Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

[ESPECIAL] 1 ano de blog


Neste mês de outubro de 2012 o meu blog faz 1 ano. Fico contente em ter cumprido a meta pessoal de postar 3 filmes por mês, não somente indicando, mas também pesquisando bastante para fazer uma postagem com conteúdo, incluindo - da forma mais clara que consegui - a minha visão sobre cada filme. Como pode-se perceber, avalio com duas categorias: filmes que gostei (recebem o selo da mãozinha “Eu Indico”) e filmes que gostei demais (recebe o selo da taça “Favoritos”). É um trabalho gratificante.

Tive a oportunidade de assistir ao filme "La vida útil - Um conto de cinema" (Uruguai, 2010), em uma de minhas salas de cinema preferidas (o Cine Vivo, no Shopping Paseo Itaigara). Dirigido por Federico Veiroj, o filme mostra um empregado da Cinemateca de Montevideo que se vê obrigado a reajustar sua vida depois de 25 anos trabalhando no lugar. Me chamou atenção uma cena onde o diretor da Cinemateca, em uma entrevista de rádio, faz um discurso sobre a formação do espectador. Acredito que ver  a esta cena foi o meu presente de 1 ano de blog e, reproduzo aqui, toda a fala do personagem Martínez:

“Vejamos... as pessoas acreditam que, quem sabe de cinema, é alguém que é capaz de recitar de memória a carreira, a trajetória de um ator, um diretor, um produtor. Se confunde nesses casos a erudição, o dicionário com os conteúdos. É provável que sim, que seja importante saber a trajetória dos grandes autores cinematográficos, mas não como um exercício de memória... ou de dados supérfluos. Essa é a primeira coisa que, me parece, há que distinguir. O cinema não é uma coleção de figurinhas, não é uma coleção de dados. O dado tende a ocultar a realidade. O dado é, em definitivo, consolidar, cristalizar uma informação e nada mais. É mais difícil de compreender como se produz o enriquecimento do espectador. Produz-se com certeza através do acesso e do assistir a obras cinematográficas, obras criativas. Mas como se explicam as ressonâncias sobre um espectador? Não sei como chamá-lo... se um espectador formado (não creio que seja esse exatamente o termo)... um espectador alerta... e sensível. Sei lá... Vejamos então "Alexander Nevsky", filme de Sergei Eisenstein com música de Sergei Prokofiev: o que há aí é um exercício que aparentemente é frio e formal, onde as tomadas não têm movimento de câmera e parece haver movimento, e onde há seis ou sete linhas melódicas, que correspondem à música de Shostakovich, de Prokofiev, e a relação entre a composição de cada imagem, a tal ponto que, se sobrepormos a partitura e os movimentos da partitura e as imagens alinhadas, uma atrás da outra, o movimento das imagens são coincidentes. Isto para que? Isto para explicar como e porque se constitui o sentido esmagador que tem toda essa sequência sobre o espectador. Está explicado aí. Mas quando entram os pífanos, por exemplo, aí o que há é uma relação de quem são os que estão nesse momento ocupando a imagem e a atenção do espectador. Sublinham e elevam essa atenção. Tudo isso não é perceptível a uma primeira vista, como não é perceptível a uma primeira vista toda a estrutura do "Cidadão Kane", de Orson Welles. Tampouco é erudição tudo isso, senão simplesmente chamar a atenção sobre certas coisas que são a estrutura e a forma da própria obra cinematográfica, como há em um romance, em uma obra plástica, em uma composição musical. Basicamente é isso. Ou seja, um filme não é o contar um argumento, não é o argumento senão o que ele motiva. Determinadas expressões cinematográficas que são as que, em definitivo, comovem ou não ao espectador.”

sábado, 20 de outubro de 2012

O Campeão de Hitler (“Max Schmeling”)

Eu indico
O Campeão de Hitler (Alemanha / Croácia, 2010)

A história real sobre o boxeador alemão Max Schmeling, tendo um dos focos principais a sua luta contra o norte-americano Joe Louis durante a Segunda Guerra Mundial - confronto considerado um dos maiores de todos os tempos na história do boxe.

Campeão de boxe e herói de guerra:
Inspirado pela história real do boxeador alemão Max Schmeling, o cineasta Uwe Boll dirige um filme que conta a vida de um herói verdadeiro em tempos de guerra. Um bom filme sob dois aspectos: boxe e guerra. Max Schmeling (Henry Maske) foi um alemão que se tornou um boxeador famoso, por ter um ótimo histórico de vitórias, muita fama e por ter casado com a bela atriz tcheca Anny Ondra (Suzanne Wuest). Em 1936, época de tensão entre a sociedade ocidental e os ideais nazistas, o foco mundial era a guerra, mas para Max Schmeling era o boxe. Sua fama coincidiu com a época da ascensão de Hitler ao poder, e com isto uma luta de boxe que deveria ser algo puramente profissional, acaba gerando demasiada atenção tanto para a Alemanha, quanto para os EUA; uma luta clássica entre Max e o norte-americano Joe Louis, que acaba naturalmente colocando em jogo o orgulho dos dois países. Para a Alemanha (para Hitler), seria uma humilhação o seu campeão ser derrotado por um boxeador americano e, ainda por cima, negro. A situação fica tensa para o espectador, considerando que acompanhamos o ponto de vista do campeão alemão, e ainda por cima o americano Joe Louis encontra-se num ótimo momento de sua carreira, com seguidas vitórias por nocaute.
Max Schmeling foi contrário à causa de Hitler, e ainda por cima não abandonou seu empresário e amigo judeu, Joe Jacobs. Vemos o conflito pessoal e o peso da responsabilidade por ser considerado um “símbolo” e ser forçado a cooperar com o líder do país para melhorar a imagem da Alemanha perante o resto do mundo. Seguimos a jornada deste campeão, não somente pelas vitórias (até porque ele sofre suas derrotas), mas também por mostrar sua honra e respeito pelos oponentes, sua fidelidade à esposa (mesmo criticado por ela ser tcheca e, não, uma alemã) e ao amigo judeu, sua coragem e fibra (cito aqui uma frase dita por ele para a esposa, quando descobrem que ele foi convocado para a guerra: “Calma, Anny. Eu nunca fugi de nada. E não vou começar agora”). Além de participar da guerra, como um castigo da Alemanha por conta de uma de suas derrotas e de sua compaixão pelos judeus, vemos mais uma demonstração de seu caráter quando tem piedade de seu oponente, e acaba sendo admirado por ele. Em sua jornada, acaba aproveitando sua fama de boxeador campeão e salva muitas vidas em seu país, principalmente de judeus, onde decidiu ficar e lutar contra o regime.
Achei interessante uma técnica usada repetidas vezes no filme, que consistiu em exibir filmagens reais da guerra na Alemanha, que aos poucos se transformam em início de cenas no filme. No final, achei as informações bem ricas e detalhadas, sobre o destino dos vários personagens, na vida real. Max Schmeling encerrou sua carreira com um total de 70 lutas, 56 vitórias, 40 vitórias por nocaute, 10 derrotas e 4 empates.

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Fontes:
http://www.ultracine.com.br/filme/o-campeao-de-hitler
http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Schmeling

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fantasia

Eu indico
Fantasia (EUA, 1940)

Inspirado por músicas clássicas de geniais compositores como Bach, Schubert, Tchaikovski, Stravinski,  Ponchielli e Beethoven, entre outros, e regida pela Orquestra de Filadélfia, sob a batuta de Leopold Stokowski, a Walt Disney criou oito episódios em desenho animado para compor o filme Fantasia.

Orquestra em forma de animação:
Imagine o encontro da música clássica com a animação. Produzido pela Walt Disney Pictures em 1940, Fantasia é seu terceiro filme de animação e consiste de oito segmentos animados acompanhados, cada um, de músicas clássicas conduzidas pelo maestro Leopold Stokowski, sete deles apresentados pela Orquestra de Filadélfia. Forma bacana de tentar tornar a música clássica comum a todos.
Como se já não bastasse simplesmente ouvir músicas maravilhosas, também podemos assistir a curtas animados que acompanham cada música, tendo uma estreita relação com o significado de cada uma delas, além da sincronia do som com as imagens. O compositor musical e crítico americano Deems Taylor introduz cada episódio, nos trazendo informações sobre o que cada músico queria passar. Em um deles, por exemplo, temos a reconstituição da pré-história, com dinossauros dominando o planeta e sucumbindo a um único inimigo capaz de vencê-los: a própria natureza. Em outro, temos a divertida situação de um aprendiz de feiticeiro (Mickey Mouse) que desencadeia uma situação onde não consegue mais retomar o controle.
Considerando a época em que foi feito (anos 40), os episódios possuem um alto padrão de qualidade em imagem e som. O resultado é quase que uma homenagem à trilha sonora, como se esta fosse um personagem. Um marco do cinema de animação.
Fantasia também é um dos mais sombrios filmes já produzidos pela Disney, já que explora o nudismo, a violência e a morte nos "curtas" do longa. A música FantasMic, do álbum Wishmaster, da banda finlandesa Nightwish tem uma parte inspirada neste filme.
A trilha sonora de Fantasia foi gravada utilizando múltiplos canais de áudio e reproduzidos no sistema Fantasound, uma maneira pioneira de reprodução de som que fez do longa o primeiro filme comercial lançado com som estéreo. Isso obrigava que os cinemas tivessem um custo maior para exibir o longa, devido ao alto valor destes equipamentos. Esse fator, junto com o fechamento do mercado europeu devido à Segunda Guerra Mundial, fez com que o filme fosse um fracasso de bilheteria e quase levou a Walt Disney a falência.

Resumo de cada episódio - SPOILER:
- Tocata e Fuga em Ré Menor, BWV 565: de Johann Sebastian Bach; pela primeira vez, Disney e seus artistas se arriscaram no mundo da abstração e a equipe de efeitos especiais teve a chance de colocar todo o seu talento na tela;
- Suíte Quebra-Nozes: de Tchaikovsky; é o segmento onde os artistas tomaram um caminho diferente da tradicional história envolvendo brinquedos, fazendo sua própria interpretação da música e mostrando um número que simboliza as estações do ano, através de fadas aladas e outros elementos da natureza, como flores e peixes bailarinos, cogumelos chineses e cravos russos;
- O Aprendiz de Feiticeiro: de Paul Dukas; apresenta Mickey Mouse no papel do feiticeiro afobado que quer aprender seu ofício antes da hora. Para isso, ele rouba o chapéu mágico de seu mestre Yen-Sid (que é “Disney” escrito ao contrário) e dá vida a várias vassouras para encher o caldeirão de água e, como resultado de sua teimosia, cria algo que nem ele mesmo sabe controlar;
- Sagração da Primavera: de Igor Stravinsky (em relação às composições usadas no filme, este era o único músico vivo na época); é como uma explicação científica da evolução da vida na Terra, desde os primeiros seres microscópicos aos gigantescos dinossauros.
- Sinfonia Pastoral: de Beethoven; tem como cenário o Monte Olimpo e o elenco de personagens é composto de figuras fantasiosas como cavalos alados que cortam o céu, sátiros que saltam pelos campos, cupidos, centauros e suas namoradas. Este segmento do filme causou muita polêmica ao mostrar centauros e cupidos nus e também uma centaura negra;
- Dança das Horas: de Amilcare Ponchielli; apresenta uma sátira ao balé clássico e representa as horas do dia por um grupo de animais, como avestruzes, hipopótamos, elefantes e jacarés;
- Uma Noite no Monte Calvo: de Modest Mussorgsky; é ilustrado pelo demônio Chernabog que vive no alto de uma montanha, e que na noite de Halloween vem atormentar as almas de um vilarejo;
- Ave Maria: de Franz Schubert; o segmento apresenta uma procissão religiosa que segue até uma capela gótica.

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fantasia_%28Disney%29
http://www.disneymania.com.br/fantasia-uma-historia/
http://www.65anosdecinema.pro.br/1587-FANTASIA_%281940%29

sábado, 6 de outubro de 2012

Dredd

Eu indico
Dredd (Reino Unido / Índia / EUA , 2012)

120 anos no futuro, Joe Dredd (Urban) é o mais temido da elite de juízes nas ruas de Mega City One, onde acumula os cargos de polícia, juiz, júri e executor (quando necessário). Dredd é o mais temido pelos bandidos e mais respeitado entre os juízes, que mantêm a ordem na megalópole Mega City One.

Policial, juiz, júri e executor  – “I am the law”:
O longa-metragem, dirigido por Pete Travis, é considerado bem fiel ao gibi Juiz Dredd, criado no Reino Unido por John Wagner e Carlos Ezquerra. O personagem apareceu pela primeira vez em 1977, na revista "2000 AD". O filme tem um clima pesado, cenários de um futurismo mais acabado, ruas não muito agradáveis e população pobre e entregue aos estragos da criminalidade e drogas. A fotografia ajuda neste sentido, deixando os cenários com cores interessantes, lembrando provavelmente os cenários da HQ. A censura de 18 anos para o filme faz jus à ultraviolência que já é uma forte característica do gibi. O personagem e seu estilo de lidar com as situações – com suas frases formadas - deixa uma forte marca e se confronta bem com as gangues de Mega City One (que nos quadrinhos espelhavam a variedade de bandos da juventude britânica nos anos 70 e 80), sem cair no erro de parecer imitação de outras obras.
O ator Karl Urban ficou muito bem no papel do juiz, mesmo considerando que nós espectadores enxergamos somente uma parte do rosto dele e nada mais (da ponta do nariz até o pescoço). Percebemos a personalidade forte do personagem, que em algumas cenas assusta por ter um autocontrole de dar inveja, quase parecendo não ser um humano. O que Dredd decide tem que ser assim e pronto, não há arrependimento, dúvida e nem erro, nem existe aflição antes de tomar uma decisão. Ele é curto e grosso, só fala o estritamente necessário para a situação e age sob seus princípios ferrenhos, embasados na rígida lei. Personagem bem interessante e que ficou bem destacado nessa adaptação. Provavelmente um filme para alegrar – e muito – os fãs. Tão bem trabalhado que, em uma das cenas onde Dredd sente dor, quase que não dá para acreditar, depois de termos nos acostumados com seu comportamento sem demonstrar reações esperadas mediante as situações. E fica evidente o empenho em manter suas atribuições perante a lei e a justiça, quando não aceita que outros juízes se vendam.
Algumas cenas de ação ficaram legais no sentido de estarmos vendo as coisas do ponto de vista dos bandidos (como na cena sob o efeito da droga Slo-Mo, central à trama do filme, que faz seus usuários enxergarem a realidade com uma fração da velocidade normal - por isso o nome "câmera lenta"). Muito interessante os diferentes tipos de arma que Dredd carrega o tempo todo, inclusive sua pistola que muda o tipo de munição (fogo, tiro silencioso, tiro perfurante...) mediante o comando de sua voz (a tecnologia do reconhecimento de voz) e a sua moto que possui uma gravação que é usada para orientar a população ao redor a fim de minimizar possíveis vítimas. Temos espaço também para personagens com poderes paranormais, tendo até uma cena de batalha mental. A maior parte da ação é fechada e praticamente em tempo real, num prédio sofisticado para batalha, que é uma espécie de favela vertical. Situação bem desvantajosa para os protagonistas, e mesmo assim Dredd mantém seu equilíbrio mental, inclusive seguindo a regra de testar a sua parceira novata; é interessante que vamos percebendo o contraste do comportamento do juiz em relação ao comportamento da novata (ela, inicialmente, hesita e fica um pouco nervosa com a situação toda, e ele se mantém controlado).
O que não dá pra negar é que Dredd, produção britânica de orçamento modesto e execução competente, foi fiel ao material original e passou a sua mensagem. No universo de Judge Dredd, a extrema violência presente na acabada cidade futurista Mega City One levou à criação dos Juízes. Num futuro caótico onde qualquer falha pode permitir que a criminalidade domine a cidade, o implacável juiz cumpre um papel fundamental, se sustentando nas suas habilidades de combate e no seu forte controle emocional.

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Juiz_Dredd
http://omelete.uol.com.br/comic-con/cinema/dredd-critica/

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Vingador do Futuro (“Total Recall”)

Eu indico
Total Recall (EUA, 1990 ou 2012?)

Para um operário de fábrica como Douglas Quaid, embora tenha uma bela e amada esposa, a viagem pela mente soa como as férias perfeitas de sua rotina frustrante - memórias reais de uma vida como super-espião podem ser o que ele realmente precisa. Mas quando uma operação dá errado, Quaid se torna um homem caçado. Perseguido pela polícia - controlada pelo Chanceler Cohaagen, líder do mundo livre - Quaid se alia a uma rebelde para encontrar o líder da resistência do submundo e derrotar Cohaagen. A linha entre a realidade e a fantasia se torna cada vez mais fina, e o equilíbrio de seu mundo está em risco, à medida que Quaid descobre sua identidade, seu amor e seu verdadeiro destino.

Comparação:
O diretor Len Wiseman viveu o grande desafio em dirigir um remake de um dos maiores filmes de ficção científica, O Vingador do Futuro (1990), que por sinal foi baseado no livro "We Can Remember It for You Wholesale", do escritor Phillip K. Dick. Talvez o ideal seja não tentar comparar ambos, e simplesmente aproveitar as grandes cenas de ação deste remake, algumas bem criativas e originais, assim como os efeitos visuais potentes, que são elementos importantes neste gênero.
O enredo é bacana, já aproveitando o do original. A ficção científica tenta projetar como será o futuro e daí os filmes do gênero aproveitam toda a criatividade que o ser humano pode ter. Neste caso, o filme se torna bem interessante pela abordagem dos sonhos, e da possibilidade de viver experiências através de memórias implantadas. O futuro do planeta passa a ser projetado com um certo pessimismo, já começando pela vida do personagem principal (seja Colin Farrell agora, ou Arnold Schwarzenegger no filme anterior) que pode parecer boa – a começar pela companhia de Sharon Stone ou Kate Beckinsale como esposa – mas mesmo assim, o protagonista sente que falta algo mais, falta algum sentido à sua vida. Apesar de toda tecnologia ao extremo, temos uma boa parte da população com uma qualidade de vida baixa. O filme provoca uma reflexão sobre a opressão, trazendo a necessidade de um movimento de resistência na busca pela liberdade. Neste filme de 2012, a Colônia sofre com a pobreza e a superpopulação, e ainda com a opressão da Federação, que obriga os trabalhadores da Colônia a usarem um meio de transporte chamado “A Queda” – uma espécie de elevador que cruza o centro da terra – todos os dias para sua jornada de trabalho. Daí este movimento de resistência que é formado pela Colônia com o objetivo de conseguir direitos iguais. O uso da Queda simboliza claramente essa questão da opressão e desigualdade, focando a disputa por territórios em um planeta devastado por uma guerra química. Mas na questão de enredo eu dou um valor maior ao filme original, principalmente pelos elementos alienígenas, com aqueles marcianos estranhos (mutantes e telepatas), que deu toda uma atmosfera psicodélica e foram usados no filme para demonstrar a questão de domínio sobre os mais fracos (a população marciana), já que o império monopoliza o ar necessário para a sobrevivência das criaturas.
Pelas cenas de ação, ambos possuem alguns créditos, mas neste ponto eu fico com o atual. Como exemplo, uma das primeiras cenas é uma perseguição alucinante, e temos uma tomada de câmera que vi pela primeira vez em games como Prince of Persia (2010), onde a câmera fica bem afastada dos personagens e vemos a ação como se tivéssemos em outro local, bem afastado, tendo assim também uma boa visão das áreas ao redor (que, neste caso, é uma favela do futuro). Além disso, cenas de ação com elevadores que também se deslocam na horizontal e cenas em ambiente com baixa gravidade ficaram bem originais e divertidas de assistir. No filme original, alguns destaques neste quesito são: a arma que permite criar um holograma de si mesmo e uma cena de ação numa máquina de raios x, onde vemos somente os esqueletos dos personagens em movimento.
Quanto aos atores, é difícil não escolher Schwarzenegger, ícone do cinema de ação, e que traz uma interpretação com um pouco de humor, já sendo grandalhão e trazendo o seu sotaque carregado e seu carisma. O Colin Farrell faz um papel mais focado, se mostrando aflito com a situação que passa, dando assim um maior realismo. Por um lado, prefiro que tenham sido mesmo bem diferentes, senão perderia a graça. Quanto aos demais, gostei mais da Kate Beckinsale representando uma personagem neurótica - e bem mais insana e experiente na briga - do que a Sharon Stone.
Acredito que exista um mérito no fato do remake ter sido diferente, mas mantendo também muitas referências ao original. Se fosse uma mera repetição, não surpreenderia aqueles que já conhecem o anterior.

Sutileza nas referências – SPOILER PARA OS DOIS FILMES:
Muitas referências são feitas ao filme original, aqui seguem alguns exemplos:
- A cena do “aeroporto” de Marte do antigo (o disfarce é diferente, mas o desenrolar da cena é igual);
- A famosa frase “2 semanas!” (o tempo dos implantes de memória da Rekall);
- A vontade do protagonista de ir à Marte;
- A "prostituta dos três peitos" do original foi mantida, talvez como uma homenagem aos fãs do filme de 1990;
- A forma do personagem concluir de que ele estava na realidade, e não num sonho projetado pela Rekall: no filme antigo, ele percebe o suor no rosto de outro personagem, enquanto neste novo ele vê a lágrima nos olhos de uma pessoa;
- Ambos os personagem se aproveitam de seu conhecimento, relativo à experiência profissional, para sair de situações de perigo em cenas de ação. No antigo, Schwarzenegger usa uma ferramenta, parecida com uma brocadeira, para perfurar um cano de combustível de uma máquina que iria esmagá-lo (detalhe que ele trabalhava perfurando pedras). Já Farrell ganha uma briga com um robô porque sabe como desmontar o circuito que o mantém funcionando. Interessante que essas experiências são da personalidade que foi implantada no personagem, antes dele se redescobrir sendo um agente.
Segue um vídeo que mostra algumas cenas de cada um dos filmes, ao mesmo tempo, como forma comparativa:

domingo, 16 de setembro de 2012

Willow - Na Terra da Magia (“Willow”)

Eu indico
Willow (EUA, 1988)

Willow Ufgood é um anão e aprendiz de mágico que conta com a ajuda de Madmartigan, um exímio espadachim, numa guerra contra feiticeiros e monstros. Juntos eles terão de vencer todos esses seres para salvar um bebê (que mais tarde será princesa) das mãos de uma terrível rainha, Bavmorda. Bavmorda usa de magia negra para controlar o reino e teme a criança, pois uma profecia diz que será o motivo de sua derrota.

Na Terra da Magia:
Dirigido por Ron Howard e roteirizado por George Lucas e Bob Dollman. Ver este filme nos dias de hoje dá uma sensação de nostalgia. Para quem não conhece, é uma boa oportunidade de ver um bom filme de aventura, apresentando uma terra mágica habitada por diferentes seres, tais como anões, feiticeiros, bruxas, fadas, criaturas pequeninas, trolls etc. Nada muito incomum, mas agrada pelas cenas de batalha e perseguição, com pitadas de comédia garantidas pela dupla de seres pequeninos e atrapalhados, mas que tentam ajudar a qualquer custo, sendo interpretados por Kevin Pollak e Rick Overton.
Tendo direito a monstro de duas cabeças, feitiços, batalha entre bruxas, lutas de espada, magias que fazem objetos ter vida, fuga na neve, etc., o filme é uma grande jornada e pode ter inspirado os produtores de O Senhor dos Anéis, assim como os produtores de O Hobbit, principalmente pelo início do filme, logo após retratar de forma interessante a aldeia dos anões, quando os pequeninos têm que fazer uma jornada para proteger a princesa (ainda bebê).
Um grande trabalho foi feito em relação aos efeitos visuais e som, rendendo duas indicações ao Oscar (Efeitos Especiais e Edição de Som). Também me chamou muita atenção a trilha de James Horner, com uma música bem agradável e que pode ficar na cabeça. Para quem se interessa, segue o link para ouvir:

Os protagonistas formam uma dupla incomum. Warwick Davis interpreta o anão Willow e Val Kilmer interpreta o guerreiro Madmartigan, este último garantindo as melhores cenas de ação. Entre altos e baixos eles acabam se unindo contra as forças malignas deste universo, conseguindo aliados pelo caminho, tendo assim muitos elementos dos jogos de RPG estilo medieval e fantasia.
Interessante ter um anão como protagonista. O ator Warwick Davis havia antes atuado no filme Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi (1983), sendo ele um grande fã dos filmes de Star Wars. Ele interpretou um Wicket, por isso não chegamos ainda a ver o seu rosto nas telas... até que foi selecionado para Willow. Após este, novamente o ator apareceu em personagens onde não é tão fácil identificá-lo: retornou ao universo de Star Wars, jogando 3 papéis diferentes em Star Wars Episódio I, sendo um deles o Yoda em cenas onde Yoda estava andando. Fez o professor Filius Flitwick nos filmes de Harry Potter e estrelou a versão cinematográfica de O Guia do Mochileiro das Galáxias, como o "corpo" de Marvin the Paranoid Android (mesmo a voz do personagem ter sido fornecido por Alan Rickman, que também participou dos filmes Harry Potter, como Professor Snape). Sua altura favorece a escolha para estes tipos de papéis, mas claro que não podemos deixar de citá-lo como um bom ator.

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Warwick_Davis

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Super Nada

Eu indico
Super Nada (Brasil, 2012)

São Paulo. Guto (Marat Descartes) é um artista de rua e aspirante a ator que sonha em um dia ser reconhecido pelo seu trabalho. Dedicado, ele pratica, se prepara e participa de todas as audições que pode, na espera de que um dia a sorte chegue. Ele admira Zeca (Jair Rodrigues), um comediante que trabalha na TV e é idolatrado por muita gente, apesar de estar com a carreira decadente. Os dois se encontram por acaso. O que será que o destino reserva para eles?

O super e o nada, o ator e o personagem:
Como é dito pelo personagem Zeca: “Não tá fácil pra ninguém”, a realidade de muitos atores pode não ser o que a maioria pensa. Neste filme, o personagem principal Guto, luta para sobreviver em São Paulo, mesmo com seu talento para atuação, com foco na comédia, e de todos os seus esforços. Guto faz o que de fato gosta, ele é apaixonado pela arte, pela comédia. Seu quarto é cheio de posters de comediantes brasileiros, como o Golias e o Zeca (do programa Super Nada, inventado para a compor a narrativa). Sua vida não é fácil, ele chega a fazer bico atuando nas ruas, às vezes em sinais de trânsito e em teatros que não parecem bem valorizados.
Super Nada é um programa que mostra situações cômicas, estrelado pelo Zeca, surpreendentemente bem interpretado pelo Jair Rodrigues. Quando Guto é chamado para um teste do programa "Super Nada", ele enxerga uma pequena chance de mudar seu rumo e entra em estado de satisfação por poder participar de um programa do qual é grande fã. E a partir daí o encontro dos dois atores vai permear a trajetória do filme e trazer conseqüências inesperadas. Juntos numa atuação bem sinérgica, eles agradam ao espectador, ao mesmo tempo em que nos confunde, considerando que são atores interpretando atores, em alguns momentos precisam interpretar a improvisação, e como estamos do lado de cá da telona, não sabemos o quanto de fato houve improviso nas cenas e o quanto foi encenação do improviso... Fantástico.
O roteiro satiriza um pouco a decadência da comédia brasileira, quando vemos no programa Super Nada um monte de bordões e piadas sem sentido (e sem graça ou criatividade). Vemos o mundo dos pequenos artistas, às vezes numa condição marginal. A situação é retratada com realismo e criatividade. O melhor de tudo, como alguns críticos já disseram, é que passa todas essas idéias sem caminhar no sentido da expectativa do público. Surpreende. Reflete sobre a arte e o envelhecimento dos artistas, ao mesmo tempo em que mexe com o ego humano de cada um.
Super Nada foi exibido no segundo dia do 40º Festival de Cinema de Gramado, na categoria de longa-metragem nacional. A excelente atuação de Marat Descartes garantiu ao mesmo o prêmio de melhor ator. O diretor, Rubens Rewald, ao ser entrevistado no final do evento, informou que o ator conseguiu ser, ao mesmo tempo, o tudo e o nada no filme, ajudando fortemente no resultado da obra. No filme, percebemos inclusive como a influência de questões emocionais pode influir na atuação de um artista, em algumas cenas onde o Guto está em conflito e não consegue fazer uma boa interpretação de cena. E daí fica mais difícil impulsionar a carreira e dar algum sentido à sua vida, além de precisar se sustentar, tendo que ser obrigado a ter ajuda financeira da mãe, que também fica cuidando da filha do personagem. Ego, humilhação, humanidade, temos tudo isso no personagem muito bem interpretado pelo Marat. O próprio personagem se surpreende ao conhecer melhor o Zeca, o Super Nada (ator no estilo malandro suburbano que conquista pela espontaneidade), quando ouve do mesmo a autoavaliação realista de que trata-se de um ator velho, de um programa decadente e sem graça.

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2012-08-12/jair-rodrigues-rouba-a-cena-de-super-nada.html