Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Prometheus

Eu indico
Prometheus (EUA, 2012)

Uma equipe de exploradores descobre novos indícios sobre as origens da humanidade na Terra, levando-os a uma aventura impressionante pelas partes mais sombrias do universo. A bordo da nave estelar Prometheus, eles seguem para um planeta distante, onde existe uma civilização avançada.

Ficção científica:
Ridley Scott dirigiu o seu último filme de ficção em 1982, o clássico “Blade Runner”, mas antes disso ele já era conhecido pelo filme “Alien - O Oitavo Passageiro” (1979). A intenção do diretor era que o filme Prometheus tivesse elementos de Alien, como o fato de se tratar do mesmo universo, revelando as origens da criatura ao mesmo tempo em que explora a sua mitologia. Particularmente não sou fã da franquia Alien, embora tenha me agradado bastante o segundo filme (“Aliens, O Resgate”, dirigido por James Cameron em 1986), com boas cenas de ação. Mas este filme Prometheus mostra a habilidade de produção e direção de Scott, e o resultado é um verdadeiro filme de ficção científica: futurista, com diálogos e cenas densas e interessantes, doses de suspense e terror, além de um visual de tirar o fôlego (foi inteiramente rodado com câmeras 3D e não economizou nos efeitos visuais), bem no estilo que questiona a existência e explora a necessidade de sobrevivência.
A procura por respostas sobre a criação da humanidade permeia boa parte do filme, embora o mesmo não tarde a revelar algumas respostas, ao mesmo tempo em que nos deixa com alguns questionamentos importantes (pois novas perguntas surgem); afinal, se tivermos todas as respostas sobre a criação do universo e da humanidade, não haveria mais necessidade de debates interessantes e discussões filosóficas, tão necessárias para a existência de alguns. No filme, as idéias são apresentadas à medida que vamos conhecendo personagens com diferentes opiniões (cientistas que acreditam que fomos criados por seres mais evoluídos, pessoas que acreditam em Deus como criador do universo e até aqueles que só querem fazer o seu trabalho sem necessidade de revelação alguma). Os diálogos, principalmente aqueles onde o andróide (Michael Fassbender) se envolve, são bem interessantes. Fassbender está fascinante interpretando o andróide David de uma forma que chega a ser estranha, meticuloso e sem sentimentos, artificial, a ponto de incomodar o espectador, quando decisões importantes são tomadas por uma máquina sem medo e sem consideração pela vida humana (a tipologia deste deve ser a mesma do Andróide do segundo filme de Alien). A protagonista Elizabeth Shaw também ficou bem interpretada pela Noomi Rapace, que me surpreendeu bastante. Um choque para quem conhece essa atriz pelo papel na trilogia Millenium, versão Sueca, onde ela interpretou uma exótica personagem.
O roteiro não só se aproveita desta grande questão (busca de nossas origens), como também trás novamente à tona os mistérios que rondam o surgimento da criatura da série Alien. É importante saber que o filme é muito mais do que um prelúdio para este último, tendo assim uma trama quase que independente.
O filme é o show de imagens, sons e efeitos. Os cenários são realistas e detalhados, o clima de Alien aparece com força em alguns deles, e temos a sensação de nostalgia que alguns filmes conseguem passar. Para quem for ao cinema, vai ter a sensação de que está chovendo forte do lado de fora da sala, durante uma cena do filme onde milhares de gotas de água estão caindo sobre os personagens. A trilha sonora de Marc Streitenfeld contribui bastante, inclusive usando alguns trechos das composições de Jerry Goldsmith feita para o “Alien” original.
Como se passa no ano de 2093, não perde a chance de introduzir alguns aparatos tecnológicos, como as esferas flutuantes que percorrem os lugares e mapeiam a região, assim como uma máquina para fazer cirurgias complexas sem necessidade de intervenção humana.

Prelúdio de Alien? - SPOILER
O interessante é que Prometheus desde o início procura se distanciar de Alien e mesmo assim reutiliza muitos elementos que deram certo no clássico de 1979 e constrói aos poucos uma nova atmosfera de tensão. Só que a última cena deixa bem claro que o mesmo é um prelúdio de Alien (por sinal uma cena bem legal). No início, após um belo panorama por montanhas e cachoeiras, vemos um alienígena humanóide, de corpo perfeito. Sob a sombra de uma nave, ele bebe um líquido escuro que faz com que ele se desintegre. O seu corpo cai em uma cachoeira, e o seu DNA desencadeia uma reação que origina vida. Depois que os cientistas comprovam que os seres humanos foram criados pela mesma espécie desta criatura, imaginamos que o planeta da cena inicial era a Terra. Daí as reflexões são bem interessantes, como o fato dos seres humanos serem uma espécie inferior, fruto de uma outra espécie mais evoluída que “brincou de Deus” ao nos criar. Outra questão interessante é relevar os verdadeiros motivos do patrocinador da missão, que ao invés de se importar em achar respostas, queria na verdade encontrar uma forma de prolongar a própria existência, enquanto outros personagens continuam a acreditar que a existência não acaba quando chega a morte. Até a nave Prometheus usa o nome do titã que roubou o fogo dos deuses e lutou pelo bem estar dos homens, o que despertou a ira de Zeus e este fez surgir Pandora para sua vingança contra a humanidade. Na parte final do filme, a nave foi sacrificada para salvar a Terra da destruição. Entre várias perguntas interessantes (“É possível ser um cientista e manter a fé no desconhecido?”, entre outras), o filme é apropriado para espectadores atentos, pois releva muitas coisas de forma bem sutil. Recomendo fortemente, após assistir ao mesmo, fazer a leitura do link abaixo:

Um destaque para a cena da cirurgia, que é praticamente uma evolução criativa da cena marcante de Alien - O Oitavo Passageiro, quando a criatura sai da barriga de uma pessoa.

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Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometheus_%28filme%29
http://www.cineclick.com.br/criticas/ficha/filme/prometheus/id/2965
http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/269191/prometheus-ridley-scott-mixa-existencialismo-e-terror-ao-voltar-ao-universo-alien/

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Poltergeist: O Fenômeno (“Poltergeist”)

Favoritos
Poltergeist (EUA, 1982)

Uma típica família americana vive o famoso sonho americano, moram na casa dos sonhos, numa cidade pequena e com espaço para uma piscina. Mas logo a família Freeling começa a presenciar fenômenos psíquicos, que a princípio parecem ser inofensivos, mas que cada vez se tornam mais aterrorizantes até que  uma entidade “seqüestra” a pequena Carol Anne (Heather O'Rourke) e tudo vira um inferno.

O Fenômeno de 1982:
O clássico Poltergeist foi escrito e produzido por Steven Spielberg, um sucesso de público e crítica que concorreu ao Oscar de melhores efeitos visuais e melhor trilha sonora. Existe uma versão remasterizada e é fortemente indicado, principalmente para fãs de suspense ou terror. Na época em que foi lançado, existiam muitos filmes que focavam nas cenas sanguinolentas, mortes, assassinos mascarados, mutilação e tudo o mais. Talvez por isso tenha impactado bastante, por possuir uma boa história, cenas tensas, expectativas e sustos bem elaborados.
Apesar de dirigido por Tobe Hopper, percebemos que o filme tem toda a influência de Spielberg, já conhecido por sua criatividade, e o resultado é um show de cenas onde tudo se transforma em algo assustador, desde uma árvore (quando troveja, vemos a sua sombra enorme), ou uma televisão, até o boneco de um palhaço. São introduzidas até cenas cômicas nos momentos oportunos, e no todo o filme surpreende bastante. Esperar o momento certo para a trilha sonora surgir, é uma marca de Spielberg. Para quem o assistir hoje em dia, acredito que fique a sensação de que não se fazem mais filmes assim. Uma certa crítica também aparece, como a TV sendo o único meio de comunicação entre o sobrenatural e o físico, ou uma corretora de imóveis que brinca com a morte. A trilha sonora ajuda a construir uma atmosfera intensa e faz o filme chegar a seu clímax rapidamente. Além disso, a própria falta de trilha sonora também ajuda a termos bons momentos de suspense.
No centro da trama está a típica família americana da Califórnia, que vive numa casa bacana. Steve Freeling (Craig T. Nelson), sua esposa Diane (JoBeth Williams), e seus filhos Dana, Robbie e Carol Anne (respectivamente Dominique Dunne, Oliver Robins e Heather O’Rourke). Os acontecimentos sobrenaturais surgem logo e a história é contada de uma forma simples, mas nos faz realmente sentir medo, usando-se de um terror mais psicológico. É interessante como existem artimanhas para causar tensão e susto, naquelas cenas em que sabemos que algo deve acontecer, mas mesmo assim tomamos um baita susto quando acontece. As cenas que foram colocadas com pouco uso – ou uso algum - de uma trilha sonora também são impactantes.
Os efeitos especiais foram feitos pela lendária Industrial Light & Magic, para a época do filme foi como fazer mágica. Quem toma conta de todos os efeitos sonoros é Jerry Goldsmith, o mesmo que produziu os sons de Jornada nas Estrelas.
Os atores escolhidos para interpretar a família ficaram tão bons que até parece uma família da vida real. A garotinha Carol Anne (Heather O'Rourke) está ótima, e ela trabalha nos 3 filmes. Destaque é quando ela usa uma fala mais conhecida em filmes do gênero: “They're here!” (“Eles estão aqui””) e, no segundo filme, a garotinha novamente repete a idéia, dizendo: "They're back!" (“Eles voltaram!”). Realmente não fizeram boas continuações, mesmo repetindo os personagens interpretados pelos mesmos atores. As continuações foram “Poltergeist II - o Outro Lado” (1986) e “Poltergeist III - Cresce o Pavor” (1988).
O termo poltergeist (do alemão polter, que significa ruído, e geist, que significa espírito) é usado quando algum evento sobrenatural se manifesta deslocando objetos e fazendo ruídos. Acredita-se que o foco dessa perturbação é muitas vezes uma criança na fase da puberdade, em geral do sexo feminino. O evento caracteriza-se por estar relacionado a um indivíduo e por ter curta duração, diferente de uma assombração, que pode-se estender por anos, sempre associada a uma área, geralmente uma casa. No fenômeno poltergeist um espírito perturbado usa o indivíduo para se manifestar, às vezes de forma agressiva, fazendo objetos como pedras, por exemplo, voarem pelos ares atingindo objetos e outras pessoas. Para a manifestação desse espírito, segundo a literatura espírita, é necessária a presença de um médium de efeitos físicos, ainda que seja completamente alheio à sua faculdade, para que os fenômenos ocorram. No filme, tudo isso é explicado e usado de alguma forma, temos até sequências com uma equipe de médiuns monitorando a casa e sofrendo os diabos, com destaque para a atriz Zelda Rubinstein, com apenas 1,30m de altura e uma voz peculiar, interpretando a personagem Tangina Barrons, uma vidente experiente (que também aparece nos 3 filmes). Perceba quantos mistérios e suspenses dos roteiros atuais tem uma ponta de Poltergeist no meio.

Na vida real - A Maldição de Poltergeist:
Alguns acontecimentos macabros aconteceram durante e após as filmagens do filme, tanto que se criou o termo chamado “A Maldição de Poltergeist”, onde algumas mortes no elenco aconteceram. Porém a mais marcante foi a morte da atriz mirim Heather O'Rourke (interpreta a Carol Anne) que morreu logo após as filmagens do terceiro filme, aos doze anos de idade, com uma infecção intestinal. Antes dela, morreu Dominique Duane (interpreta a irmã mais velha de Carol Anne no filme), logo após a estréia do 1° filme, quando um ex-namorado ciumento simplesmente a espancou e depois estrangulou. Em 1985 o ator Julian Beck (interpretou o reverendo que assustava a família Freeling) morreu de um cancer fulminate e, em junho de 1986, o ator Will Sampson (interpretou o índio que ajudava a família no 2° filme), aos 53 anos, morre após um transplante de coração.
Seguem outros eventos coletados, que podem até ser boatos:
- Em 1984 foi gravado o 2° filme, sendo que um fato estranho ocorreu: a casa escolhida como cenário foi realmente construída em cima de um cemitério chumash (tribo indigena que viveu ali no sec. 17), coincidindo com a história do 1° filme;
- A atriz Zelda Rubenstein fez uma sessão de fotos para Poltergeist III e em uma delas, tinha uma luz brilhante obstruindo o seu rosto. Ela depois informou que a foto foi feita no exato momento que sua mãe na vida real morreu;
- A casa do primeiro filme foi parcialmente destruída por um terremoto em 1994;
- Em uma cena onde o ator Oliver Robins estava sendo sufocado, alguma coisa deu errado e ele estava sendo sufocado de verdade;
- JoBeth Williams diz que quando voltava para casa depois das filmagens, encontrava os seus quadros todos tortos na parede. Ela os endireitava mas, ao retornar no dia seguinte após as filmagens, estavam todos tortos novamente;
- Ao estrangular Dominique Dunne, para encobrir o barulho, o namorado colocou para tocar a trilha sonora de Poltergeist em volume bem alto;
- Foram usados esqueletos de verdade no filme, a atriz JoBeth Williams confirmou em uma entrevista.

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Fontes: 

http://www.plantaopop.com/2010/12/critica-poltergeist-o-fenomeno.html
http://thesinistro.wordpress.com/2010/04/25/mortes-no-filme-poltergeist/
http://culturareino.blogspot.com.br/2011/04/maldicao-do-filme-poltergeist-oque.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Poltergeist
http://planocritico.com/critica-poltergeist-o-fenomeno/

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Pequeno Nicolau (“Le Petit Nicolas”)

Eu indico
Le Petit Nicolas (França, 2009)
 
Nicolau (Maxime Godard) é um garoto muito amado pelos pais, que leva uma vida tranqüila, até o dia em que ouve uma conversa entre seus pais, que o faz achar que a mãe está grávida. Nicolau entra em desespero e já pensa no pior: ao nascer um irmão, eles deixarão de lhe dar atenção. Para escapar de seu terrível destino, o menino faz campanha para mostrar o quanto é indispensável, mas acaba cometendo vários tropeços, o que faz com seus pais fiquem enfurecidos. Desesperado, ele muda de tática e, com seus amigos desastrados, bola diversos planos para achar uma solução para seu problema.

Comédia francesa infantil?
Le Petit Nicolas tem origem numa obra literária infantil franco-belga, de mesmo nome, criada em 1959 por Jean-Jacques Sempé e René Goscinny, autor de Asterix. Aproveitando o gancho, o diretor usa em uma das cenas uma passagem dos quadrinhos Asterix e Obelix, no que diz respeito ao famoso elixir que lhes garante a força mágica para enfrentar o exército romano. De forma criativa, os créditos de abertura do filme imitam um livro, usando ilustrações da obra original.
Essa comédia francesa tem algumas sacadas interessantes, como nos apresentar o mundo aos olhos de um garoto, Nicolau, que é o narrador dos acontecimentos. Como sua interpretação das coisas ainda é imatura, a contradição do que ele fala com o que vemos acontecer já garante algumas cenas engraçadas. Por outro lado, também acompanhamos o ponto de vista dos adultos, como a insatisfação do pai (Kad Merad) no trabalho, em sua luta para agradar o patrão, assim como as crises da mãe (Sandrine Kiberlain), fatos que não são percebidos pelo garoto; características de uma classe média que precisa se contentar com as sobras da riqueza. São os pontos de vista adulto e infantil sobre uma mesma situação, e de forma divertida vão ocorrendo vários acasos até o seu desfecho.
É divertido o fato de boa parte dos personagens serem crianças, amigos de escola, uma turma que vai causar a maior confusão, com base numa interpretação imatura de Nicolau, com o seu plano para manter-se não só o filho único, mas, simbolicamente, manter-se para sempre uma criança. E, depois disso, a questão do amadurecimento com a aceitação de se tornar o irmão mais velho, protetor e responsável. Cada um dos amigos de Nicolau possui uma característica marcante. Temos o melhor amigo, que só pensa em comer, o desligado Clotário (Victor Carles) que sempre sai de castigo, o garoto mais riquinho que só pensa no pai, e até o mais estudioso que fica dedurando os colegas. E numa das primeiras cenas a professora faz a já conhecida pergunta para as crianças: “O que você vai fazer quando crescer?”. Mais legal ainda é a resposta de Nicolau, já nas últimas cenas do filme, após todos os acontecimentos que ocorrem com o mesmo.

Desventuras - SPOILER:
A turma causa uma boa confusão com seu plano para contratar alguém para dar sumiço ao irmão de Nicolau, que ainda vai nascer. Mesmo tratando de coisas sérias, acaba que o filme consegue brincar com a vida e ficar engraçado, como por exemplo quando os garotos aguardam um bandido sair da prisão para contratá-lo, ou quando procuram na lista telefônica uma parte dedicada a gangster, ou quando fazem um cassino a céu aberto para arrecadar dinheiro. Temos também uma sequência com um carro descontrolado pelas ruas de Paris (advinha quem está dentro?). E quem iria imaginar que o desligado Clotário, que seria o burro da classe, salvaria a turma durante a visita de um ministro à escola? E daí vemos o papel importante da professora (Sandrine Kiberlain, do filme “Mademoiselle Chambon”, que também recomendo), que numa oportunidade anterior ajudou o aluno a aprender o nome do Rio Sena, usando uma estratégia efetiva.
Sobra também espaço para as atrapalhadas dos adultos, como quando a esposa tenta ajudar o marido agradando o chefe e a esposa num jantar, tentando se comportar com classe e parecer culta. O jantar obviamente termina em confusão. A anfitriã enrola-se nas palavras (quem entende francês pode perceber melhor) e seu marido nada pode fazer a este ponto. Interessante que a bajulação para ele ganhar a atenção do patrão vai ter outro desfecho depois.
Entre descobertas e trapalhadas, acaba sobrando para o espectador, o riso.

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Fontes: 

http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-o-pequeno-nicolau/
http://galeriaphotomaton.blogspot.com.br/2010/08/o-pequeno-nicolau-descobertas-infantis.html

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Flores do Oriente (“Jin Líng Shí San Chai”)

Eu indico
Flores do Oriente (China, 2011)

Em meio à Segunda Guerra entre China e Japão, John Miller (Christian Bale) chega ao país oriental para providenciar o enterro de um padre. É quando se depara com jovens estudantes de um convento e prostitutas de um bordel próximo à Igreja. Dois grupos heterogêneos que convivem com o medo constante devido aos consecutivos estupros e execuções promovidas pelo exército japonês.

Heróis:
O cineasta Zhang Yimou, que também dirigiu os excelentes “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”, traz este filme que foi indicado ao globo de ouro (melhor filme em língua estrangeira) e também representou a China na disputa por uma vaga no Oscar 2012. Como somos induzidos no próprio trailer, o filme trata da figura dos verdadeiros heróis, pessoas comuns que de forma inusitada e, mediante situações extremas, acabam cometendo atos heróicos em detrimento de outras pessoas. É ambientado na segunda guerra sino-japonesa, em 1937, onde a capital da China é invadida e destruída pelos japoneses. Podemos perceber o comportamento brutal dos invasores japoneses, que mataram e estupraram muitos chineses sem necessidade. O diretor, que já foi fotógrafo, é conhecido pelo seu domínio técnico e bom gosto. O roteiro é baseado no romance “The 13 Women of Nanjing”, do autor chinês Yan Geling.
Neste evento que ficou conhecido como Massacre de Nanquim (a cidade que inventou a tinta famosa), o agente funerário John (Bale) chega a uma igreja católica na cidade para fazer o enterro de um padre, mas acaba sendo o único ocidental num convento onde está um grupo de estudantes e, posteriormente, chega um grupo de prostitutas fugitivas. Sem querer, acaba se vestindo de padre e se tornando o protetor das jovens, diante das investidas dos invasores japoneses.
Logo no início o que chama a atenção são os enquadramentos precisos e movimentos de câmera, assim como os efeitos sonoros, que ficaram bem realistas. Tiros, tanques, casas desabando, explosões. Acompanhamos com a câmera pessoas fugindo e exércitos em conflito. O diretor arranja um espaço para destacar uma estratégia do exército chinês para impedir a passagem de um tanque inimigo, que é atacarem o tanque de frente, em fila indiana, sendo que o último da fila está com o corpo coberto de explosivos e deve alcançar o tanque, usando os da frente como escudo humano.
Mas existem poucas cenas de guerra e os solos de violino de Joshua Bell deixam um ar de drama durante uma boa parte do filme. Em um dado momento, temos a oportunidade de ouvir a agradável canção "A lenda do rio Qin Huai", cantada pelas prostitutas, que fala sobre o rio Qin Huai, que passa por Nanquim.
Uma decisão acertada foi deixar a narração por conta de uma das crianças, reforçando a questão do despertar da maturidade. Mas o foco maior do filme é apresentar atos de coragem que fizeram algumas pessoas terem um papel fundamental no resultado das coisas, diminuindo as conseqüências de uma guerra e da maldade humana para um grupo de pessoas inocentes. Importante destacar que existem outros personagens que se tornam heróis na trama, como o soldado chinês que possui um papel importante, as prostitutas que também protegem as crianças e o coroinha da igreja. O filme agrada mesmo com o clichê da figura do homem sem fé, que se entusiasma por uma causa que o leva ao heroísmo e sacrifício, ou a redenção. E, diante do horror da guerra, as pessoas podem reaprender a sua humanidade. Em tempos difíceis, pessoas comuns se tornam heróis.

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Fontes: 

http://omelete.uol.com.br/christian-bale/cinema/flores-do-oriente-critica/
http://noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/2012/05/24/estreia-flores-do-oriente/

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Fraternidade é Vermelha (“Trois couleurs: Rouge”)

Eu indico
A Fraternidade é Vermelha (Polônia / França / Suíça, 1994)

Irene é Valentine, modelo suíça vivendo em Paris, longe do namorado ciumento. Sua história é interligada a de um jovem que estuda para ser juiz. Certa noite, Valentine está dirigindo seu carro de volta para casa quando atropela algo em seu caminho. Ao descer do veículo, encontra uma cachorrinha ferida, com o endereço de seu dono na coleira. Assim ela passa a conhecer a pessoa que iria alterar o curso de sua vida: um juiz aposentado, que termina seus dias espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás deste estranho comportamento, está o enigma de um homem cujo motivo vital é tomar posse da intimidade daquelas pessoas e acompanhar passo a passo o desenrolar de seus destinos.

Rouge – COM UM POUCO DE SPOILER:
O cineasta polonês Krzysztof Kieślowski tem a Trilogia das Cores - A Liberdade é Azul (1993), A Igualdade é Branca (1944) e A Fraternidade é Vermelha (1994) - como a sua obra-prima, sendo esta composta por três filmes, cada um inspirado no significado de cada cor da bandeira francesa. O filme A Fraternidade é Vermelha fecha a trilogia e é, de longe, o melhor dos três. Visualmente já impacta, começando pela beleza peculiar da atriz Irene Jacob, junto com o uso sutil de tons de vermelho (carros, batom, outdoor, sinal no vermelho, bolas de boliche, frutas, sangue, cadeiras e cortina de um teatro etc). A trilha sonora é muito boa, inclusive em cenas que poderiam ser barulhentas, a música sobrepõe o som natural e dá um sentido mais amigável. A fotografia é excelente, em algumas cenas a câmera passeia de forma a acompanhar o diálogo e vai dando mais sentido ao mesmo. Preste atenção em como a câmera foca o copo quebrado no boliche e como a visão da câmera sai de um local para outro enquanto os dois personagens principais conversam, principalmente no final da cena do desfile, quando a visão sai da parte alta do teatro até a parte de baixo, enquanto o juiz conta o episódio que ocorreu com ele anos atrás. Em outra cena, raios solares entram e saem de um quarto meio escuro após um comentário de um dos personagens.
Em meio a diversos fatores casuais, a modelo Valentine passa a ter momentos de convivência com o juiz aposentado e vamos percebendo que, aos poucos, o sentimento inicial de repulsa vai se transformando em afeto, e a vida e destino de ambos os personagens se transforma, pois eles passam a tomar decisões que antes não tomariam. Seria mesmo o acaso ou destinos marcados para se cruzar? Essa dúvida permeia a trama principalmente quando somos apresentados a outros personagens, como o jovem juiz que passou por situações muito parecidas com as do juiz aposentado. Podemos até decidir que se trata do mesmo personagem, com as cenas exibidas em épocas diferentes, mas nos mesmos locais por onde passa a personagem Valentine. Ou até mesmo podemos achar que a Velentine é a própria amada do juiz (ele comenta que sonhou com Valentine com aproximadamente uns 50 anos de idade, na época em que a sua amada o havia traído). Ou as histórias se repetem, ou são uma única história.
Rouge faz uso das possibilidades e consequências, mesmo em cenas silenciosas e sutis (a imagem do copo quebrado complementa uma cena anterior). Questiona as relações humanas e dá ênfase à comunicação com o olhar. Os dois personagens principais dizem a mesma frase para o outro em duas cenas separadas:
- Como sabe?
- Não foi difícil adivinhar.

Fraternidade:
A fraternidade é um conceito ligado às idéias de Liberdade e Igualdade, juntos eles caracterizam grande parte do pensamento revolucionário francês. A idéia de fraternidade estabelece que o homem fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos (fraternos). Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. A fraternidade é vermelha, assim como os laços sanguíneos, semelhantes em sentimento à amizade fraternal que surge entre uma modelo e um juiz aposentado.
No filme, somos questionados a respeito de nossa incompreensão mútua, a indiferença com que nos tratamos, o não reconhecimento do outro; também existe a falta de comunicação ou presença de mal-entendidos, pré-julgamentos. O próprio juiz comenta que não sabia se estava ao lado do bem ou do mal, quando exercia sua profissão e julgava as pessoas no tribunal. Temos até a contradição do que é supérfluo com o que é fraterno, como na cena do desfile de moda, enquanto todos olham para a modelo no palco, ela procura pelo juiz, seu amigo, no meio da platéia. Enquanto não o encontra, se sente sozinha. Quando ela o encontra no final, comenta que sente medo em relação ao que ocorre ao redor dela, e o juiz simplesmente segura a mão dela envolvida em suas duas mãos, e este gesto (sem necessidade de palavras) é o suficiente para que ela se acalme.
A cena final contém a ligação entre os três filmes, quando vemos os personagens principais de todos eles saindo da balsa, e por último surge a modelo, já ao lado do jovem juiz.
Consagrado internacionalmente após a trilogia, em 1995, Kieslowski abandonou as câmeras dizendo que estava achando tudo muito chato e preferia viver ao invés de fazer cinema. O irônico é que ele morreu logo depois, de enfarto, aos 55 anos, em março de 1996.

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Fontes:

http://www.screamyell.com.br/secoes/trilogia.html
http://clayton-melo.blogspot.com.br/2007/02/fraternidade-vermelha.html
http://cinemaeaminhapraia.com.br/2009/02/04/a-fraternidade-e-vermelha-trois-couleurs-rouge/

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Trilha (“A Perfect Getaway”)

Eu indico
A Trilha (EUA, 2009)

Cydney (Milla Jovovich) e Cliff (Steve Zahn) são um aventuroso casal que resolve comemorar a lua-de-mel fazendo trilhas pelas mais belas e remotas praias do Havaí. Caminhando nas selvagens e isoladas trilhas eles acreditam ter encontrado o paraíso. Entretanto, quando se deparam com um assustado grupo de turistas que informa sobre o assassinato de um casal em outra ilha eles passam a discutir um possível retorno para casa. Longe da civilização, todos aparentam ser uma ameaça e ninguém sabe em quem confiar. O paraíso se transforma em um verdadeiro inferno quando uma batalha pela sobrevivência tem início.

6 estranhos, 2 assassinos e 1 ilha paradisíaca:
Temos um enredo de suspense num cenário bacana, uma região remota do Havaí onde grupos fazem trilhas e acampam, buscando alcançar paraísos naturais. Mas este cenário entra em conflito com os anseios dos personagens, após receberem a notícia de que um casal foi assassinado recentemente numa região próxima e, com isto, existe o risco dos assassinos estarem por perto.
Steve Zhan e Milla Jovovich são o casal Cliff e Cydney, que vão passar a lua de mel fazendo uma trilha nessa região. Eles anseiam em alcançar um refúgio paradisíaco e perfeito (justificando o título original “A Perfect Getaway”). Só que o local em questão só pode ser alcançado por uma trilha e, assim, temos os riscos naturais como penhascos e correnteza, alinhados ao risco maior de se deparar com os assassinos no meio do caminho. Aqui temos uma questão interessante que é o casal entrando em discussão para decidir se vai continuar ou desistir, e a situação piora quando vão se deparando com outros casais no caminho e começam a cogitar se um deles é o assassino. A cada momento de decisão vemos o peso do ego humano e da vontade de ir até o fim, e por outro lado o medo e desconfiança em relação aos outros. Vamos acompanhando essa situação do ponto de vista do casal principal (Cliff e Cydney), mas em algum momento no meio da trama também passamos a ver o ponto de vista de um outro casal, o ex-soldado Nick e sua namorada Gina (Timothy Olyphant e Kiele Sanchez). A inversão de ponto de vista é interessante até para explicar as revelações que vão ocorrendo. Temos um terceiro casal que aparece mais esporadicamente, Cleo e Kale (Marley Shelton e Chris Hemsworth), e logo de cara as suspeitas do casal principal caem sobre eles. Inevitavelmente há uma convivência entre os casais e aí nos deparamos com uma certa paranóia entre eles, cada diálogo deixa um clima tenso pois todos estão desconfiando de todos, mas ninguém traz o assunto à tona, uma característica comum no relacionamento humano.
Fazendo uso de alguns clichês, mas sem exagerar e deixar com que a trama esfrie, podemos considerar este como uma exceção dentro de muitos filmes do mesmo gênero que não agradaram. Tinha grandes chances de ser comum e chato, mas achei que conseguiu surpreender, principalmente para quem for assistir sem muito compromisso ou expectativa. Na verdade é justamente quando começa a esfriar que o filme apresenta uma bela reviravolta. No início parece que a história vai seguir um padrão com final previsível, com pistas sendo mostradas quase o tempo todo. O filme abre possibilidade de diferentes conclusões, e para aqueles que gostam de imaginar como seria se a direção estivesse por sua própria conta, pode ou não gostar do resultado. O clima de suspense é ajudado pela interpretação dos atores, sem contar que as mulheres são lindas (principalmente Milla Jovovich). Gostei muito da atuação de Steve Zhan e Milla Jovovich, principalmente pelo fato de interpretarem os mocinhos e parecerem tão vulneráveis em meio a uma trama tão sórdida e misteriosa.
Temos espaço para momentos de ação e aventura, do tipo perseguição entre predador e presa. Nesses momentos nos resta torcer pelos inocentes... ou não. Interessante que em uma cena anterior temos também uma perseguição entre predador e presa, que é uma caçada feita a um animal, para fins de alimentação dos casais. Pode não ter sido de propósito, mas de uma certa forma uma cena complementa a outra, já que posteriormente temos uma caçada humana, seres da mesma espécie no papel de predador e presa.

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Fontes: 

http://www.cinema.com.br/filmes/a-trilha.html

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Distrito 9 (“District 9”)

Eu indico
Distrito 9 (EUA / Nova Zelândia / África do Sul, 2009)

Alguns anos atrás, os aliens fizeram seu primeiro contato com a Terra. Humanos esperavam que a raça fosse hostil e proporcionasse um ataque ao planeta. Ao invés disso, as criaturas acabam refugiadas numa favela na África do Sul, o Distrito 9. Mas ao expandirem o seu território, o governo começa a agir e contrata a MNU, uma empresa que tenta controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração.

D9:
Ao invés de revisitar a velha idéia do extraterrestre que invade a Terra e, mais precisamente, os Estados Unidos, aqui a nave-mãe alienígena paira sobre Johanesburgo, uma das maiores metrópoles da África do Sul, como o próprio protagonista conta no início do filme: “Para surpresa geral, a espaçonave não parou sobre Manhattan, Washington nem Chicago. Ela veio parar diretamente sobre Joanesburgo.”. Outra inusitada façanha foi passar boa parte do filme como um documentário, com a população local narrando as desventuras de ter 2 milhões de ETs como vizinhos. O resultado é um grande realismo nas cenas, mesmo com todas as criaturas aparecendo.  A pós-produção foi feita pela equipe de Peter Jackson com um orçamento de 30 milhões de dólares. O estreante diretor sul-africano Neill Blomkamp pretendia na verdade dirigir o filme de Halo – um famoso e premiado game de tiro em primeira pessoa lançado inicialmente em 2001 para o console Xbox. Quem conhece esse tipo de jogo vai perceber que no filme Distrito 9 existem algumas cenas bem ao estilo Halo, com armas sofisticadas, pessoas e criaturas explodindo.
Cenas de ação bem bacanas começam a surgir antes que o filme fique cansativo, já que na primeira metade são mostradas, em forma de pseudodocumentário, algumas entrevistas e a operação de transferência dos alienígenas do distrito nove, um campo de refugiados na cidade sul-africana, criado há 20 anos para abrigar os visitantes perdidos do espaço. Vamos acompanhando o personagem Wikus van de Merwe, que é o encarregado dessa operação; por sinal, muito bem interpretado pelo ator estreante Sharlto Copley, amigo de infância do diretor (ambos fizeram a direção e produção do curta de 2005 Alive in Joburg, que deu origem ao roteiro de Distrito 9). O estilo de pseudodocumentário com ficção passa a ser de ação com ficção, mesmo ainda mantendo momentos com depoimentos rápidos e o uso de câmeras de rua, visores de armas de longo alcance, noticiários, vídeo de câmeras de vigilância etc. A partir daí temos explosões, armas extraterrestres exóticas, fugas e cenas movimentadas que podem empolgar o público.
O filme foi indicado a quatro Oscar em 2010 (Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Edição). As indicações de melhor filme e roteiro adaptado são conseqüência principalmente do caráter de crítica ao preconceito e segregação social. O título e a premissa de District 9 foram inspiradas pelos acontecimentos que tiveram lugar no District Six, na Cidade do Cabo, durante o apartheid. Afinal, mostra os alienígenas pobres, favelados e em situação de miséria. Cartazes que proíbem a aproximação de alienígenas estão espalhados pela região, e as pessoas entrevistadas manifestam o seu repúdio pelas criaturas, batizadas pelo nome de “camarões”, justamente pelo fato deste animal estar bem abaixo na cadeia alimentar, além de ser conhecido por alimentar-se de lixo (uma comparação fiel à forma de tratamento que a população dá aos aliens). Existe toda uma crítica à imprensa, que é manipulada pela MNU e distorce os acontecimentos, quando mostra por exemplo uma imagem manipulada de Wikus com um alienígena e insinua que ele está infectado com uma exótica doença sexualmente transmissível e altamente contagiosa. A própria MNU acaba sendo desmascarada como uma fachada para experimentos ilegais com as criaturas, pois recebe imensos lucros para aprender a manipular as armas encontradas na nave-mãe ou fabricar armas que tenham como matéria-prima as defesas naturais dos alienígenas. Wikus acaba sendo um tipo de anti-herói que despreza seu inimigo e de repente se vê forçado a se colocar no lugar dele. Nada como fazer as pessoas provarem do próprio preconceito para que elas percebam como antes eram preconceituosas.

Marketing criativo:
Uma campanha de marketing do filme começou em 2008, na San Diego Comic-Con, enquanto o trailer surgiu em Julho de 2009. Em entrevista, o diretor Blomkamp afirmou que a idéia era fazer o público sentir, no começo, uma certa ojeriza pelos aliens, que eles parecessem insetos nojentos, mas, ao longo da história, criar uma empatia por eles. Houve toda uma pesada campanha publicitária em estilo realista, com cartazes espalhados por cidades americanas pedindo para denunciar aliens e mantê-los à distância; havia até um número para telefonar e uma secretária para atender e encaminhar a denúncia. O site abaixo explica o que acontece:
Apesar do tom sinistro de brincadeira, muitas das entrevistas vistas no filme são bem reais e falam de uma África do Sul que vai além da relação mais óbvia com o apartheid. Blomkamp entrevistou sul-africanos pobres sobre o que eles achavam dos "alienígenas ilegais" (similar a "imigrantes ilegais"). Como não sabiam do filme, os entrevistados soltavam o verbo contra os zimbabuanos que passaram a imigrar em massa para a África do Sul nos últimos dez anos, fugidos da ditadura de Robert Mugabe e povoando as favelas do país vizinho. Nada melhor do que passar a história na áfrica, representando a guerra entre duas raças. O filme também abre espaço para os grupos de direitos humanos, que chegam a defender os aliens contra os abusos por parte dos “mercenários” da MNU.