar quase desapercebido nos cinemas brasileiros, o primeiro filme fez um certo sucesso, contudo essa sequência é infinitamente superior. São duas horas de projeção com ação insana onde ele terá que sobreviver a um bando de assassinos. Pitadas de comédia bem elaboradas dão um ar mais agradável ainda ao filme.
O diretor Chad Stahelski é o mesmo do primeiro filme e também foi dublê de Reeves em outros filmes. Alguns bons cenários foram escolhidos para a ação, como Roma e também um museu em Nova York com um labirinto de espelhos (o New Museum, em Manhattan). Outro ponto forte foi mostrar todo um submundo dos assassinos profissionais.
John Wick 2 é um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos e pode se tornar um clássico. A coreografia das lutas é de qualidade, cenas de ação que misturam tiros e artes marciais. Deve render outras continuações e virar uma grande franquia. Imperdível nos cinemas, por conta também da qualidade sonora. O recomeço importante na carreira de Reeves tem direito até a um reencontro com Laurence Fishburne (que interpretou o Morpheus em Matrix).

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Fontes:

Um homem chamado Ove (Suécia, 2015)

Eu indico
En man som heter Ove (Suécia, 2015)

À primeira vista, Ove é o típico rabugento da terceira idade. Morando em um pequeno condomínio de casas no interior da Suécia, o senhor de quase 60 anos se irrita com todos os atos dos vizinhos, que segundo ele, não fazem nada certo. Sem motivações após a morte da mulher e surpreendido por uma demissão após quatro décadas de dedicação ao trabalho, Ove resolve dar um fim a sua vida, mas a chegada de novos vizinhos acaba mudando isso. Uma história que nos ajuda a relembrar que a gentileza, o amor e a felicidade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados. Dirigido por Hannes Holm.

Ove:
Esse ano o Oscar indicou três dramas e duas comédias para concorrer a melhor filme estrangeiro. Entre as comédias, temos este que se tornou o quinto filme mais visto na história do cinema sueco. É tão divertido quanto profundo. Baseado no bestseller de Frederik Backman, que vendeu mais de 700 mil exemplares pelo mundo, ele apresenta Ove, um típico rabugento da terceira idade, que possui várias obsessões a respeito de que as pessoas devem seguir as regras e acaba tendo vários conflitos com seus vizinhos, já que o cenário base do filme é um condomínio, imagine só. Ove segue uma rotina, vista por quem está de fora, como algo insuportável: checa as garagens, anota as placas dos carros estacionados de forma inadequada, prende as bicicletas dos jovens arruaceiros, reclama com os motoristas que dirigem na área proibida do condomínio... enfim. Ao mesmo tempo, ele é um senhor triste, perdeu a esposa e possui tendências suicidas. Até nas cenas fortes, onde o personagem tenta cometer suicídio, existe a leveza que a comédia proporciona, já que várias fatores começam a interromper o seu ato, aborrecendo-o mais ainda.
Ove é interpretado por Rolf Lassgård numa atuação memorável, nos fazendo rir e se emocionar várias vezes. A chegada de novos vizinhos é o que acaba mudando a sua vida. O filme procura mostrar que sentir-se amado é essencial para a sobrevivência, que a convivência com outras pessoas é importante, principalmente quando Ove deixa de ser egoísta e começa a ajudar os seus vizinhos. Afinal, todos têm problemas e a solidariedade é o melhor remédio. Essa proposta fica muito bem no cenário de uma Suécia multirracial, aberta aos imigrantes e novas culturas.

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Fontes:
https://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/um-homem-chamado-ove/

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Docinho da américa (EUA, 2016)

Eu indico
American Honey (EUA, 2016)

Uma adolescente de espírito livre foge de casa e parte numa viagem ao longo dos Estados Unidos. Para sobreviver, a jovem vende assinaturas de revistas, enquanto curte festas, se apaixona pela primeira vez e também acaba se envolvendo em crimes. Dirigido por Andrea Arnold.

Doçura americana:
Este é um roadmovie onde jovens percorrem juntos as estradas, desde o Oklahoma e atravessando o Meio-Oeste dos EUA, em busca de uma estabilidade. Sasha Lane, agora com 21 anos, atua pela primeira vez neste filme e já como protagonista. Na trama, a jovem exótica, que diz se chamar Star, estava procurando restos de comida em lixões e acaba saindo dessa vida depois de ser convidada pelo personagem de Shia LaBeouf – espécie de caçador de talentos – para embarcar numa viagem com outros jovens a fim de ganhar a vida vendendo assinaturas de revistas. Jovens que largaram os estudos ou não tiveram oportunidades e viram neste negócio a chance de conseguir uma estabilidade mínima.
É claro que essa estabilidade não se sustenta e alguns deles, como os dois personagens principais, interpretados pela Sasha Lane e pelo conhecido Shia LaBeouf, percebem isso depois de um tempo e procuram dar o seu jeito com uma visão de futuro, não seguindo à risca todas as regras às quais são impostos, o que já é um argumento bom para mostrar essa luta contra um sistema capitalista e difícil. Os jovens dessa equipe rejeitam as estruturas capitalistas da sociedade, entretanto estão submetidos a esse sistema e acabam apresentando comportamentos controversos. Eles percorrem subúrbios e bairros ricos para oferecer assinaturas de porta em porta, o que leva a cenas bem interessantes. Eles dormem em hotéis baratos de beira de estrada e até conseguem se divertir em farras noturnas com os outros integrantes de sua tribo. Enfim, formam uma família que praticamente substitui suas famílias verdadeiras que foram deixadas por eles ou os abandonaram.
É um filme longo, quase três horas de duração, mas vale muto a pena pois a história é bem contada e com bons atores, além de apresentar uma fotografia bacana por conta do visual das estradas e arredores. Capturou muito bem essa realidade e a violência e volatilidade presente no dia a dia desses vendedores itinerantes. A cineasta inglesa Andrea Arnold informou numa entrevista: “Foi essencialmente isso o que me atraiu: a ideia de que todos esses jovens vindos de todo lugar tinham vida difícil. Acho que não é tanto que eles vendam assinaturas de revistas – eles se vendem, se bem que eles não pensem nesses termos, acredito.”. Os atores tiveram que viajar mesmo, junto com seus personagens neste percurso, para vários lugares e acabaram criando um elo entre si, fora dos bastidores. Inclusive houve um relacionamento entre os atores principais, Sasha Lane e Shia LaBeoufassim, como houve entre seus personagens. Andrea Arnold nunca revelava o próximo destino da viagem aos atores. Enquanto escreveu o filme, percorreu o país encontrando equipes de vendedores de assinaturas e acabou conhecendo uma jovem que entrou para uma dessas equipes assim que saiu da prisão e foi estuprada três vezes.
No Festival de Cannes 2016, concorreu à Palma de Ouro e venceu os prêmios do Júri e ainda Menção Especial do Júri. American Honey é o nome de uma música da banda Lady Antebellum, que pode ter sido escolhida para representar a personagem principal e toda essa atmosfera dos jovens que possuem uma alma libertina e caem nas estradas da vida em busca de melhores condições.

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Fontes:

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O homem que incomoda (Islândia/Noruega, 2006)

Eu indico
Den Brysomme Manne (Islândia/Noruega, 2006)

Andreas desembarca numa cidade estranha sem lembrar como chegou ali. É recebido de forma cordial e inicia uma vida regrada, com trabalho, casa e até uma mulher encantadora. Mas rapidamente percebe que tem alguma coisa errada neste mundo perfeito. As pessoas não parecem sentir emoções genuínas e só falam de trivialidades. Dirigido por Jens Lien.

Acomodados ou incomodados:
Imagine Andreas, um homem comum, com uma vida nova que parece perfeita. Depois de curtir um pouco seu trabalho adequado, curtir sua companheira rica e bonita e até aproveitar a sua amante impecável, sofrer um abalo comum e tentar o suicídio clichê, ele aos poucos passa a perceber que falta, no mundo, emoções verdadeiras. Ninguém parece notar um homem morto, que aparentemente cometeu suicídio se jogando nas grades da cerca de um prédio (talvez mais um incomodado, só que este se entregou). Percebemos que há uma espécie de controle nessa cidade, onde alguns homens certificam-se de que tudo esteja funcionando bem. Os ruas, objetos e roupas parecem desprovidos de vida, sem textura e sem graça. Isso fica ainda mais evidente quando é mostrado um quarto mais colorido, arrumado e agradável (quanto mais com a proximidade do mar).
A vontade de se expandir e as dificuldades que uma sociedade como um todo pode trazer para aqueles que pensam fora da caixa. Andreas começa a perceber que as coisas simples e verdadeiramente prazerosas da vida estão ausentes neste mundo onde ele foi jogado. O som das ondas, músicas, bebês, chocolate quente, enfim, é algo que todos gostam mas parecem ter esquecido. Ele é o homem incomodado, que despertou contra a força da alienação, e este filme é para aqueles que não se contentam com o sossego de sempre, onde se faz o mesmo e se finge ser feliz. Não deixa de ser uma metáfora para o nosso mundo, com algumas simbologias, como a do sino que toca numa das cenas dando a ideia daquele ritual diário, ou a da placa standard (que significa padrão). Lançado no Festival de Cannes em 2006, esse filme norueguês gera grandes reflexões e análises, assim como identificação.

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Fontes:

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sete minutos depois da meia-noite (2017)

Eu indico
A Monster Calls (EUA/Espanha/Canadá/Reino Unido, 2017)

Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. No entanto, todas as noites ele se depara com uma gigantesca árvore-monstro que decide contar histórias para ele, em troca de escutar uma história do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia. Dirigido por Juan Antonio Bayona.

Fábulas:
Baseado no romance “O Chamado do Monstro” (título original do filme), de Patrick Ness, que também assina o roteiro, este filme apresenta um garoto de apenas 13 anos de idade, que precisa amadurecer rapidamente, pois está diante de momentos difíceis: sua mãe está com uma doença terminal, seu pai é um pouco ausente e a sua avó, com quem terá que conviver, não tem uma boa relação com ele. Junto a isso, o velho problema de ser alvo de bullying na escola.
O garoto, interpretado de forma bem natural e encantadora pelo ator Lewis MacDougall, possui um talento para desenhar e é bem imaginativo, criativo. Daí que algo fantástico surge: um monstro (na voz de Liam Neeson) passa a visitá-lo sempre na mesma hora da noite e promete contar três histórias para o garoto, em troca de uma quarta que o garoto será obrigado a contar de volta. As histórias são fábulas interessantes, no filme exibidas como arte em desenho, o que chamam de aquarela, predominando o contraste do preto dos personagens com o ambiente ao seu redor e descartando assim aquele exagero com computação gráfica que vemos na maioria das produções de filmes semelhantes, o que aqui fica como um ponto positivo. O filme em si é uma grande lição, com histórias dentro da história, sendo que todas são voltadas para o garoto, fazendo parte do seu crescimento, amadurecimento. O drama real vivido pelo garoto é pesado, então não se trata de um filme preferencialmente para crianças. Apesar disso, temos um belo e emocionante final.
O diretor espanhol Juan Antonio Bayona foi cuidadoso nas cenas, principalmente porquê existem muitas alternâncias entre a realidade e a fantasia, mas ambas se complementaram muito bem. Ele foi diretor também do excelente O Orfanato (2007) e vai encarar a sequência de Jurassic World, previsto para 2018.

Referências a outras grandes histórias e o significado da figura do monstro - SPOILER:
É importante reparar nas referências que o filme faz a outras histórias famosas e cheias de significado. Explicitamente, temos uma cena do filme King Kong e a visão simples do garoto sobre a forma equivocada como os humanos lidam com o monstro-gorila-gigante, contudo é preciso um pouco mais de atenção para reconhecer outras referências tais como “O Incrível Homem que Encolheu”, que aparece desenhado no caderno que o garoto encontra no final do filme, onde novamente aparece “King Kong” e outras referências. Também nessa cena final vemos um retrato na parede que mostra o avó do garoto (abraçado com a mãe), que é o próprio Liam Neeson, que faz a voz do monstro. Assim fica mais evidente que esse monstro-árvore-gigante representa para o garoto a figura do seu falecido avô.

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domingo, 15 de janeiro de 2017

Sing Street (2016)

Eu indico
Sing Street: Música e Sonho (Irlanda/Reino Unido/EUA, 2016)

Dublin, Irlanda, 1985. Conor (Ferdia Walsh-Peelo) é um jovem obrigado a mudar de colégio, devido à difícil condição financeira de seus pais, que ainda por cima brigam sem parar. Desiludido, Conor tem um sopro de esperança ao conhecer Raphina (Lucy Boynton), uma garota que está sempre à espera na porta da escola. Disposto a conquistá-la, ele diz que está montando uma banda de rock e a convida para estrelar um videoclipe. Com o convite aceito, agora ele precisa fazer com que a banda exista de verdade. Dirigido por John Carney.

Música e sonho:
Os anos 80 nos deixaram com uma seleção de bandas sensacionais e muitas pessoas consideram essa época a melhor de todas para o mundo da música. O irlandês John Carney dirige esse contagiante filme que faz uma homenagem explícita às músicas anos 80. Mas não é um filme “de banda” como outro qualquer; a homenagem aqui é interessante pois ela permeia desde a influência das bandas na vida dos garotos, como na forma como se vestem, até em suas ações, no uso da melodia em suas músicas e também nos clipes que eles produzem. Acompanhamos inclusive a produção “caseira” dos videoclipes da banda, que ocorre da forma mais inusitada possível, gerando cenas divertidíssimas. A primeira delas eu fiz questão de rever algumas vezes.
É um modo divertido, engraçado e belo a forma como a banda dos garotos, chamada Sing Street, vai se desenvolvendo. Eles acabam se descobrindo bem talentosos e vão aproveitar cada chance de mostrar isso ao público. Nada mais nada menos que o mesmo diretor de “Mesmo se nada der certo” (Begin again, 2014), outro filme musical excelente. Em ambos os filmes existem músicas originais caprichadas, tão boas que poderia de fato existir uma banda de sucesso com essas músicas. Em Sing Street, como se não bastasse toda a trilha anos 80, as músicas compostas exclusivamente para o filme são vibrantes. A música "Drive it like you stole it", de Gary Clark, recebeu ao menos um prêmio de melhor canção no cinema.
O filme foi muito bem recebido no Festival de Sundance e acabou tendo uma indicação como melhor filme musical ao Globo de Ouro recente. Quem é apaixonado por bandas dos anos 80 vai se emocionar com algumas cenas deste filme. As bandas são apresentadas com cuidado; é uma notícia na TV, é um comentário de algum garoto, é uma música tocando na rádio, ou simplesmente a música é usada como trilha em algumas cenas. Uma delas faz referência ao The Cure e foi a que mais me chamou atenção, afinal, é uma das bandas que mais gosto. A música “In Between Days” parece vir no momento certo e se encaixa completamente com o enredo no filme. Além desta, temos muitas outras bandas legais como Duran Duran, Starship, Genesis, Tears for fears, Spandau Ballet e uma cena bem legal com a música “Maneater” de Daryl Hall & John Oates.
É incrível que este tenha sido o primeiro papel do ator Ferdia Walsh-Peelo, que interpreta o protagonista Cosmo. Ele chega de uma forma tímida, como seu personagem aparenta ser inicialmente, e logo dá um show de interpretação, principalmente quando está cantando. Na verdade todo o elenco ficou muito bom, principalmente os garotos da banda. A musa do protagonista, Raphina, interpretada pela belíssima Lucy Boynton, está deslumbrante e é fácil para qualquer garoto se apaixonar por ela. É aquele amor que um garoto tenta conquistar através das canções que ele deixa numa gravação em fita, na porta da casa dela.
Outro elemento importante no filme é o processo de compor a canção, como isso está ligado aos dramas que os garotos estão vivendo e como ocorre essa influência positiva das bandas que estão fazendo sucesso. Mais ainda, como a música é uma forma de se expressar, por exemplo, criticando a rigorosa disciplina da escola dos garotos. Enfim, muita coisa boa pode ser extraída de Sing Street e espero que este não passe desapercebido pelo público e que muitos tenham a sensação de alegria que eu tive ao assistí-lo.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Qualquer Custo (2016)

Eu indico
Hell or High Water (EUA, 2016)

Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, estão para perder a fazenda da família no oeste do Texas e decidem assaltar bancos como uma chance de se reestabelecerem financeiramente. Só que, no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los. Dirigido por David Mackenzie.

Ladrões:
David Mackenzie é mais um diretor que não deixa a desejar. Esse filme é um drama bem sólido, no estilo western, só que mais para a atualidade, isso porquê a atmosfera de alguns locais no estado do Texas ainda passa a ideia de lugares meio esquecidos no tempo. Ainda existem rixas, roubos a banco como em qualquer lugar. Mas no interior do Texas, o clima de faroeste é permanente no filme. E existe claramente a busca por uma vida melhor, mais digna, menos pobre. E se não for para você, que sejam para os seus filhos, como é o caso do personagem interpretado, com maturidade, pelo ator Chris Pine.

Fui pobre minha vida toda.
Meus pais também, assim como os pais deles.
É como uma doença... passada de geração em geração.
Vira um mal, isso sim.
Infecta todos que você conhece.
Mas meus filhos, não.
Não mais.”

A casa da família está prestes a ser tomada por um banco por conta de um empréstimo antigo. Talvez os grandes ladrões no filme sejam os bancos, isso fica meio evidente apesar de que, o que vemos, são grandes assaltos aos bancos que, em certo ponto, ficam violentos. As vítimas desses assaltos, clientes do banco e funcionários, ficam chocadas e reagem, algumas violentamente, o que é normal já que cada um está olhando para o seu umbigo. Cabe ao espectador analisar a situação dos irmãos texanos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) que estão realizando os assaltos. O drama western fica melhor ainda quando entra em cena Jeff Bridges para equilibrar a história, perfeito como o investigador texano quase aposentado que vai combater os foras-da-lei. O drama envolve proteção familiar, vingança e uma boa crítica sobre oportunidades que são tiradas das pessoas menos favorecidas para que uma minoria viva melhor. O diálogo do investigador com a garçonete do bar que simpatiza com um dos ladrões evidencia bem essa questão. É o que sabemos: inferno para alguns e bastante água para outros, como o título original do filme (Hell or High Water).
Cada personagem tem seu drama e suas motivações. Toby é discreto e busca um futuro melhor para seus filhos, mas Tanner demonstra ser descontrolado, possui antecedentes criminais, embora embarque nessa aventura para ajudar o irmão. E Marcus Hamilton (Jeff Bridges) aparece para se fazer cumprir a lei.
O filme também tem uma cara de road movie, por conta das cenas de viagem em estrada, necessárias para a realização dos assaltos. A fotografia mostrando cenários do Texas, áreas desertas e desérticas, é impagável, um show a parte para quem curte esse cenário e o clima que deixa. A fotografia é de Giles Nuttgens.

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Fontes:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Chegada (2016)

Favoritos
Arrival (EUA, 2016)

Quando seres interplanetários chegam na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para estabelecer comunicação e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade. Dirigido por Denis Villeneuve.

Ficção para pensar:
Assistir a uma ficção científica como esta é uma experiência de vida. A palavra ficção - ato ou efeito de fingir; fingimento; elaboração; criação imaginária, fantasiosa ou fantástica; fantasia – nos remete a coisas fora da realidade. Porém, esse filme usa desse conceito e acaba sendo extremamente realista, humano, justamente num momento onde o mundo precisa receber esse tipo de mensagem. Que bom que o diretor canadense Denis Villeneuve acertou mais uma vez, depois de excelentes filmes como Incêndios (2010), Os Suspeitos (Prisoners, 2013), O Homem Duplicado (Enemy, 2013) e Sicario: Terra de Ninguém (2015). Melhor ainda saber que ele será o cineasta a dirigir Blade Runner 2, previsto para 2017, próximo ano.
Em A Chegada, contamos com a grande atriz Amy Adams em mais uma ótima performance. Ela é a Dra. Louise Banks, uma linguista convocada pelo governo americano para um grande desafio incomum: dialogar com alienígenas de uma das doze naves que pousaram no planeta terra. O roteiro parece simples, mas principalmente no clímax vemos como o filme é original e grandioso. Não pretende ficar mostrando muitas cenas de ação, com guerras insanas entre a humanidade e alienígenas; ele é focado no diálogo entre os seres, sendo que existe um clima tenso e muito mistério, pois não se sabe as intenções dos seres extraterrestres. No cartaz do filme tem a pergunta que não quer calar: “Por que eles estão aqui?”.
Não é preciso dizer que a resposta é mais do que uma simples e óbvia resposta, pois o filme nos leva a grandes mensagens em torno dessa proposta de que a comunicação efetiva pode ser a solução para muitos problemas. Mais ainda, sobre entender o próximo e compreender a si mesmo. Tem também um apelo para a questão da união entre os povos, esforço coletivo em busca de um mesmo objetivo, mas que deve ser um objetivo de paz. A ficção e drama se unem para nos deixar um filmaço, que agrada pelas cenas de contato com os seres e todo o mistério que ronda isso, assim como pela parte dramática, relacionamentos, família.
Junto a tudo isso temos a belíssima trilha musical de Jóhann Jóhannssson, providencial, até sinistra em alguns momentos. Atuações, principalmente da Amy Adams, roteiro e montagem são também pontos fortes. O filme tem alguns flashbacks que parecem soltos, mas depois tudo se encaixa se você compreender a mensagem em relação à questão do tempo.
Recordei do filme Contato, de 1997, mais uma grande ficção, de Robert Zemeckis com Jodie Foster e Matthew McConaughey, no qual existe um primeiro contato com uma inteligência extraterrestre e uma cientista que tenta entender a mensagem. Ambos os filmes deixam uma bela mensagem para a humanidade, e este A Chegada é, sem dúvida, uma das melhores ficções científicas já feitas e um dos grandes filmes deste ano de 2016.

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Fontes:

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Frances Ha (2012)

Eu indico
Frances Ha (EUA, 2012)

Frances (Greta Gerwig) divide um apartamento em Nova York com Sophie (Mickey Sumner), sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Entretanto, a amiga não toma a mesma atitude quando surge a oportunidade de se mudar para um apartamento melhor localizado. A partir de então Frances parte em busca de um novo lugar, já que ela é apenas aluna em uma companhia de dança. Mesmo diante das dificuldades, Frances tenta manter o alto astral diante dos problemas que a vida adulta traz. Dirigido por Noah Baumbach.

Frances Halladay:
No que você é bom? Quais suas metas nesta vida? Você está realizando seus sonhos? Não sabe que rumo deve tomar? Frances é uma jovem que trabalha como assistente numa companhia de dança e divide o apartamento com sua melhor amiga em Nova York. Ela não se considera boa o suficiente para se tornar uma dançarina. E ela também se questiona sobre o seu rumo. A personagem, bem carismática e lindamente interpretada pela atriz Greta Gerwig, representa uma realidade quase universal de jovens enfrentando a vida adulta e procurando se estabelecer financeiramente, psicologicamente, enfim.
A atriz Greta Gerwig dificilmente terá um papel superior a este no cinema. Engraçado que, num filme posterior, chamado Mistress America (2015), ela faz um papel que lembra bastante a personagem Frances, neste sentido de ser apaixonada pela vida e correr atrás de seu sonho, talvez até menos ingênua que a primeira, mas com a mesma trajetória. Parece que este outro filme foi uma pequena homenagem ao primeiro, até porquê contém a mesma atriz, mesmo diretor, que juntos assinaram ambos os roteiros, e se passa na mesma cidade de Nova York, palco perfeito para mostrar as desventuras de jovens que moram e tentam ganhar a vida e se realizar numa cidade grande. A vida adulta está chegando e Francis, apesar de não parecer ter perspectivas de melhora, decide encarar a vida com um otimismo incomum. As coisas podem dar errado, mas ela tenta se divertir no processo. A cena de Paris como uma viagem de supetão, para ficar na casa de pessoas que ela nem conhece direito, é interessantíssima.
O filme em preto e branco deixa uma atmosfera banaca. É um filme curto e cativante, com direto a uma cena sensacional na qual a personagem corre pelas ruas de Nova York e a música Modern Love, de David Bowie, diz tudo o que precisa para combinar com o filme. Frances Ha é sensível, divertida, e procura aceitar que seus sonhos talvez não se concretizem, mesmo assim de maneira otimista.
Aqui deixemos uma passagem do filme Mistress America (2015):

"Ela era o último caubói, uma romântica fracassada
O mundo mudava e pessoas como ela não teriam para onde ir
Ser uma luz de esperança para os outros é um trabalho solitário."

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Fontes:
http://www.teoriacriativa.com/somos-todos-frances-ha/

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Hanami – Cerejeiras em Flor (Alemanha, 2008)

Eu indico
Hanami (Kirschblüten, Alemanha, 2008)

Quando descobre que seu marido tem pouco tempo de vida, Trudi não sabe se deve contar a ele a verdade. Em vez disso, ela decide planejar com Rudi uma viagem, para que aproveitem bem estes últimos momentos juntos. Sonhando conhecer o Japão, país pelo qual é apaixonada, a mulher decide que este será o destino do casal, mas que antes eles irão até Berlim, para fazer uma última visita a seus dois filhos que moram lá. Dirigido por Doris Dörrie.

Hanami:
A vida é cheia de surpresas e quase ninguém está preparado para a morte. As pessoas brincam quando perguntam o que você faria se soubesse ter pouco tempo de vida. Hanami – Cerejeiras em Flor discute essa questão, o saber aproveitar a vida, por ela ser efêmera e também cheia de prazeres. Mais isso na verdade é muito pouco do que o filme representa, indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008 e exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Um prazer, preferido da maioria, é o prazer de viajar e conhecer lugares exóticos. Neste aqui, existe a vontade de Trudi em sentir a cultura japonesa, andar por entre as deslumbrantes cerejeiras brotadas em flor e encarar mais de perto o Monte Fuji e toda a energia e magia que este guarda. Acaba que a viagem não ocorre exatamente como eles imaginavam, a começar pela visita aos filhos antes da viagem ao Japão. Os filhos, sempre ocupados e tratando os pais como visitas não esperadas, nos mostram o quanto devemos ser mais próximos e cuidados com nossos familiares, cada vez mais, principalmente com os mais velhos, que provavelmente estão mais perto de partir do que nós. A viagem ao Japão acaba também sendo muito diferente do esperado, por conta da ocorrência de um fato mais inesperado, mudando o cenário do filme. É onde a obra mostra o potencial que tem. Aqui vou revelar o fato que se encontra na maioria das sinopses deste filme e ocorre logo no início, então acredito que não comprometa muito, mas é melhor avisar antes e deixar o leitor decidir.
Antes de ir ao Japão, quem acaba falecendo de repente é Trudi, a esposa. Ainda sem saber que também tem pouco tempo de vida, Rudi decide fazer uma homenagem à ela, então continua com os planos e vai até o Japão. Lá, após algumas interessantes desventuras de um turista despreparado, ele conhece uma jovem, daquelas artistas de rua orientais e essa amizade acrescenta a ambos. Rudi então percebe os sacrifícios que sua mulher havia feito por ele. O melhor de tudo é o caminho, a trajetória, enquanto busca os destinos no Japão que a esposa faria. Porque nele, personagens conhecem outros personagens, outra cultura, outra identificação e forma de viver. E isso tudo faz parte do melhor da vida. O filme possui um final, na minha visão, perfeito, muito sensível e bonito, comovente até para os corações de pedra.

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Fontes:

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Embriagado de amor (EUA, 2002)

Eu indico
Punch-Drunk Love (EUA, 2002)

Embora suscetível a ataques violentos, o empresário Barry Egan é um homem tímido que leva uma vida solitária e tranquila. No entanto, vários eventos ocorrem e mudam sua vida, como apaixonar-se por uma colega de trabalho da sua irmã, Lena Leonard. Porém, o romance é ameaçado quando Egan é vítima de um chantagista. Dirigido por Paul Thomas Anderson.

Romântico ao estilo Paul Anderson:
Finalmente gostei da atuação de Adam Sandler num filme, e que bom que não é uma comédia! Embriagado de Amor faz jus ao seu título, pois nos mostra um amor irracional e crível, verdadeiro mesmo, entre um homem e uma mulher. O melhor é que isso é mostrado numa narrativa não convencional, com uma fotografia diferenciada, a câmera naqueles planos mais longos e uma música repetitiva em alguns momentos. Desde o início da trama vemos que a narrativa não é mesmo convencional.
Adam Sandler está num papel interessantíssimo, uma pessoa excêntrica e ao mesmo tempo, interessante. Personagem único. Finalmente ganhou um papel maduro e sua interpretação lhe rendeu um Globo de Ouro. Dá para se divertir em outros filmes com ele, como Little Nicky (2000) e O Rei da Água (1998), que são comédias não convencionais e agradáveis. Mas este, sem dúvida, foi um marco para este ator e mais um ganho para um bom diretor, que tem filmes como Boogie Nights (1997) e Magnólia (1999) em seu currículo. Por este filme, ele ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes. E para fechar, conta com uma das minhas atrizes preferidas, a Emily Watson, que está competente como sempre!
A história mostra um amor verdadeiro que surge entre duas pessoas, sendo que, reforço, a trama é não-convencional e por isso mesmo, interessante. Com um pouco de atenção, percebemos elementos importantes que marcam uma verdadeira paixão: defender a amada de perigos, a cumplicidade marcante entre os dois (que Barry Egan não conseguia com ninguém, nem com pessoas próximas de sua família), aquele momento tenso até o primeiro beijo, o revelar-se verdadeiramente ao outro, a confiança, a compatibilidade mesmo com as diferenças e uma coisa legal: a iniciativa por parte da mulher… enfim, encare de coração aberto um filme que mexe com o coração.
O roteiro começou a ser escrito depois que o diretor Paul Anderson conheceu a história real deste norte-americano que ganhou milhagens infinitas comprando pudim (isso realmente aconteceu e eu não sabia quando vi o filme). A trilha sonora é de Jon Brion, o mesmo de Magnólia, o que já diz muita coisa. O resultado é um filme verdadeiramente romântico, traduz bem o que de fato é um romance, e não um romance daqueles passageiros.

Lista de filmes românticos:
Aproveito e deixo aqui uma bela lista de grandes filmes românticos que me marcaram:
- Aurora (EUA, 1927):
- Desencanto (Reino Unido, 1945):
- As Pontes de Madison (EUA, 1995);
- A Letra Escarlate (EUA, 1995);
- Amor Maior que a Vida (EUA, 2000);
- Embriagado de amor (EUA, 2002);
- Diário de uma Paixão (EUA, 2004);
- Paixão a flor da pele (EUA, 2004)
- Querido John (EUA, 2010);
- Sentidos do Amor (Reino Unido, 2011) :
- A Espuma dos Dias (França/Bélgica, 2013):
- Dois Lados do Amor (2013):

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Fontes:

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Corte (França, 2016)

Eu indico
L'Hermine (França, 2016)

Michel Racine (Fabrice Luchini) é um juiz rígido e impiedoso, conhecido pela atitude extremamente profissional nos tribunais. Isso muda quando a jurada de um de seus casos é Ditte Lorensen-Cotteret (Sidse Babett Knudsen), uma mulher por quem foi perdidamente apaixonado muitos anos atrás, mas que o abandonou. Dirigido por Christian Vincent.

Tribunal:
Assisti poucos filmes que envolvem tribunal, julgamento pela lei. Me recordo de excelentes produções:
- 12 Homens e uma Sentença (1957, de Sidney Lumet);
- O Sol é Para Todos (“To Kill a Mockingbird”, 1962, de Robert Mulligan), neste blog:
- O Homem Que Fazia Chover (1997, de Francis Ford Coppola);
- Tudo o que Desejamos (França, 2011, de Philippe Lioret), também neste blog:
Agora, acrescento a essa pequena lista, o recente filme francês A Corte. O filme alterna entre cenas dentro e fora de um tribunal, e possui alguns aspectos cativantes. O primeiro deles é facilmente perceptível, que é o personagem principal em si, um juiz competente, que para nossa sorte foi interpretado esplendidamente pelo ator Fabrice Luchini, premiado então como melhor interpretação masculina no Festival de Veneza de 2015. O mesmo festival premiou este filme como melhor roteiro (do próprio diretor Christian Vincent).
É fácil acreditar, de cara, que este juiz possui somente uma personalidade rígida e postura firme, que são atributos importantes para o seu ofício. As pessoas comentam logo sobre ele, antes do julgamento começar, e não temos até então maiores informações. Todos têm medo dele, é um juiz casca grossa. Porém, é aos poucos que vamos percebendo o quanto ele é uma pessoa justa, que segue a lei e faz com que os seus assistentes a sigam. Como se já não bastasse encantar por isso, o filme em determinado momento vai mostrar uma pequena fragilidade do protagonista diante dos sentimentos que ele guarda por alguém, uma mulher por quem foi apaixonado (Sidse Babett Knudsen, que está linda e também ótima no filme). O destino faz com que eles se cruzem novamente, só que durante um julgamento. O envolvimento dos dois vai se desenrolando ao mesmo tempo em que o julgamento vai avançando, mas as coisas são bem sutis, existem pouquíssimos vestígios de sentimento entre eles e é interessante como isso não prejudica a andamento dos seus trabalhos. É importante ver como a postura e firmeza do juiz continuam presentes para que a lei seja aplicada corretamente.
Um julgamento, como o próprio nome diz, parte de suposições, observações e decisão, pois nem sempre a verdade será relevada e é necessário aplicar a sentença. Muito interessante presenciar esse drama principalmente do ponto de vista de um personagem inteligente, justo e humano. É um drama que nos apresenta a um tribunal, com seus elementos visíveis e seus bastidores, mas também possui aquela leve pitada de romance e humor. E tudo isso traça uma certa identidade na obra que a deixa cada vez mais realista e cada vez mais agradável. Um tribunal de justiça e o que ocorre fora dele nos é apresentado como uma corte, onde conduta e comportamento das pessoas estão sendo observados e julgados por outras com base no que se acredita ser o correto, a etiqueta. Vemos no tribunal as relações hierárquicas, as repetições obrigatórias, o tempo de cada um falar, como se dirigir ao advogado e ao juiz, a seleção dos jurados, etc. Mas o melhor de tudo é como se mantém a moralidade implacável do personagem principal e seus conflitos diante de tudo que ele está passando em sua vida pessoal.

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Fontes: