Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

sábado, 3 de março de 2012

The Troll Hunter (“Trollgeren”)

Eu indico
The Troll Hunter (Noruega, 2010)

O filme conta a história de um trio de estudantes de cinema que, após um surto de ataques a ursos numa reserva natural no Norte da Noruega, decidem investigar o que realmente se passou. Ignorando os avisos das autoridades sobre os perigos, munem-se de uma câmara de vídeo e partem em busca de material para um documentário. Durante a busca, conhecem Hans (Otto Jespersen), um homem enigmático conhecido como o "caçador de trolls". E é então que os jovens descobrem o segredo mais bem guardado do Governo norueguês: a existência de trolls, seres que eles julgavam apenas habitar na sua imaginação.

Estilo “câmera na mão”:
A Noruega é um país que não tem uma grande tradição cinematográfica, vale a pena conferir o resultado deste filme. Assim como Cloverfield ou A Bruxa de Blair, Troll Hunter é como um pseudo-documentário, onde estudantes acompanham, com uma câmera, um misterioso caçador na Noruega, tentando descobrir o que ele caça com tanta discrição. Filmes deste tipo dão um realismo maior às cenas e a oportunidade de se sentir na pele dos personagens, visto que assistimos na perspectiva de primeira pessoa.
O diferencial neste é que, ao mesmo tempo em que acompanhamos as belíssimas paisagens da Noruega, existem cenas interessantes e desesperadas das criaturas medonhas. Ou seja, o monstro não fica camuflado, escondido, ele é exibido completamente antes de se chegar ao meio da história, deixando o espectador contemplar a criatura como um todo. Os efeitos visuais são excelentes, dando uma boa experiência de visualização.

Troll – a mitologia no filme - SPOILER:
Os trolls são seres temíveis saídos do folclore escandinavo. Na maioria das vezes são representados como criaturas enormes, uma visão nórdica dos gigantes, com orelhas e narizes muito grandes e que gosta de viver no subsolo, sendo este o seu refúgio contra o Sol, que pode transformá-lo em pedra com o contato. É uma criatura presente na fantasia de certos RPGs, videogames, livros de espada e feitiçaria, entre outros elementos medievais. A Noruega é um país onde o mito tem uma grande importância, pois possui ainda profundos bosques somados às belíssimas paisagens naturais, com uma cultura que acredita na existência de trolls.
No filme, o caçador Hans explica o comportamento desta criatura, os tipos de Troll e seus costumes, chega a reconhecer um lugar onde houve uma batalha entre trolls (“Trolls da montanha e trolls da floresta lutaram aqui. Eles atiraram pedras uns nos outros.”). Temos até um toque de fábula mostrando que a criatura percebe a presença dos cristãos, o cheiro do seu sangue. Interessante o caçador considerar a criatura como uma espécie de animal irracional, inclusive estúpido, dedicando-se também à não extinção deste, ao mesmo tempo em que precisa fazer o seu trabalho sujo, sendo encarregado de matar as criaturas, procurando o mínimo de sofrimento ao abatê-las. O respeito e preservação da natureza é uma característica marcante na cultura norueguesa.
Outro elemento marcante é a forma como o governo elimina as pistas da existência de Trolls, usando ursos e técnicas para camuflar os locais onde os seres apareceram. Existe um órgão responsável por gerir e acompanhar o deslocamento das criaturas, obviamente de forma secreta, simulando ataques de ursos contrabandeados aos rebanhos atacados pelas criaturas, usando pegadas falsas, entre outras estratégias.
A mitologia em torno da criatura é outro aspecto no filme, que mostra como ela não pode ser exposta à luz solar ou se torna pedra (o interessante é que isto é cientificamente explicado). Temos algumas cenas que dão um certo aspecto medieval, em uma delas Hans - vestido como uma espécie de cavaleiro medieval - enfrenta um Troll numa ponte; em outra ele vem correndo pela floresta e gritando trolllllllllll... como nos filmes de aventura medieval.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Síndrome de Caim (“Raising Cain”)

Eu indico
Síndrome de Caim (EUA, 1992)

Charles Nix (John Lithgow) é um famoso psicólogo infantil. É obcecado pelo comportamento da filha. Sua esposa Jenny (Lolita Davidovich) está tendo um romance extra-conjugal com uma antiga paixão da adolescência (Steven Bauer). Quando a polícia reporta uma série de seqüestros de crianças na localidade, Jenny passa a ter que voltar suas atenções para o lar e encarar a possibilidade de que seu marido está tentando recriar os experimentos científicos do seu sogro.

“De Mented”, “De Ranged”, “De Ceptive”, De Palma:
Brian De Palma dirige este suspense e aplica os elementos essenciais de sua marca: pregando peças no espectador quando mostra novamente algumas cenas, só que num ângulo ou narração diferente, um diferente que faz toda diferença e vai aos poucos dando sentido à trama; aplicando a arte de assustar, aproveitando algumas situações para pegar o espectador de surpresa; usando os sonhos e pensamentos dos personagens, chegando um momento em que ficamos na expectativa se o que está acontecendo é mesmo a realidade; e aplicando algumas cenas longas e tensas, onde tudo começa tranqüilo e termina bem diferente. Com um bom roteiro e boa utilização de movimentos de câmera e essas famosas manipulações temporais que o diretor realiza, temos um filme interessante, bem ao estilo De Palma.
Para incrementar – e muito – o resultado do filme, temos um perfeito John Lithgow na pele do personagem principal, na realidade interpretando ao todo 5 papéis bem diferentes, dando uma visão prática do transtorno dissociativo de personalidade. Incrível não ter recebido alguma premiação pelo papel, embora em 2010 tenha recebido o Golden Globe de melhor ator coadjuvante e o Emmy de melhor ator convidado, pela atuação na série Dexter (ele faz o assassino Trinity na quarta temporada).

A Síndrome de Caim:
A vida de Caim e Abel é um exemplo de como duas pessoas criadas de maneira igual, se transformam mais tarde em pessoas completamente diferentes. Em um deles vemos a humildade e em outro soberba. Quando temos um problema, uma situação difícil, se tivéssemos o poder de mudar a situação, com certeza o faríamos. Mas cada pessoa pode fazer uma escolha diferente. Essa diferença de personalidade é tratada no filme, que tem um cunho psicológico e mostra diferentes personalidades numa mesma pessoa, a partir de uma experiência provocada. E o melhor de tudo é que o assunto toma proporções maiores no filme, como assassinatos e seqüestros de crianças.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Espião que Sabia Demais (“Tinker, Tailor, Soldier, Spy”)

Eu indico
O Espião que Sabia Demais (Reino Unido / França / Alemanha, 2011)

No final do período da Guerra Fria, George Smiley (Gary Oldman), um dos veteranos membros do Circus, divisão de elite do Serviço Secreto Inglês, é chamado para descobrir quem é o agente duplo que trabalhou durante anos também para os soviéticos. Todos são suspeitos, mas como também foram altamente treinados para dissimular e trabalhar em condições de extrema tensão, todo cuidado é pouco. George precisa indicar o espião e não pode errar.

Funileiro, alfaiate, soldado, espião:
Após leitura da obra de mesmo título e no clima do Oscar 2012, assistir O Espião que Sabia Demais foi uma grande satisfação. Ambientada no início dos anos 70, a trama tem todo o clima da Guerra Fria, um elenco singular, um visual com coisas marcantes da época e uma ótima trilha sonora. Recebeu indicações para melhor ator (Gary Oldman), melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora original (Alberto Iglesias). O personagem principal, George Smiley, tem características marcantes, é quase um idoso, muito reservado, com uma quieta intensidade e inteligência, abdicando de qualquer diálogo que seja desnecessário, um cavalheiro respeitoso e com toda calma e expertise de um espião experiente. Outros atores também se destacaram na atuação, como Colin Firth (Bill Haydon) e Mark Strong (Jim Prideaux), personagens cumprindo papéis bem importantes na trama, sem contar com as poucas aparições de Simon McBurney (Oliver Lacon), também excelente.
Bem nas primeiras cenas, logo após a primeira aparição de Smiley, passam-se alguns minutos sem que o mesmo fale uma palavra, todo um momento - acompanhando de uma bela trilha sonora - desde que o mesmo é despedido do Circus, passando pelas salas com suas escrivaninhas antigas, escadas, até o velho porteiro diante da catraca do prédio. Mas ao invés de deixar seu legado, o mesmo acaba sendo chamado para descobrir quem é o “toupeira” (no livro o termo é usado com mais freqüência, para indicar um infiltrado do inimigo). A disciplina de Smiley fica bem exibida, como a atenção aos detalhes, o exercício de natação matutina, o comprometimento com a missão e a organização com o trabalho. Muito interessante também ter apresentado o lado humano e um pouco falho do personagem que, ao se embriagar, começa a falar sobre o seu sofrimento com a traição da ex-esposa.
O roteirista Peter Straughan afirmou que tentou criar as situações com o mínimo de diálogos possível, obrigando o espectador a ser atento à linguagem corporal e aos olhares dos personagens, e até a imaginar cenas de tensão que não são mostradas (em algumas delas, só vemos o desfecho). Existe um jogo por trás dos panos, um inimigo que até usa o provável ponto fraco de Smiley, que é a lembrança de sua mulher, Ann, que o persegue e, ao contrário do que foi apostado, também o ilumina. Um inimigo que também usa como arma a sedução (introduz também a questão da homossexualidade). Existem muitos espaços fechados e close nos rostos. A consumação da guerra causa um certo alerta do perigo nas poucas cenas de violência do filme (um homem mata uma coruja na sala de aula, uma mulher é executada diante de um homem que não a conhece).
Deixando de lado a proposta de outros filmes de agentes e espiões, que apelam para perseguições, tiroteios e explosões, aqui temos como predominante transações às escondidas, diálogos buscando um fio da verdade e o intelecto, tendo à disposição dos agentes aparelhos antigos e sem uma tecnologia de ponta. Muitos terminarão de ler o livro ou ver o filme desejando não ser um agente secreto; afinal, aqui um espião é meramente comparado a um funileiro, alfaiate, soldado ou até mendigo (no livro este último é atribuído a George Smiley). E bem nas cenas finais temos uma grande jogada em introduzir a música “Beyond the Sea” interpretada em francês.

John le Carré – Escritor, espião, produtor:
Praticamente uma autoridade no assunto de espionagem, antes de se consagrar como escritor, John Le Carré atuou no serviço secreto britânico nos anos 50 e 60, inclusive a serviço de Vossa Majestade. Isso explica o realismo de seus romances de espionagem, já que o mesmo sabe do que está escrevendo. Também participou da produção do filme, para garantir uma fidelidade alta à sua obra. A sua experiência nos serviços secretos terminou repentinamente, quando um agente duplo britânico denunciou a identidade de dezenas de espiões compatriotas ao KGB.
Assim como no filme, o livro mantém o clima frio e silencioso, um casamento do drama com o suspense numa atmosfera melancólica. Expõe honra e mentiras, segredos e traições, disputas de poder, intrigas e jogos duplos. Tem espaço até para afetos secretos e sacrifícios pessoais. Seguem dois trechos retirados do livro:
"A traição, de um modo geral, é uma questão de hábito, concluiu Smiley"
"Smiley afastou todas aquelas idéias, desconfiado como sempre das formas padronizadas dos motivos humanos"

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jesus de Nazaré (“Jesus of Nazareth”) – de Franco Zefirelli

Eu indico
Jesus de Nazaré (Itália / Reino Unido, 1977)

Um clássico que conta a história de Jesus desde sua humilde origem, como filho de Deus. Sua viagem inclui o Sermão no Montes das Oliveiras, as Tentações de Satanás, a escolha dos Doze Apóstolos, a Última Ceia, a Crucificação e a Ressurreição.

Adaptação:
Trata-se de uma grande responsabilidade adaptar para as telas os acontecimentos relatados pela Bíblia, principalmente com foco no Novo Testamento, onde surge a figura de Jesus Cristo. Existem diversos filmes sobre a vida e obra de Cristo, sendo que este é considerado, por alguns autores, como a mais fiel recriação de cenários com base na narrativa dos evangelhos, mostrando Jesus em ação, muitas vezes rodeado pelo povo inquieto que se acotovelam para vê-lo melhor e lhe apresentar seus pedidos. O filme original (na verdade uma mini série transformada em filme) possui 6 horas e 22 minutos, utilizados com paixão pelo diretor e roteirista Franco Zefirelli, que conseguiu garantir uma boa completude dos acontecimentos, diálogos e cenários, maximizados por ótimas atuações (temos atores reconhecidos no elenco: Robert Powell, Ian McShane, Christopher Plummer, Anthony Quinn, Rod Steiger). O ator Yorgo Voyagis, que interpretou José, teve sua voz dublada para o inglês.
O que há de essencial está lá: nascimento conturbado do menino Jesus, as pregações de João Batista, parábolas contadas pelo mestre, a reação do povo diante da figura do messias aguardado por toda Jerusalém, o chamado aos apóstolos, os milagres, a traição de Judas, a crucificação e, mais do que tudo, os diálogos com os apóstolos e seguidores, seus ensinamentos e palavras transformadoras, sem contar com os debates de Jesus com as autoridades religiosas, suas respostas precisas e inquestionáveis. O estilo do diretor é bem poético e carregado de sentimentos, alinhado com a bela música de Maurice Jarre e fotografia de David Watkin. Temos o mérito também da equipe que escreveu o roteiro: Anthony Burgess, David Butler, Suso Cecchi D'Amico e o próprio Franco Zeffirelli. Nem tudo pôde ser colocado no filme. Senti falta, por exemplo, da tentação do diabo para com Cristo no deserto (quando oferece todos os reinos do mundo), de algumas parábolas, do diálogo em torno do tributo a César (a moeda do censo com a imagem e inscrição de César) e do encontro com Zaqueu.
Zefirelli confessou que tinha nas mãos uma arma e como podia ser decisiva para a vida de milhares de pessoas, tanto para o bem como para o mal. “Quando a pessoa tem a possibilidade de animar as pessoas que sofrem e de ampliar seus horizontes de esperança, sente uma responsabilidade excessiva para o pobre homem que é”.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Assim Caminha a Humanidade (“Giant”)

Favoritos
Assim Caminha a Humanidade (EUA, 1956)

O filme conta a história de Leslie (Elizabeth Taylor), Bick (Rock Hudson) e Jett (James Dean). Bick conheceu Leslie quando foi a casa do pai dela comprar um cavalo premiado e os dois se apaixonaram. Eles se casam e vão para o Texas - terra de Bick - e lá constroem sua família, no rancho Reata. Ali perto mora Jett, que de certa forma é inimigo de Bick. A cada dia que passa os dois continuam se odiando, ainda mais quando Jett enriquece e se torna um magnata do petróleo. O filme aborda claramente a intolerância racial e é um épico imbatível que explora o assunto e defende o fim do racismo.

Gigante:
Quando vi o cartaz para o Oscar de 2012, reconheci esse filme com a cena de James Dean sentado no carro e a mansão na paisagem de fundo. Estava na hora de assisti-lo novamente e confirmar a grandiosidade deste épico. A narrativa apresenta uma época singular da história americana, retrato de uma era de transição em que o Texas de fazendeiros criadores de gado passa a ser o Texas dos exploradores de petróleo. Aborda fortemente os problemas raciais, passa pela guerra e a mudança do poder e do dinheiro. Das dez indicações, apenas George Stevens levou o Oscar (melhor direção). De forma bem cuidadosa e plausível, vemos o amadurecimento dos 3 personagens principais, chegando a inverter papéis, tanto na questão do sucesso financeiro quanto na questão do caráter. Achei melhor separar um parágrafo para cada personagem.

Jett Rink (James Dean) - SPOILER:
Já começo com a atuação de destaque para James Dean, que interpreta Jett Rink, um trabalhador da fazenda que se torna inimigo de Bick e possui uma paixão pela sua esposa Leslie. O sentimento de inferioridade transparece no personagem até quando ele fica rico e famoso, não se livrando das marcas deixadas por sua origem social e dificuldade de subir na vida. Na primeira parte da trama é um personagem bom, simples e quase esquecido (tinha como amiga somente a irmã de Rink e Leslie, que tinha uma certa educação e cuidado com ele). Revela-se mais esperto que o esperado e aproveita uma oportunidade de negócio que vai transformá-lo em um grande petroleiro. Já no final, fica arruinado por causa de sua ganância junto com o fato de que não perdeu o sentimento de inferioridade e não se sente digno do amor da mulher por quem é apaixonado. O personagem foi inspirado na vida de Glenn McCarthy (1908 - 1988), imigrante irlândes que se tornou um dos principais petroleiros no Texas. Este foi o último filme de James Dean, por conta de um acidente fatal quando o mesmo se dirigia para uma corrida (ele nem chegou a ver o filme concluído). Recebeu uma indicação ao Oscar pela atuação, sobre a qual não há o que reclamar (o sotaque, a cara sofrida e encabulada e a transformação do personagem potencializam o filme).

Jordan Benedict (Rock Hudson) - SPOILER:
Outro indicado a melhor atuação foi Rock Hudson, que interpreta o Jordan Benedict (Bick), um rancheiro texado, dono do Rancho Reata, propriedade da família há 3 gerações, uma mansão no meio de um deserto, tendo quase meio milhão de acres. A transformação deste personagem passa pela necessidade de superar o seu próprio preconceito, já herdado pelo comportamento de sua rica família. Durante os 25 anos em que se passa o filme, ele vai sofrendo a perda do controle da propriedade para o Jett Rink, que expande a exploração de petróleo na região. Só que durante esse tempo ele constituiu uma família e foi transformado por ela, principalmente pela bondade e amor de sua esposa por desconhecidos e desprivilegiados (afinal ele investia muito na pecuária e não se importava com a situação precária dos imigrantes na região de seu rancho). Como seu único filho homem decide ser médico, Bick está para assumir a derrota de não conseguir dar continuidade ao legado da família, e é só nos minutos finais do filme que percebe onde está o verdadeiro sucesso, que é na gentileza e caráter de mudar para melhor, ver o orgulho de sua esposa e filhos por ele e ter orgulho de si mesmo por defender a dignidade de pessoas desconhecidas que sofrem injustiça.

Leslie Lynton (Elizabeth Taylor) - SPOILER:
Quando Leslie Lynton (Taylor) chega ao Texas em 1923, ela precisa se adaptar a um novo mundo, já que foi criada no conforto familiar em Maryland e agora está casada com Jordan Benedict, que junto com a irmã cuida do Rancho Reata. A irmã de Bick não gosta do comportamento de Leslie, que possui forte personalidade e não aceita muito bem as idéias do marido a respeito de como tratar as mulheres, os amigos e principalmente os empregados, quase todos mexicanos e tratados com desprezo. Indignada e sustentada pelo seu amor ao marido, Leslie aos poucos passa a tentar mudar o pensamento dele, buscando tratar os criados com delicadeza e dando-lhes o mínimo de assistência médica. Ela possui uma personalidade forte, e essa presença feminina na vida do gigante (“giant”) Jordan vai mostrá-lo que a verdadeira grandeza está na atitude e no coração.

sábado, 14 de janeiro de 2012

50/50

Eu indico
50/50 (EUA, 2011)

Tudo vira de pernas para o ar na vida de Adam (Joseph Gordon-Levitt) quando ele descobre ter câncer. Kyle (Seth Rogen), o seu melhor amigo, tenta ajudá-lo de todas as maneiras, mas não deixa de utilizar a doença de Adam para se dar bem com as mulheres. Nas poucas chances que lhe restam, Adam conhecerá Katherine (Anne Kendrick), uma jovem psicóloga que irá virar sua cabeça de vez.

Comédia ou drama?
Estamos na véspera do Globo de Ouro de 2012 e temos alguns indicados bem interessantes. Para entrar no clima, escolhi comentar sobre este filme que recebeu uma indicação para a categoria melhor filme (musical / comédia). Este fica entre o drama e a comédia, na verdade o que me chamou mais a atenção foi a forma inteligente como esses dois gêneros ficaram bem casados, pois apesar de ser uma história bem dramática – a luta contra o câncer de um rapaz de 25 anos, foram criadas várias cenas engraçadas (e sem exageros), dando uma boa aliviada e invertendo a emoção do público. Mostra a importância de ter uma amizade até para os piores momentos, e uma amizade verdadeira, pois o personagem coadjuvante interpretado por Seth Rogen não esconde a verdade do amigo e tem um astral muito forte, sem contar no fato de ser a caricatura do amigo engraçado que tem aquelas grandes sacadas de humor (é realmente um papel para o Seth Rogen), sem apelar para aqueles clichês que beiram ao ridículo. Além de mostrar que o humor pode ser encontrado em lugares improváveis e o quanto isso facilita o processo de seguir em frente, também percebe-se que na vida existem grandes e inesperadas reviravoltas, e neste caso o cenário é de um diagnóstico ruim, mas que também provocou mudanças nas vidas dos dois amigos que levaram a outras reviravoltas boas (uma maior proximidade do relacionamento com os pais, o encontro do primeiro amor verdadeiro e a confirmação de que o melhor amigo é mesmo amigo para todas as horas). Fora tudo isso, reforça que existe a possibilidade de vencer, e recomeçar a vida mais confiante e com mais sentido.

Personagens com presença:
O filme é uma adaptação do livro I'm With Cancer, uma incrível experiência real em que Will Reiser conta como foi diagnosticado com câncer e venceu a doença depois de vários anos de luta. O roteiro do filme também foi feito pelo Reiser. O ator Joseph Gordon-Levitt surpreende vivendo Adam e conta com o Seth Rogen que além de interpretar o melhor amigo, também produziu o filme. Temos também a importante presença de Anna Kendrick (Amor Sem Escalas) como a jovem psicóloga que recebe o caso mas não tem experiência de vida para lidar com ele, entretanto acaba mudando a vida de Adam dando um clima bem legal de romance ao filme. E não podemos deixar de perceber a presença de personagens importantíssimos que são introduzidos quando o protagonista encontra-se na sessão de quimioterapia, dois homens mais velhos que passam a compartilhar experiências de vida, até porque o fato de serem pessoas mais maduras e com o mesmo tipo de doença, sentindo também na pele, acabam mostrando mais solidariedade com o outro.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Hospedeiro (“Gwoemul”)

Eu indico
O Hospedeiro (Coréia do Sul, 2006)

Na beira do rio Han, moram Hee-bong e sua família, donos de uma barraquinha de comida no parque. Seu filho mais velho, Gang-du, tem 40 anos, mas é um tanto imaturo; a filha do meio é arqueira do time olímpico coreano; e o filho mais novo está desempregado. Todos cuidam da menina Hyun-seo, filha de Gang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um dia, surge um monstro no rio, causando terror nas margens e levando com ele a neta querida de Hee-bong. É a hora da verdade para cada membro da família, que decide enfrentar o monstro em busca da menina.

Filme no estilo mostro do lago - SPOILER:
O primeiro ataque do mostro é no parque da cidade, durante o dia e com muita gente, uma seqüência espetacular de filmagem e fotografia, incluindo a trilha de fundo para dar um suspense maior. Toda a cena é em tempo real, uma parte dela tomando como ponto de vista o protagonista e exibindo as imagens praticamente do ponto de vista dele, dando um bom realismo da situação. O diretor não precisou apelar para a exibição de cenas fortes e mesmo assim causou impactos; por exemplo, na cena em que o bicho entra num trailer com um monte de gente, ao invés de mostrar o que está acontecendo dentro, vemos o lado de fora, o trailer sacudindo e as pessoas gritando.
Foi uma boa surpresa um filme no estilo “mostro do lago” poder agradar tanto. A chave do sucesso foi misturar o terror com o drama familiar. Existe um foco na situação da atrapalhada família de classe baixa que precisa dar um jeito de resgatar a garotinha que foi levada pelo monstro, já que as autoridades se mostram incompetentes e preocupadas com outras questões, questões essas que vão se revelar desnecessárias. O mais legal é que na hora da necessidade cada membro da família se mostra corajoso e com um atributo importante que será usado no enfrentamento com o mostro. É nesse momento que percebemos que a coragem e virtude da família sobrepõem todos os seus defeitos. A última cena de ação é uma boa briga da família com o bicho.

Aproveitando uma situação real:
O filme garante também boas críticas e algum humor. Existe o fato ambiental, como se a natureza se vingasse do homem, já que o bicho foi fruto de uma incompetência, o despejo de uma substância tóxica que escoa até o rio Han. Mostra também a incapacidade do governo em ligar com a situação, as autoridades coreanas esperando pela ajuda dos EUA e acreditando que o bicho carrega um vírus letal. Bong Joon-ho, junto com os co-roteiristas Baek Cheol-Hyeon e Hah Joon-Won, aproveitou um incidente real que aconteceu em 2000 na Coréia do Sul, em McFarland, em que detritos químicos de uma base militar americana de Yongsan, no centro de Seul, foram lançados nas águas do Han, gerando um sério impasse diplomático.

Torcendo pela sequência:
Fiquei animado depois de saber que se deseja fazer uma seqüência para o filme. Uma das informações é que poderiam aproveitar a idéia do escritor de história em quadrinhos Kang Full como ponto de partida: uma horda de famintos mutantes atacaria operários, ambulantes e policiais durante as obras de escavação do riacho Cheonggye, em Seul. Anos antes dos acontecimentos do primeiro filme, o degradado leito de um rio subterrâneo, encoberto por uma estrada, teria servido de esconderijo para os monstros.