Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Corte (França, 2016)

Eu indico
L'Hermine (França, 2016)

Michel Racine (Fabrice Luchini) é um juiz rígido e impiedoso, conhecido pela atitude extremamente profissional nos tribunais. Isso muda quando a jurada de um de seus casos é Ditte Lorensen-Cotteret (Sidse Babett Knudsen), uma mulher por quem foi perdidamente apaixonado muitos anos atrás, mas que o abandonou. Dirigido por Christian Vincent.

Tribunal:
Assisti poucos filmes que envolvem tribunal, julgamento pela lei. Me recordo de excelentes produções:
- 12 Homens e uma Sentença (1957, de Sidney Lumet);
- O Sol é Para Todos (“To Kill a Mockingbird”, 1962, de Robert Mulligan), neste blog:
- O Homem Que Fazia Chover (1997, de Francis Ford Coppola);
- Tudo o que Desejamos (França, 2011, de Philippe Lioret), também neste blog:
Agora, acrescento a essa pequena lista, o recente filme francês A Corte. O filme alterna entre cenas dentro e fora de um tribunal, e possui alguns aspectos cativantes. O primeiro deles é facilmente perceptível, que é o personagem principal em si, um juiz competente, que para nossa sorte foi interpretado esplendidamente pelo ator Fabrice Luchini, premiado então como melhor interpretação masculina no Festival de Veneza de 2015. O mesmo festival premiou este filme como melhor roteiro (do próprio diretor Christian Vincent).
É fácil acreditar, de cara, que este juiz possui somente uma personalidade rígida e postura firme, que são atributos importantes para o seu ofício. As pessoas comentam logo sobre ele, antes do julgamento começar, e não temos até então maiores informações. Todos têm medo dele, é um juiz casca grossa. Porém, é aos poucos que vamos percebendo o quanto ele é uma pessoa justa, que segue a lei e faz com que os seus assistentes a sigam. Como se já não bastasse encantar por isso, o filme em determinado momento vai mostrar uma pequena fragilidade do protagonista diante dos sentimentos que ele guarda por alguém, uma mulher por quem foi apaixonado (Sidse Babett Knudsen, que está linda e também ótima no filme). O destino faz com que eles se cruzem novamente, só que durante um julgamento. O envolvimento dos dois vai se desenrolando ao mesmo tempo em que o julgamento vai avançando, mas as coisas são bem sutis, existem pouquíssimos vestígios de sentimento entre eles e é interessante como isso não prejudica a andamento dos seus trabalhos. É importante ver como a postura e firmeza do juiz continuam presentes para que a lei seja aplicada corretamente.
Um julgamento, como o próprio nome diz, parte de suposições, observações e decisão, pois nem sempre a verdade será relevada e é necessário aplicar a sentença. Muito interessante presenciar esse drama principalmente do ponto de vista de um personagem inteligente, justo e humano. É um drama que nos apresenta a um tribunal, com seus elementos visíveis e seus bastidores, mas também possui aquela leve pitada de romance e humor. E tudo isso traça uma certa identidade na obra que a deixa cada vez mais realista e cada vez mais agradável. Um tribunal de justiça e o que ocorre fora dele nos é apresentado como uma corte, onde conduta e comportamento das pessoas estão sendo observados e julgados por outras com base no que se acredita ser o correto, a etiqueta. Vemos no tribunal as relações hierárquicas, as repetições obrigatórias, o tempo de cada um falar, como se dirigir ao advogado e ao juiz, a seleção dos jurados, etc. Mas o melhor de tudo é como se mantém a moralidade implacável do personagem principal e seus conflitos diante de tudo que ele está passando em sua vida pessoal.

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Fontes:

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers, 1985)

Eu indico
Explorers (EUA, 1985)

Tudo com o que Ben Crandall (Ethan Hawke) sempre sonhou torna-se real quando, com a ajuda de seus amigos Wolfgang Müller (River Phoenix) e Darren Woods (Jason Presson), além da sua imaginação, ele se lança na descoberta de uma nave espacial em seu laboratório. Os três jovens garotos vêem então cada vez mais próxima a oportunidade de fazer a viagem interplanetária que sempre desejaram. Dirigido por Joe Dante.

Filme anos 80:
Muita gente entende quando se fala que os filmes da década de 80 possuem um atmosfera especial. Recentemente isso foi resgatado com a série Stranger Things (2016), mas antes disso conferimos algumas produções feitas nessa nossa década atual e que lembram filmes da década de 80; um exemplo disso é Super 8 (2011, de J. J. Abrams com produção de Steven Spielberg).
Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers) foi um dos filmes que inspirou cenas de Stranger Things, então resolvi conferir o mesmo recentemente, pois não lembrava de tê-lo visto quando criança. De cara é interessante ver o grande ator Ethan Hawke estrelando um filme quando era uma criança. Este foi o seu primeiro filme e, quatro anos depois, ele participou de Sociedade dos Poetas Mortos (1989).
Apesar de não ser tão conhecido quanto os demais filmes que inspiraram a série supracitada, Explores é bem recomendado. Não só pela nostalgia, mas porquê os efeitos são legais e os personagens, carismáticos, o que vai de acordo com características dos filmes anos 80. Temos até uma cena divertida num cine drive in, muito popular na época. É uma aventura infantil que mexe com os nossos sonhos quando criança. E o filme vai melhorando com o passar das cenas, principalmente quando os garotos finalmente conseguem ter contato com uma raça extraterrestre que, acredite, será bem diferente do que estamos acostumados em outros filmes onde é estabelecido este tipo de contato. É irreverente, despretensioso, bem bacana e passa o seu recado à humanidade.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Enter the void (França, 2009)

Eu indico
Viagem alucinante (França, 2009)

Óscar é um traficante de drogas em Tóquio e sua irmão, Linda, trabalha numa boate como striper. Uma noite, Óscar é apanhado numa batida policial e acaba sendo baleado. À medida que morre, o seu espírito, fiel à promessa que fez à sua irmã enquanto criança - que nunca a iria deixar - recusa-se a deixar o mundo dos vivos e passa pelos vários estágios da morte, conforme descritos no "Livro Tibetano da Morte". Dirigido por Gaspar Noé.

A morte segundo Gaspar Noé:
Definitivamente, este não é um filme fácil. Para muitos, difícil de assistir; para outros, difícil de gostar. Tendo como referência Irreversível (2002), que já causou bastante polêmica, Gaspar Noé parece, acredito que intencionalmente, causar reações diversas nos espectadores que encaram seus filmes... ou tentam. Ele dirigiu poucos filmes, até então somente quatro, mas cada um deles causou fortes reações e a maioria recebeu indicações importantes em premiações internacionais. Gostei bastante do último, Love (2015), que também postei neste blog:
https://eueatelona.blogspot.com.br/2015/10/love-franca-2015.html
Assim como em “Irreversível”, este filme “Enter the void” possui uma fotografia, digamos, louca (original). Partir da estratégia de câmera em primeira pessoa não seria novidade alguma. A questão é que o personagem principal vai para o além logo no início do filme e aí o jogo de câmera fica bem original. Nos sentimos como uma alma penada em agonia, pois estamos do ponto de vista de uma pessoa que acaba de morrer. Sobre a morte, de acordo com o "Livro Tibetano da Morte", a explicação nos é dada logo no início do filme e essa teoria vai sendo mostrada na prática, só que de forma bem lenta. Muitas cenas parecem a transfiguração de uma mente alucinada, sob efeitos de drogas, ou como em um sonho. As imagens e o som são perfeitos para a proposta.
O título em português ficou Viagem Alucinante. De fato, é uma grande viagem metafisica que explora a vida após a morte, de uma forma bem depressiva, chegando a ser agonizante, mas de acordo com o livro tibetano. A alma de Óscar paira sobre aqueles que lhe são próximos e estão vivos, em alguns momentos ele passa por uma retrospectiva com o seu passado. A câmera é conduzida em planos vistos de cima para baixo. Parece que esse ambiente pós morte casa direitinho com a realidade de uma Tóquio bem decadente. Apesar de não ser um filme leve e para qualquer ocasião, a conclusão da trama não chega a ser triste, dependendo da apreciação do espectador. Enfim, recomendo encarar esse filme que possui longa duração, mas também é extremamente interessante.

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Fontes:

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Último Boy Scout (EUA, 1991)

Eu indico
The Last Boy Scout (EUA, 1991)

Los Angeles. Um ex-segurança presidencial, Joseph Cornelius "Joe" Hallenbeck (Bruce Willis), que já salvou a vida do chefe da nação, é agora um mero detetive particular. Ele é contratado por uma garota a pedido de seu parceiro e, logo depois, seu parceiro e a garota são assassinados. O namorado da garota, James Alexander "Jimmy" Dix (Damon Wayans), um ex-astro do futebol americano que foi expulso da liga por usar substâncias ilícitas, se une a Joe para investigar por qual motivo ela foi morta. Dirigido por Tony Scott.

Ninguém gosta de você. Todos te odeiam”

Bruce Willis e a ação hollywoodiana:
Bruce Willis é um dos melhores atores de ação do cinema. Principalmente no papel de policial, ele é imbatível. Todos temos como referência Duro de Matar, o primeiro, de 1988, que praticamente elevou os filmes de ação em ambiente fechado e introduziu John McClane como um dos melhores policiais fictícios. Mas este outro filme, O Último Boy Scout, mesmo seguindo as mesmas fórmulas de filmes do gênero, não teve o mesmo sucesso que o primeiro. E é por isso que eu recomendo conferir a este ótimo filme americano de ação da década de 90.
Há bastante semelhança entre John McClane e Joe Hallenbeck, personagem principal interpretado pelo próprio Bruce Willis. Ele é brincalhão, inclusive com os bandidos, possui raciocínio rápido para sair de situações complicadas, é duro de matar e possui um bom coração. A princípio, vemos Joe como um bêbado quase decadente, que não consegue agradar a esposa, nem a filha, aponto de ser traído pela esposa na própria casa (até com isso ele faz uma piada no filme). Mas logo diante de uma situação séria, ele mostra ser um grande herói, ele demonstra aquele verdadeiro espírito de escoteiro, tão raro hoje em dia inclusive em policiais da vida real. Daí o nome do filme, o último escoteiro (boy scout). Mas o que chama a atenção mesmo é a quantidade de porrada que ele leva, sangue que mancha seu rosto e camisa, mas ele sempre se levanta. É quase uma maldição para ele também no filme Duro de Matar (em todos os cinco filmes). Chega a ser divertido para o espectador.

Ninguém gosta de você. Todos te odeiam”

A proposta não deixa de ser uma desculpa para um filme de ação: um ex-agente alcoólatra e um ex-astro do futebol americano se unem para investigar o assassinato de uma stripper. Daí temos um pouco de desenvolvimento mostrando um grande esquema de corrupção entre a política e o futebol americano e os dois estão lá, no meio do fogo cruzado, tendo que sobreviver e salvar o dia. Do mesmo roteirista de Máquina Mortífera, Shane Black. É ação com tiros, brigas e uma boa dose de humor, uma combinação que Bruce Willis tira de letra na sua interpretação, principalmente quando usa suas frases de efeito.

Odeio essa porcaria funk”

Aproveitando, uma lista de outros filmes legais com Bruce Willis e suas indicações à premiação de melhor ator:
- Hudson Hawk - O Falcão Está à Solta (1991) é um filme criativo sobre roubos bem elaborados e contém sua dose de humor;
- A Morte Lhe Cai Bem (1992), comédia com um pouco de humor negro onde Willis foi indicado ao Saturn Award de melhor ator;
- Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994), todos conhecem, mas poucos sabem que a crítica elegeu a melhor atuação de Bruce Willis (indicado ao Chlotrudis Award de melhor ator coadjuvante), mas acabou sendo ofuscado por John Travolta e Samuel L. Jackson. Engraçado que Bruce Willis não concordou com a crítica e informou que a sua melhor atuação mesmo foi no filme Os Doze Macacos (1995), que eu concordo plenamente;
- Os Doze Macacos (1995) é uma ficção sensacional onde Bruce Willis teve sua melhor interpretação, inclusive de acordo com ele mesmo. Indicado ao Saturn Award de melhor ator. Preste atenção nele no filme e esqueça um pouco a atuação doida de Brad Pitt;
- O Quinto Elemento (1997) é outra ficção sensacional e dispensa comentários (somente o fato de que Milla Jovovich estava linda e perfeita no filme);
- Armagedom (1998), filme catástrofe onde ele teve mais uma indicação como melhor ator (Saturn Award);
- O Sexto Sentido (1999) já e um clássico do horror psicológico e um dos meus favoritos. Willis foi indicado mais uma vez ao Saturn Award;
- Vida Bandida (2001), filme agradável que quebra alguns paradigmas, tendo como parceiro o ótimo Billy Bob Thornton;
- 16 Quadras (2006), policial muito bom e mais realista, tendo um ótima atuação do David Morse;
- Red – Aposentados e Ainda Mais Perigosos (2013), a sequência do filme baseado na HQ de Warren Ellis e Cully Hamner, que era inédita no Brasil antes do filme ser lançado.


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Fontes:

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Desencanto (1945)

Eu indico
Brief Encounter (Reino Unido, 1945)

Laura (Celia Johnson) e Alec (Trevor Howard) se conhecem por acaso em uma estação de trem, quando ele remove um cisco do olho dela. Ele é médico, ela é dona de casa. Ambos são de classe média, têm meia-idade e são razoavelmente felizes em seus casamentos. Em pouco tempo passam a se encontrar todas as quintas-feiras, mas apenas como bons amigos. Gradativamente surge uma paixão mútua e eles continuam a se encontrar regularmente, apesar de saberem que este amor é impossível.

Desencanto:
Existem romances que vão além da relação perfeita, do amor incondicional e imortal entre um homem e uma mulher. Podem até lidar essa questão, porém apresentam algo a mais, muitas vezes questionando a nossa visão tradicional das relações. “Desencanto”, dirigido por um dos diretores que eu mais admiro, David Lean, é um filme bastante intimista, principalmente porquê é narrado por uma mulher, são os seus pensamentos de cada momento expostos ao expectador, de forma muito madura. Indicado ao Oscar de melhor diretor, roteiro e atriz (Celia Johnson).
Estamos diante de um romance proibido, porém tratado com muito cuidado, carinho e sinceridade pelo diretor David Lean, do ponto de vista da personagem de Celia Johnson. Baseado em uma curta peça teatral de trinta minutos, de Noel Coward, chamada "Still Life", a história nas telas ficou tão boa que é difícil de acreditar que, em 1945, um diretor conseguiu tal feito com um filme dramático e romântico indo além do seu tempo. Acabei lembrando de outro filme que encantou, As Pontes de Madison (1995), que assisti antes deste.
Laura, a protagonista que vai nos confessando o seu íntimo, vive uma relação extra conjugal, que a encanta, em seus breves encontros com Alex (aqui cabe o título original, “Breve Encontro”) ao mesmo tempo em que pesa, em seu íntimo, a culpa. Podemos perceber que Alec, o amante, também sente certo incômodo. Laura narra a história em flashbacks e presenciamos não somente os seus momentos de liberdade e satisfação nos encontros com Alec, mas principalmente a sua culpa e sofrimento pelo que está vivendo.
Fiquei contente em saber que este foi eleito o filme mais romântico de todos os tempos, segundo a revista britânica Time Out. Abaixo a lista para quem quiser conferir e garantir seus momentos, seja acompanhado ou não:
1. ‘Desencanto’ (1945), de David Lean
2. ‘Casablanca’ (1942), de Michael Curtiz
3. ‘Amor à flor da pele’ (2000), de Wong Kar Wai
4. ‘Noivo neurótico, noiva nervosa’ (1977), de Woody Allen
5. ‘Ensina-me a viver’ (1971), de Hal Ashby
6. ‘O segredo de Brokeback Mountain’ (2005), de Ang Lee
7. ‘Se meu apartamento falasse’ (1960), de Billy Wilder
8. ‘Neste mundo e no outro’ (1946), de Michael Powell e Emeric Pressburger
9. ‘Brilho eterno de uma mente sem lembranças’ (2004), de Michel Gondry
10. ‘Embriagado de amor’ (2004), de Paul Thomas Anderson

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Holy Motors (2012)

Eu indico
Holy Motors (França / Alemanha, 2012)

Oscar (Denis Lavant) transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai... Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Céline (Edith Scob). Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. Dirigido por Leos Carax.

Paris e o cinema:
A beleza do movimento... palavra essa, “movimento”, que deu origem ao nome “cinema” (do grego: κίνημα - kinema "movimento"). Esse filme representa o que é o cinema, através de várias cenas, suas facetas, seus gêneros e estilos (suspense, musical, ficção científica, drama, ação, etc). Tudo começa quando alguém acorda e passa por uma porta secreta vendo-se num filme. Esse alguém é interpretado pelo próprio diretor Leos Carax. A partir daí, ao longo de um dia, um homem, que é um ator, o Sr. Oscar, vai passar por Paris, desde os subterrâneos, parques, cemitérios, até o alto dos edifícios. A cada parada, o Sr. Oscar interpreta um papel diferente: um monstro nos esgotos nos remete a uma história do tipo a bela e a fera; em outro momento, um casal se reencontra no alto da velha loja de departamentos La Samaritaine (momento musical com Kylie Minogue), com o par de torres da Notre Dame ao fundo. A cada cena, Holy Motors homenageia Paris e o cinema.
Denis Lavant é o Sr. Oscar, ele está numa interpretação impecável, muito expressivo quando precisa e podado quando necessário. É um grande ator interpretando um grande ator em vários papéis. Genial! Cada interpretação é tão boa que fica até difícil caracterizar a pessoa em si, o Sr. Oscar, já que no momento seguinte ele está fazendo outro papel. A úncia forma é aproveitar os momentos de transição, quando ele conversa com Céline dentro da limusine, que o transporta de um local para outro. Talvez ele seja um ator brilhante, porém cansado de seu trabalho e de interpretar. Neste ponto talvez seja melhor olharmos para nós mesmos: somos cada vez mais atores nas nossas vidas. Seguimos uma fórmula como se fossemos máquinas e perdemos a própria identidade. Que bom que os filmes existem e nos permitem viver muitas vidas, como naquela frase que esqueci onde li e quem escreveu: “você não precisa ter experimentado de tudo na vida, mas sim ter visto os filmes certos”.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Águas rasas (2016)

Eu indico
The Shallows (EUA, 2016)

Nancy (Blake Lively) é uma jovem médica que está tendo de lidar com a recente perda da mãe. Seguindo uma dica sua, ela vai surfar em uma paradisíaca praia isolada, onde acaba sendo atacada por um enorme tubarão. Desesperada e ferida, ela consegue se proteger temporariamente em um recife de corais, mas precisa encontrar logo uma maneira de sair da água. Dirigido por Jaume Collet-Serra.

Blake Lively versus tubarão:
Podemo dizer que este filme foi uma grande surpresa. O trailer mostrou que se trata de uma premissa simples: quando é atacada por um tubarão branco e encurralada a poucos metros de distância da praia, Nancy precisa correr contra o tempo e usar tudo o que aprendeu para tentar sobreviver. Blake Lively está, na maior parte do tempo, sozinha no filme. Ou melhor, não está sozinha... o tubarão está lá implacável e insistente. Este animal, ao que parece, não é movido por sua fome, pois ele tem outros alimentos fáceis ali por perto. A questão parece ser psicológica, o orgulho ferido por não ter conseguido capturar sua vítima, uma simples garota sem armas, no primeiro ataque. O animal é imenso e insano a ponto de nos lembrar o do clássico Tubarão (1975), de Steven Spielberg. Alguns ataques chegam mesmo a lembrar do clássico.
A batalha entre os dois é o que garante nossa atenção o filme inteiro. O diretor Jaume Collet-Serra, responsável por outro grande filme - A Órfã (2009) - consegue criar várias situações interessantes dentro dessa simples proposta e num cenário pequeno. A personagem principal demostra raciocínio, conhecimento, inteligência e muita calma ao utilizar os objetos disponíveis, que são escassos, para se livrar de várias situações de perigo causadas pelo seu predador. Mas ela também é humana e, numa situação dessas, vai demostrar seus momentos de desespero e desamparo numa atuação memorável de Blake Lively. Não somente ela prova ser uma ótima atriz, como também se mostra uma beldade (sua beleza é alta) dentro de um paraíso natural (uma bela e pouco visitada praia no México). Só isso já seria uma desculpa para assistir ao filme. Sem contar que ela está quase o tempo todo de biquíni.
A cada momento, vamos nos surpreendendo com a criatividade da trama. A fotografia, muitas vezes alternando as cenas pela parte da superfície e por dentro d'água, junto com a qualidade do som (as ondas batendo nas pedras e na personagem) também soma ao resultado e ajuda a mostrar um realismo de dar um calafrio e, ao mesmo tempo, uma paz com aquele visual paradisíaco.
A nossa personagem, amante do surf, mostra que temos que fazer o que amamos, mesmo diante dos riscos. E que, muitas vezes, a ajuda não vai chegar e você, sozinho, terá que enfrentar o problema. Depois deste filme, quem tem medo de mar e tubarão vai ficar com mais medo ainda. Pelo menos aprendam a nadar!

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Fontes: