Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ender's Game - O Jogo do Exterminador (EUA, 2013)

Eu indico
Enders Game (EUA, 2013)

Em um futuro próximo, após uma guerra contra extra-terrestres, o respeitado coronel Graff (Harrison Ford) e as forças militares terrestres treinam as crianças mais talentosas do planeta, no intuito de prepará-las para um próximo ataque. Ender Wiggin (Asa Butterfield), um garoto tímido e brilhante, é selecionado para fazer parte da elite. Na Escola da Guerra, ele aprende rapidamente a controlar as técnicas de combate, por causa de seu formidável senso de estratégia. Com isso, torna-se a principal esperança das forças militares para encerrar de uma vez por todas com a ameaça alienígena. Dirigido por Gavin Hood.

A arte da guerra:
Entre as grandes produções cinematográficas futuristas e no gênero ficção científica, dos últimos dois anos, este filme pode ser considerado uma das melhores. Em sua grande maioria, os filmes de ficção – bastante priorizados na produção americana – têm sido adaptações de livros cultuados e, também por isso, despertado o interesse dos espectadores. Só em 2013, conferimos o segundo filme da franquia “Jogos Vorazes”, os excelentes "Além da Escuridão - Star Trek" e “Gravidade”, "Oblivion", “Depois da Terra”, “Crículo de Fogo”, “A Hospedeira”, assim como a recente trilogia “Divergente”. Podem não ser as melhores adaptações dos livros, mas no mínimo mostram claramente sua mensagem e sua crítica, ou seja, vão além dos efeitos e das cenas de aventura.
O fato de “Ender's Game - O Jogo do Exterminador” ser ou não uma adaptação fiel ao livro escrito em 1985 por Orson Scott Card é algo que não posso julgar, pois não li (ainda) a obra. Entretanto, algumas características do filme são bem interessantes, como o estilo de aventura diferenciado: crianças controlando drones à distância por um console e todo um cunho estratégico das batalhas. Existe uma explicação embasada para escolherem crianças e todo um treinamento militar futurista para selecionar o time que vai para a frente de batalha. Melhor ainda, são os dilemas morais enfrentados pelo menino Ender Wiggin e a forma como ele lida e se transforma diante disso. A comparação com as guerras já ocorridas no mundo real é inevitável, e o filme deixa uma grande lição e uma forma diferente de pensar.
Na trama - mais uma ideia criativa do que pode ser um futuro próximo - uma raça alienígena chegou à Terra em 2086 e fez com que os governos preparassem uma espécie de academia militar que fica em órbita, para treinar futuros comandantes da Frota Internacional para combater o próximo confronto com os aliens. Acompanhamos o treinamento e as etapas de promoção dos futuros guerreiros, como podemos ver em outros filmes citados aqui. Existe uma aproximação entre os videogames e a realidade que já foi tratada em outros filmes como “Jogos de Guerra” (1983), “O Último Guerreiro das Estrelas” (1984), “Tron” (1982) e “Tron: Legacy (2010)”.
O livro “O Jogo do exterminador” tornou-se leitura sugerida de algumas organizações militares, incluindo a Marinha dos Estados Unidos, uma prática semelhante ao famoso “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, que também contém elementos de estratégia que podemos associar a este filme. Ganhou dois prêmios de melhor romance e teve as seguintes sequências: “Orador dos Mortos”, “Xenocídio”, “Os Filhos da Mente” e “Ender in Exile”, mostrando viagens subsequentes de Ender para muitos mundos diferentes na galáxia. Também foi adaptado em duas séries de quadrinhos.

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Fontes:

terça-feira, 22 de abril de 2014

Helter Skelter (EUA, 2004)

Eu indico
Helter Skelter (EUA, 2004)

O filme mostra a história real dos assassinatos cometidos por Charles Manson (Jeremy Davies) e seu grupo de seguidores, no final dos anos 60. Linda Kasabian (Clea DuVall) é uma jovem mãe que, fugindo com seu bebê, encontra Manson, um carismático aspirante a músico que viaja com um grupo de amigos os quais chama de “família”. O grupo sobrevive de pequenos furtos enquanto seus membros praticam sexo grupal, usam drogas e discutem sobre sua filosofia apocalíptica. Dirigido por John Gray.

Charles Manson – SPOILER PARA QUEM NÃO CONHECE O CARA:
Para quem gosta de ver filmes baseados em fatos reais que traçam bem o perfil de um personagem incomum, juntamente com cenas fortes e violentas, assim como algumas cenas de tribunal, essa é uma boa opção. Trata-se da história real de um dos piores psicopatas dos EUA, o famoso Charles Manson, sua confusa e atípica personalidade em evidência com a interpretação excelente de Jeremy Davies (provavelmente seu melhor papel até agora). Extremamente manipulador, inteligente (de uma certa forma), perverso e com capacidade de liderança e carisma, ele levou seus seguidores fiéis a cometer assassinatos brutais. Com frases como: “Nenhum sentido faz sentido”, se identificando como o próprio Jesus Cristo, fundou uma família, clã ou seita, com características hippies, conseguiu chocar o mundo com assassinatos que caíram facilmente na mídia. O conhecido caso de assassinato da atriz e esposa do diretor Roman Polanki, ficou bem focado no filme, e parece ter sido escolhido por Manson como uma oportunidade de mostrar sua filosofia. A bela atriz Sharon Tate estava grávida na época.
O roteiro foi baseado no livro de Vincent Bugliosi, que foi o promotor do caso, e também serviu como fonte para uma produção de 1976, centrada nas investigações que levaram Charles Manson para julgamento. As cenas dos crimes são vistas algumas vezes, cenas bem fortes, e o foco na pessoa de Manson e no seu julgamento são os pontos chave do filme. Vemos a dificuldade do promotor em comprovar a culpa de Manson nos crimes, já que este não executou diretamente os crimes.
Talvez por não conseguir uma carreira no mundo da música, como fica evidente nas primeiras cenas, Manson resolve liderar seu grupo para uma série de assassinatos bizarros e, assim, mostrar sua filosofia, que ele chamou de movimento “Helter Skelter”, acreditando que uma guerra entre brancos e negros iria acontecer, em razão dos assassinatos cometidos por sua "família". Helter Skelter é nome de uma música dos Beatles, lançado no disco White Album (1968) e o termo é muito conhecido nos EUA. Os Beatles foram interpretados por Mason como os quatro cavaleiros do Apocalipse que são mencionados na Bíblia.

Nós éramos os cavaleiros, Helter Skelter era a mensagem, e ele achou que podia sair e matar todos por aí.”
(Paul McCartney)

"Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa guerra com ninguém. Não significa que eles irão matar outras pessoas. Apenas significa o que significa. Helter Skelter é confusão. Confusão está vindo rápido. Se você não vê que a confusão está vindo rápido, chame do que quiser. Não é minha conspiração, não é minha música. Eu escuto o que relato. Ela diz, ‘Apareça!’ ela diz, ‘Mate!’ Porque me culpar? Eu não escrevi a música. Eu não fui a pessoa que projetou isso na consciência das pessoas."
(Charles Manson)

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Vidas ao Vento (“Kaze Tachinu”, Japão, 2014)

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Kaze Tachinu (Japão, 2014)

Jiro Horikoshi vive em uma cidade no interior do Japão. Um dia, ele tem o sonho de estar voando em um avião com formato de pássaro. A partir desse sonho, ele decide que construir um avião e colocá-lo no ar é a meta da sua vida. Durante a busca pelo seu sonho ele conhece Naoko, uma jovem encantadora por quem se apaixona. No entanto, Naoko fica profundamente doente, sem saber se sobreviverá. Dirigido por Hayao Miyazaki.

Le Vent se Lève - COM ALGUNS SPOILERS "AO VENTO":
Nesta animação madura e romântica, o diretor segue uma narrativa diferente em relação aos seus filmes anteriores, não lidando com o quesito fantasia; pelo contrário, trata-se de uma cinebiografia - muito bem contada - em forma de animação, mostrando a vida de Jirô Horikoshi, um visionário designer de aviões no Japão, que criou o chamado “Zero” (Mitsubishi A6M Zero), um modelo que a marinha acabou usando como máquina de guerra. Bastante delicado e, ao mesmo tempo, chocante, o filme mostra um lado que muitas vezes não enxergamos, de pessoas que influenciaram na guerra, mas tinham intenções completamente diferentes. O Japão já estava em guerra com a China e acabou ao lado dos Alemães na Segunda Guerra, sendo assim um país muito julgado, assim como a figura de Jirô Horikoshi, que foi de fato o criador do modelo que foi usado pelos Kamikazes para destruir a base naval americana Pearl Harbor. O filme tenta humanizar personagens reais. Desde garoto, Jirô admira o lendário designer italiano Caproni, criador do modelo que se tornou conhecido como Ghibli (palavra líbia que designa o vento do deserto, e que virou o nome da empresa produtora de Miyazaki), tentando então realizar seu sonho de criar algo belo e útil, mesmo se atormentando com a tendência da marinha em utilizar seus aviões como armas de guerra. Isso fica claro quando ele explica que o peso das armas vai influenciar negativamente no projeto, e mostra sua vontade - junto com Caproni – de criar um meio de transporte útil, para o máximo de pessoas possíveis.
Ao mesmo tempo, ele conhece o amor de sua vida, garantindo muitas cenas singelas e românticas. A forma como Jirô e Naoko se conhecem e se reencontram, anos mais tarde, é simplesmente poética e apaixonante. Mas junto com isso vem a doença da garota, que sofre de tuberculose e tenta a cura num hospital na montanha. Os aviões matam assim como a doença, o corpo da amada sofre junto com a alma do designer, que precisa conviver com a expectativa de perda de sua amada, junto com as atrocidades da guerra. O romance “The Wind Has Risen” (1937), de Hori Tatsuo, que se passa em um sanatório para tuberculosos em Nagano, no Japão, serviu de base para contar o relacionamento de Jirô e Naoko. São muitas inspirações para o filme, inclusive o próprio Miyazaki, quando garoto, viu a mãe morrer de tuberculose. Ele tinha parentesco com pequenos industriais ligados à aeronáutica e os aviões foram sua primeira paixão.
É um desenho para adultos por se tratar de um tema sério, mas também para crianças que precisam amadurecer, inclusive trazendo conhecimentos da história do Japão e da história mundial no contexto da segunda grande guerra. O grande terremoto que devastou Tóquio em 1923, por exemplo, pode ser contemplado no filme. Outros detalhes, como a inspiração que o designer usou para criar o formato do avião (uma espinha de peixe), assim como as metáforas que usam o vento o tempo todo, permeiam a trama. O título em francês, “Le Vent se Lève”, vem de um poema de Paul Valéry e a citação completa é feita em francês mesmo, pelo protagonista e sua amada: “Le vent se lève, il faut tenter de vivre” (O vento se ergue, é preciso tentar viver). Esta é a grande lição do filme, já que junto com a criatividade e inteligência humanas, vem a lamentação com a nossa capacidade de usar a ciência para destruição, de maneira que devemos estar cientes, mas também saber seguir em frente com nossas vidas.
Também precisamos destacar a parte técnica e artística, já que as cores, profundidade, desenho das cidades, aviões, trens e todo o cenário são impecáveis. Junto com efeitos sonoros e uma trilha musical predominante, tudo se complementa com facilidade. A trilha é de Joe Hisaishi, que trabalhou com o diretor em “Princesa Mononoke” e “A Viagem de Chihiro”.
É essencial conferir este filme de animação do diretor e desenhista japonês Hayao Miyazaki, que anunciou sua aposentadoria para o cinema recentemente (esta pode ser a sua última contribuição para a sétima arte). É comum este diretor receber prêmios no Japão de melhor filme de animação: “A Viagem de Chihiro” (2001) levou a estatueta do Oscar e, em 2004, “O Castelo Animado”, minha animação preferida, foi indicado. Normalmente lidando com o desenho na sua forma tradicional, sem uso de muitos efeitos especiais, suas animações possuem tanto a parte da arte impecável, quando uma bela e profunda dramatização, sempre com uma crítica ou mensagem, deixando este diretor como um dos mais famosos no gênero. Mesmo humanizando um personagem que criou aviões que foram usados para devastar, não impediu que o filme “Vidas ao Vento” recebesse uma indicação como melhor animação neste Oscar mais recente. Talvez a mensagem tenha sido compreendida, a mensagem de paz (também tratada na animação “O Castelo Animado”), seja a paz mundial, seja a paz de espírito. O vento se ergue, é preciso tentar viver.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Tolerância (Brasil, 2000)

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Tolerância (Brasil, 2000)

Júlio e Márcia são um casal que se permite viver possíveis atividades extraconjugais. Ele é seduzido pela amiga de sua filha enquanto passavam um fim de semana na sua casa de campo. Ao mesmo tempo, sua esposa, uma advogada sempre fiel, envolve-se com um cliente e confessa isso a Júlio. Dirigido por Carlos Gerbase.

Surpresa nacional:
O diretor gaúcho Carlos Gerbase pertenceu à Casa de Cinema de Porto Alegre, a empresa que contém nomes como Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, entre outros cineastas brasileiros importantes. Em 2011, juntamente com Luciana Tomasi, criou a produtora Prana Filmes. É também professor de cinema na PUCRS, escritor e músico, tendo sido membro da banda Replicantes. Com um roteiro inteligente e criativo, o diretor nos presenteia com esta ótima produção nacional.
No filme, o casal de protagonistas é interpretado por Roberto Bontempo e Maitê Proença, ambos excelentes em suas atuações, sendo que o primeiro levou o Prêmio Lente de Cristal de Melhor Ator, no Festival do Cinema Brasileiro de Miami, EUA. Maitê Proença não fica para trás e, obviamente, está linda.
Existem três boas características neste filme. Uma delas é a forma como tratou a temática de relacionamento flexível, onde o casal se permite, em algum momento, ter outras relações. A regra é não mentir, mas claro que isso pode gerar consequências na relação e, neste caso, situações interessantes e surpreendentes. Pitadas de sensualidade e sedução se misturam a esse aspecto principal do filme pois, apesar de sua vida normal, em família, o casal tende a praticar esse “acordo” de alguma forma.
O segundo ponto que chama a atenção é a vertente do suspense, pois se trata de uma trama bem elaborada, com reviravoltas e um final bem criativo, no nível de alguns dos melhores filmes com gênero suspense ou policial americanos.
E o terceiro é a abordagem de temas diversos e interessantes, que servem como uma trama paralela, como a questão agrária que envolve a advogada e seu cliente, assim como os conflitos vividos pelo casal de protagonistas: ela, uma advogada que acabou cedendo à realidade e agindo de forma a convencer o júri e ganhar a causa de qualquer forma, mesmo tendo sido uma ativista quando jovem; ele, jornalista, acabou tendo que trabalhar numa revista para homens, vivendo em contato visual com imagens de corpos nus femininos, sendo que na década de 70 sonhava em fazer imagens que mudariam o mundo. A realidade, o nascimento da filha e o mundo mudou tudo.
Júlio (Roberto Bontempo) confessa para a esposa Márcia (Maitê Proença) que gostaria de ir para a cama com uma mulher que conheceu. Ele se comunica com ela pela Internet e o processo de sedução chega a um ponto intolerável. A esposa, cansada de mentir no tribunal, deseja ser sincera em casa e confessa que foi para a cama com outro homem, um cliente dela. Cada um terá que exercitar a sua tolerância, principalmente quando Júlio começa a ser seduzido pela amiga da filha. A garota é nova e bonita e ele a deseja muito. A partir disso a trama vai mostrar as mudanças na vida dos personagens e a tolerância de cada um será testada.

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terça-feira, 25 de março de 2014

Tabu (“Towelhead”, EUA, 2007)

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Towelhead (EUA, 2007)

Jasira, uma garota de 13 anos, vive com sua mãe americana e o futuro padrasto, que está encantado com a crescente maturidade da garota. Por isso, sua mãe a envia para o Texas com seu rígido pai Libanês. Este trata de educá-la nos valores tradicionais da cultura muçulmana. Entretanto, Jasira segue sem saber muito bem o que fazer com sua sexualidade quando nota como seu corpo afeta os homens que a rodeiam, em especial seu vizinho (Aaron Eckhart), um atraente e intolerante soldado da marinha. Um filme de Alan Ball. 

Sedução, inocência e entrega:
Baseado no romance de Alicia Erian, provavelmente tão provocante quanto o filme, é uma história bem interessante sobre uma garota nova e bonita que vai viver situações de conflito e descobertas, afetando também as pessoas ao seu redor. Nunca sabemos que atitude a mesma vai tomar e isso deve deixar o espectador vidrado na trama, pois a curiosidade causada pelo tema sexualidade e sedução é quase sempre forte. Ficamos na expectativa de o quanto a garota é inocente e o quanto ela não o é. E isso se passa também com outros personagens, praticamente todos não parecem ser bons, mas também não tão ruins.
Alan Ball, vencedor do Oscar pelo roteiro de Beleza Americana (1999), toma a frente do filme com competência nos três aspectos: direção, roteiro e produção. A trama começa mostrando que a garota Jasira (Summer Bishil) chama a atenção do namorado de sua mãe, que comenta sobre depilação com a garota. Sua mãe reage de uma forma intrigante, culpando a garota e dizendo que ela anda demais com os seios empinados. A menina passa a viver na casa do pai, no Texas. Muitas situações interessantes ocorrem no filme, como a garota se masturbando ao olhar uma revista com mulheres peladas, assim como sua atenção em relação ao vizinho adulto e atraente, interpretado por Aaron Eckhart, protagonista de Obrigado por Fumar (2005) e vilão (Duas Caras) de Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), um excelente ator por sinal, que está mais uma vez muito bem no seu papel. Alguns diálogos entre o dois são bem bacanas e mostram situações que devem ser mais comuns do que podem parecer, a primeira vista. A garota parece ter curiosidade, repulsa, pena e atração por ele, tudo ao mesmo tempo, o que é mais um ponto forte do filme: a forma como suas ações mostram cada um desses sentimentos transparecendo e como reação a outros acontecimentos e pressões. Uma cena interessante é quando a garota, não sentindo prazer no ato sexual com o namorado, mostra sua insatisfação e este acaba usando somente a mão, gerando um forte prazer nela; é intrigante, pois foi o vizinho adulto que tirou a virgindade da garota, com a mão, contra a vontade dela (caracterizando um estupro, mais uma temática abordada no filme).
Quanto aos outros personagens, como o pai exagerado e controlador, os colegas que a perturbam por conta de sua descendência e até sua vizinha grávida (Toni Collette) e cuidadosa para com ela, vão influir, positiva ou negativamente, nos acontecimentos. Até um namorado que a garota arranja, negro e por isso não apreciado pelo pai dela, terá o seu papel bem encaixado na história. E outros acontecimentos, como a Guerra do Golfo, que se passa na época do filme, exercem influência nas ações dos personagens. Para mostrar o despertar sexual de uma adolescente de 13 anos, e abordar outros temas fortes sem perder o contexto, tem que ter ousadia, cuidado e maturidade.

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quarta-feira, 19 de março de 2014

Inverno da Alma (“Winter's Bone”, EUA, 2010)

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Winter's Bone (EUA, 2010)

Ree Dolly (Jennifer Lawrence), uma garota de 17 anos, vai em busca de seu pai desaparecido, para não perder a casa que fora dada por ele como garantia de liberdade condicional. Ao mesmo tempo em que terá que proteger sua família do despejo, ela se verá obrigada a enfrentar ameaças e desafios para descobrir a verdade sobre o seu pai. Escrito e dirigido por Debra Granik.

A frieza intensa:
Jennifer Lawrence parece estar no auge de sua carreira. No Oscar e no Globo e Ouro de 2013 venceu o prêmio de melhor atriz por O Lado Bom da Vida (“Silver Linings Playbook”) e recebeu mais uma indicação por sua atuação, neste ano de 2014, em Trapaça (“American Hustle”), no qual recebeu o Globo de Ouro. Também é a estrela da franquia “Jogos Vorazes”, na qual adquiriu muitos fãs. Mesmo assim, antes de tudo isso, veio Inverno da Alma, com sua primeira indicação como melhor atriz. Apesar de ter sido ofuscada pelo papel de Natalie Portman em Cisne Negro, na cerimônia e na mídia, a atuação de Jennifer Lawrence neste filme é excepcional.
Baseado na obra de Daniel Woodrell, de 2006, o filme recebeu quatro indicações ao Oscar 2011, inclusive melhor roteiro adaptado e melhor atriz. A trama é misteriosa e densa, onde uma adolescente, que cuida de seus dois irmãos pequenos, precisa encontrar o seu pai, procurado pela polícia, para impedir que a justiça tome a sua casa. Cada personagem vai cumprir seu papel no mistério, compartilhando a tristeza e a miséria preponderantes daquela pequena região, junto com todo o frio perceptível. Quase que podemos ser afetados pelo intenso frio sentido por eles.
A câmera tem tomadas bem focadas na personagem principal que, graças à atuação de Jennifer Lawrence, nos passa todos os sentimentos vividos e suportados por ela, até as variações destes. Até o sotaque dela combina com o universo habitado. Através de sua empreitada, sempre se mostrando persistente, todo o comportamento das pessoas ao redor é exposto, numa região onde todo mundo se conhece - ou é parente –, mostrando com ênfase que, diante da pressão, todos podem ser inimigos, mesmo que seja na atitude de frieza diante do problema alheio. A fotografia de Michael McDonough e o clímax bem interessante da trama são outras características que tornam este filme uma boa indicação.

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terça-feira, 18 de março de 2014

O Mágico (“L'illusionniste”, França, 2010)

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L'illusionniste (França, 2010)

Animação que conta a história de um mágico-ilusionista dos anos 50, que luta para manter sua carreira, pois nessa época começam a despontar os shows de rock e o mágico acaba perdendo seu público para os roqueiros. Dirigido por Sylvain Chomet.

Animação francesa:
O diretor francês Sylvain Chomet é mais conhecido pela animação “As bicicletas de Belleville” (2011), indicada ao Oscar, mas existe também este maravilhoso filme, que também recebeu uma indicação de melhor animação e acabou vencendo o prêmio de melhor filme de animação do Cinema Europeu de 2010. Extremamente sensível, mostrando a história de um mágico em decadência, com pouquíssimas falas, mas muito significado nos sons e imagens que expressam as ações e frustrações dos personagens, trata-se de uma bela animação para adultos.
O protagonista se chama Tatischeff, um mágico ilusionista veterano que, embora desajeitado e calado, possui os talentos de sua profissão. É um mágico em decadência na Paris de 1959, diante do estouro do rock’n’roll que vai tomando mais espaço nos gostos da população, do que a sua velha mágica. Junto com uma garota que ele encontra num vilarejo escocês, parte rumo a Edimburgo.
O tema (artistas em decadência) não é original, mas quando retratado de forma tão sutil numa animação francesa, é como se tivéssemos vendo algo novo. A cena onde o mágico se separa do coelho que ele usada em seus truques (como o conhecido truque da cartola), é bem significativa e o cenário desenhado é caprichado. O animal gordo e briguento exita por um momento, pois assim como seu dono ele está indo para um mundo novo e sem promessas.
A parte técnica da animação merece também seu crédito, feita com traços manuais e sem perder a qualidade, retratando bem os lugares e, junto com a falta de diálogo e uma trilha sonora melancólica, acompanha a história com coerência.
O roteiro foi do cineasta Jacques Tati, que já havia falecido em 1982, quase 30 anos antes deste filme. Como uma referência e homenagem ao cineasta, existe uma cena onde o mágico entra no cinema e está sendo exibido um filme de Tati.

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