Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A Mão do Diabo (Frailty)

Eu indico
Frailty (EUA, 2002)

A história se passa numa cidadezinha do interior do Texas. Fenton Meeks (Matthew McConaughey), depois de ficar sabendo de uma série de assassinatos, vai até a delegacia e declara que sabe de coisas que podem resolver o caso do "Mãos de Deus", um serial killer que já matou 6 pessoas. Fenton diz que seu irmão Adam é o responsável pelas mortes e o xerife local vai ouvindo sua história, carregada de trágicos acontecimentos que marcaram a infância do garoto. Dirigido por Bill Paxton.

Fragilidade:
O título em português é um pouco tendencioso, pode parecer que estamos diante de um filme de horror, quando na verdade é um filme policial e suspense, uma história bem interessante sem apelar para brutalidades. O título original significa “fragilidade” e a escolha do título em português é estranha porque o caso investigado pela polícia, do assassino em série no filme, é chamado de “mãos de deus”.
O filme é um grande entretenimento, pois a história é muito boa, prende a atenção e possui algumas reviravoltas interessantes e inesperadas, além de manter a coerência. É aquele tipo de filme que pode deixar o espectador boquiaberto nas últimas cenas, onde os últimos 15 minutos são cheios de tensão e revelação.
Bill Paxton é um ator americano que já participou de vários filmes. Incrível que estreou na direção com este filme e o resultado foi muito bom. Soube criar uma atmosfera de suspense que vai aumentando, e ainda atua no filme como o pai dos garotos. As filmagens só duraram 37 dias e o roteiro de Brent Hanley contribuiu para o bom resultado.
Imagine que um pai (Paxton), depois de ter uma suposta visão de Deus, resolve seguir as ordens enviadas por um anjo e começa a matar pessoas que diz serem "demônios". Fenton, um dos dois filhos, fica horrorizado com as ações do pai e as coisas começam a se complicar. O fanatismo de seu pai, cada vez mais cego pela suposta "luz divina", se torna uma séria ameaça à sua vida e à de seu irmão, Adam. A partir daí, a história começa a se desenrolar de maneira cada vez mais trágica e obscura. Interessante a história do ponto de vista de um dos garotos, sendo que no presente ele está ajudando a polícia a desvendar o caso do assassino em série “mãos de deus”.
Nem precisou apelar para cenas pesadas, pois o que o espectador vê são alguns vultos e barulhos abafados de machadadas provocadas pelo alucinado personagem de Bill Paxton. Então o que fica de pesado é o suspense psicológico provocado pela situação em si.

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Fontes:

http://www.cinepop.com.br/criticas/maododiabo.htm

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Homem Invisível (The Invisible Man)

Eu indico
The Invisible Man (EUA, 1933)

Jack Griffin (Claude Rains) criou uma fórmula que o permitiu tornar-se invisível. Porém, enquanto busca o antídoto, os problemas começam a acontecer quando as pessoas da localidade descobrem sua natureza e forçam sua fuga. Enlouquecido e com a cabeça cheia de planos destrutivos, Jack torna-se uma grande ameaça e põe toda a polícia em seu encalço. Dirigido por James Whale.

Louco e invisível:
Do gênero ficção científica e terror, baseado no livro de H.G. Wells, com roteiro de R.S. Sherriff, este foi bem destacado entre os primeiros grandes filmes de ficção científica. Dirigido por James Whale, conhecido pelo seu trabalho em filmes de horror populares, como Frankenstein (1931), o Homem Invisível apresenta efeitos especiais fantásticos – principalmente considerando que é um filme de 1933 – e deu origem a várias sequências, além do fato de que seus efeitos inovadores foram praticamente imitados em outros filmes.
Os ótimos efeitos especiais foram de John P. Fulton, John J. Mescall e Frank D. Williams. Em algumas cenas foram usados fios para puxar as roupas de Claude Rains, em outras o ator usa um veludo negro em um fundo escuro. Um dublê substituiu Rains em algumas cenas. Para as cenas onde apenas o corpo aparece, sem a cabeça, foi usada uma máscara especialmente preparada, com o filme sendo tratado em laboratório para complementar o efeito.
O diretor escolheu Claude Rains para o papel principal e não poderia ter feito uma escolha mais certeira. A voz do ator é perfeita para um papel onde não o vemos praticamente o filme todo. Uma inesquecível atuação para um personagem bem caracterizado, com hábitos estranhos, humor instável, beirando a insanidade e com o rosto invisível e coberto de bandagens. Não tem como não atentarmos para a sua risada estridente e diabólica. Engraçado que inicialmente o Boris Karloff (ícone do terror, interpretou o Frankenstein em 1931) era o escolhido pelo Estúdio Universal para protagonizar o filme, e por questões de negociação salarial acabou ficando de fora, e ainda assim mais três atores foram considerados para o papel antes de Claude Rains.
O uso dos sons e do movimento dos objetos na interação com o personagem, a idéia de aproveitar a vantagem e roubar um banco, ou sabotar um trem, o uso pela polícia de cães farejadores, banho de tinta e da procura da fumaça que sai através da respiração de Jack Griffin no frio mostra toda a criatividade em cima da situação. Até o fato de só exibir o rosto do personagem na última cena é proposital.
O personagem Griffin durante o filme tenta achar o antídoto, mas parece que a mesma droga que o fez invisível, leva-o a comportamentos insanos e o mesmo além de cometer crimes, ambiciona a riqueza com sua descoberta, tencionando vender a fórmula para algum país, que a usaria para ter um exército invisível.
Em 2008, o livro de H.G. Wells foi selecionado para ser preservado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América.

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Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Homem_Invis%C3%ADvel_%28filme%29

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans)

Eu indico
Aurora (EUA, 1927)

Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele, arrependido, a segue para provar o seu amor. Dirigido por F. W. Murnau.

Despertar:
Em 1929 foi realizada a primeira cerimônia do Oscar. Existiam duas premiações para melhor filme, e Aurora levou como “Melhor Filme - Prod. Única e Artística”. Já disseram que este é o filme mais belo do mundo. F. W. Murnau, diretor conhecido no mundo do cinema expressionista alemão, dirigiu este que foi o seu primeiro filme em Hollywood. Pode-se dizer que é uma história de amor melodramática, um drama romântico, sendo considerado também o primeiro grande filme do Oscar, pois é o mais lembrado entre os filmes que participaram da primeira cerimônia.
A vida de um casal interiorano sofre uma drástica mudança quando tentada pelos prazeres da cidade. Diante de uma mulher urbana, o homem não resiste e ela torna-se a sua amante, e ela com seu egoísmo e interessada mais em dinheiro o convence a trair e matar a esposa. “Não poderia afogar-se?” é uma frase dita pela amante, que choca na tela, com direito a um efeito visual nas palavras que afundam no nada; um uso criativo deste efeito no diálogo escrito, já que o filme é mudo (todas as falas usem o velho letreiro na tela). A jovem esposa nada pode fazer além de implorar pela vida. E, surpreendentemente, o homem desiste do ato na última hora.
Este filme é de uma sensibilidade única. Como resgatar um amor depois de ter pensado e quase tentado assassinar a pessoa amada? O que parece acabado, destruído e impossível de reversão, é questionado e comprovado - o contrário - por Murnau. É um filme que inicialmente tende ao trágico, até mesmo ao sinistro, e logo depois se transforma magicamente em sensível, romântico e emocionante. A partir daí o casal vive uma noite como se fosse o seu primeiro e maravilhoso momento, tendo o espectador direito a algumas cenas de comédia e aventura, divertidas e que dão uma boa sensação de alívio em relação ao início da trama.
Sendo preto e branco, os contrastes de claro e escuro dão uma característica visual marcante ao filme, sendo isso uma herança do cinema alemão da década de 20. No campo, prevalece o uso do escuro, mas na cidade vem o claro, simbolizando essa contradição da consciência de um homem diante das tentações da cidade, que o influencia a romper com a moral e os valores religiosos. Nesse sentido, há um tom melancólico de despedida de uma época. A revolução industrial e o estabelecimento do capitalismo são postos no filme como agentes transformadores, elementos que agem no sentido de romper valores como honestidade, integridade e fidelidade.
Apesar do diálogo mudo, Aurora já contava com efeitos sonoros e Murnau fez bom proveito disso. O barulho dos sinos na Igreja é como um despertar do homem, que marca o seu profundo arrependimento; e da mulher que por amor ainda lhe dá mais uma chance. Sutil e simbólico, com uma música acompanhando o desenvolvimento da história, podemos nos apaixonar pelos personagens, que não possuem nome, justamente para universalizar todas as pessoas que podem estar na mesma situação. “Aurora” consegue um poder de concentração raro, até para quem não está costumado com filmes mudos (e em preto e branco). Existem reviravoltas surpreendentes no filme, e até um objeto que seria usado para uma finalidade acaba voltando em outra cena e se encaixando no novo contexto de forma inteligente, como um presente para os espectadores “despertos”.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Querido John (Dear John)

Eu indico
Querido John (EUA, 2010)

Dirigido por Lasse Hallström e baseado no romance de Nicholas Sparks, o filme conta a história de John Tyree (Channing Tatum), um jovem soldado que foi para casa durante uma licença e de Savannah Curtis (Amanda Seyfried), a jovem universitária idealista por quem ele se apaixona durante as férias de faculdade. Durante os próximos sete tumultuosos anos, o casal é separado pelas missões cada vez mais perigosas de John. Apesar de se encontrarem apenas esporadicamente, o casal mantém o contato por meio de uma enxurrada de cartas de amor. Umas dessas correspondências acaba por provocar uma situação indesejada.

Romance no filme e no livro:
Este filme deve ser assistido preferencialmente acompanhado, como uma boa parte dos filmes baseados nos livros de Nicholas Sparks, famoso autor de romances que costumam ser adaptados para o cinema. Nessa linha, indico também “Diário de uma Paixão” (2004), “Um Amor para Recordar” (2002) e “Noites de Tormenta” (2008). Querido John é um livro emocionante, mostra o significado do verdadeiro amor, explicitamente quando o personagem John, narrador da história, confessa: “Qual o real significado do verdadeiro amor? Finalmente compreendi o que o verdadeiro amor realmente significa. O amor significa pensar mais na felicidade da outra pessoa do que na própria, não importando quanto dolorosa seja sua escolha.”. O filme tem uma boa fidelidade à obra, embora tenhamos um final sutilmente modificado. Acredito que cada um dos dois tenha o seu mérito.
Além de um belo romance, a história explora também o drama familiar de John, em sua relação com o pai que sofre de um grau de autismo não muito perceptível. Por sinal, muito boa a interpretação do personagem do pai de John pelo ator Richard Jenkis. Um outro enfoque interessante da obra (e do filme) é a guerra, tendo explorado a recente batalha no Oriente Médio pelos Estados Unidos após os acontecimentos do 11 de Setembro. Navegando entre esses três aspectos, o resultado é, no mínimo, agradável, principalmente para o público jovem. Também existe o lado da vida altruísta de Savannah e suas escolhas, que influencia diretamente na reviravolta que a história toma. E o espectador tanto pode julgar a personagem, quanto se sensibilizar por ela e entender suas escolhas.
O casal tem uma mania que é uma espécie de marca na relação deles. No filme, percebe-se que eles usam a frase “Nos vemos em breve, então?” quando vão se despedir, e o outro confirma “Nos vemos em breve”; no livro, eles combinam olhar para a lua, quando estiverem distantes um do outro. Cada um desses dois aspectos será explorado e bem utilizado na história, resultando em uma cena (no filme) e uma passagem (no livro) marcante e emocionante. Como dito anteriormente, cada um tem o seu mérito, mesmo não sendo totalmente iguais.

“Mas a lua está cheia, o que me fez pensar em você.”

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Fontes: 

http://omelete.uol.com.br/cinema/critica-querido-john/

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Depois da Chuva (Ame agaru)

Eu indico
Depois da Chuva (Japão, 1999)

Misawa é um samurai que não consegue encontrar emprego, mas que é um gênio da arte de lutar. Ao lado de sua mulher, ele é obrigado a parar em uma pequena hospedaria por causa de uma enchente. Vendo as péssimas condições do local, ele parte em busca de alimento para o povo, logo despertando a desconfiança de sua mulher, que não gosta que ele lute por dinheiro. Mesmo sem a conduta real de um samurai, é contratado para treinar as tropas do feudo local, despertando a inveja dos outros lutadores.

Akira Kurosawa e os samurais:
Akira Kurosawa é a grande referência quando se trata de cineastas japoneses. Foi o introdutor do gênero samurai no cinema, mas também explorou diversos enredos. Dos seus filmes mais conhecidos e que tive a oportunidade de ver, recomendo "Ran" (1985), homenageado no Festival de Cinema de Cannes e considerado sua obra prima, "Sonhos" (1990), que reúne várias situações como lendas japonesas antigas e mitos do folclore oriental, e o clássico "Os Sete samurais" (1954). Tive que escolher um para a postagem e optei por este interessante filme "Depois da Chuva", seu último trabalho no cinema. Embora tenha feito somente o roteiro deste, o seu discípulo e fiel assistente de direção, Takashi Koizumi, concretizou a obra dirigindo o filme, logo após o falecimento de Kurosawa, como uma forma de homenagem ao mestre.
É um filme de samurai leve, contemplativo, poético e harmônico... assim como a chuva do título. A idéia é acompanhar a jornada de um Samurai, Misawa, na verdade um Ronin, pois não possui senhor algum para servir, já que seus empregos anteriores deram errado e vamos entender o porque. Possuindo grande habilidade na espada e na arte de lutar, além de uma bondade e humildade raras, ele acaba enfrentado o dilema de usar seus dons para boas causas, mesmo que isso fira o código do Samurai, de não lutar por dinheiro. Misawa e sua esposa estão de passagem, mas por conta da forte chuva eles ficam alojados em um tipo de pensão local, habitado por muitas pessoas pobres. Convivendo com eles, Misawa fica sensibilizado com a situação. Uma marca de Kurosawa é focar na injusta situação dos pobres.
O caráter do personagem é o que mais agrada no filme, pois ele não se apega a rituais, é livre e independente, mas também extremamente responsável, justo e defensor dos fracos, abrindo mão do próprio conforto. E sua verdadeira honra é conquistada ao alegrar os pobres e menos favorecidos no lugar onde ele está. O extremo valor dado à tradição dos Samurais acaba perdendo valor real para Misawa, e posteriormente a esposa também reconhece que vale a pena usar dons para boas causas.
“Dizem que a espada de um guerreiro é o seu espírito”. Simbologias são tratadas no filme, como a própria chuva, a travessia do rio e o símbolo da espada que representa o espírito do samurai. O som e o cenário trazem detalhes da natureza, as águas, bosques, rios e cachoeiras.
Para quem gosta de cenas de luta, temos uma bela cena onde o personagem fica cercado por 8 homens e, apesar de evitar, é obrigado a se defender do grupo todo. Muito interessante não vermos aquelas lutas inacreditáveis, com saltos e malabarismos, coreografadas e em câmera lenta e rápida; temos aqui o realismo de como uma luta de espadas provavelmente acontecia, onde o que conta é a habilidade, experiência e frieza, o controle emocional, o foco e a calma que ajudam nos reflexos do samurai. Também percebemos a importância do treino, em algumas cenas onde Misawa se dedicava a exercitar-se um pouco com a espada. Tudo é como uma frase no filme: “Nenhuma verdade a não ser os fatos”.

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Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Akira_Kurosawa
http://www.cineplayers.com/comentario.php?id=10581

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

As Sete Faces de Dr. Lao ("7 Faces of Dr. Lao")

Eu indico
As Sete Faces de Dr. Lao (EUA, 1964)

Um misterioso homem chinês chega montando em um burro na cidade de Abalone, no Arizona. De posse de um único objeto, um pequeno aquário ocupado por um peixe exótico, em apenas dois dias este homem vai mexer com a população da cidade, exibindo o seu circo mágico.

“O Circo do Dr. Lao é a própria vida, e tudo nele é uma maravilha”:
Com roteiro de Charles Beaumont, adaptação do romance de fantasia de 1935 “O Circo do Dr. Lao”, de Charles G. Finney, este foi o último filme dirigido pelo cineasta George Pal, conhecido pela direção do clássico "A Máquina do Tempo" (1960) e também pela produção de "A Guerra dos Mundos" (1953). Interessante e original, o espectador pode ficar maravilhado com este filme que mostra a presença ilustre de um exótico chinês numa pequena cidade americana e seus inebriantes efeitos que envolvem toda a população. Este andarilho misterioso exibe o seu circo na cidade que, na verdade, é uma estratégia para repassar seus ensinamentos e lições. Como ele mesmo diz para um garoto: “Minha especialidade, no entanto, é sabedoria.”.
Vi este filme pela terceira vez, e até hoje fico maravilhado com a história. Lao usa suas muitas faces para repassar sua sabedoria aos visitantes, que podem ou não dar atenção aos seus conselhos. Entre os conselhos do chinês existe, por exemplo, o valor que deve ser dado à simplicidade. O ator Tony Randall interpreta vários personagens, tais como o Mago Merlin, o vidente Apollonius de Tyana, a Medusa, Pan (um ser da mitologia grega) e o próprio visitante chinês Dr. Lao. Quase que não percebemos, mas ele também interpreta um dos membros da audiência.
Entre a população existem algumas personalidades interessantes, como uma mulher que se apega a sua auto-imagem de uma beleza jovem. Além dela, temos Angela (Barbara Eden), uma bibliotecária viúva que reprime suas emoções, o seu filho Mike carente de uma figura paterna e até o rico fazendeiro Clint Stark (Arthur O’Connell) que pretente comprar a cidade enquanto a terra é barata. Grande parte da população possui valores morais distorcidos, com exceção da bibliotecária e do repórter Ed Cunningham. Cada um deles será influenciado pelas faces do Dr. Lau, como por exemplo a Angela, que é despertada de sua repressão emocional pela música envolvente de Pan, assim como o rico fazendeiro Clint Stark, que enxerga a si mesmo na serpente gigante. Mas o que achei mais interessante foi o grande truque do mago Merlin, que aparentemente mostra a todos uma certa decadência por estar velho e um pouco senil (e até pelo fato de que a mágica se tornou obsoleta); o mago desfaz o feitiço da Medusa sobre uma velha senhora - que havia virado pedra - mas o efeito não é tão somente físico, pois Merlin restaura o corpo da mulher ao seu estado anterior, mas também renova o seu espírito.
O filme tem um visual fantástico, praticamente um clássico em efeitos stop motion (por Jim Danforth) que renderam uma indicação ao Oscar de Efeitos Especiais. Acabou ganhando um prêmio honorário (categoria que não existia) de melhor maquiagem, pelo trabalho de John Tuttle. Na história do Oscar, um outro filme levou um prêmio semelhante: "O Planeta dos macacos”, 4 anos depois. Também não posso deixar de mencionar e belíssima trilha sonora, com uma música que não sai da cabeça, uma melodia que parece uma mistura de velho oeste com um toque oriental.

"O mundo inteiro é um circo se você souber olhar para ele.
Como o sol se põe quando você está cansado e nasce quando você levanta.
Isso é mágica de verdade.
O modo como uma folha cresce.
O canto dos pássaros.
Como o deserto fica à noite, quando a luz da lua o envolve.
Oh, meu garoto... isto é circo bastante para qualquer um.
Sempre que você vê um arco-íris e seu coração se maravilha com isso.
Sempre que você pega um punhado de areia, e não vê areia, mas sim um mistério, uma maravilha em sua mão.
Toda vez que você pára e pensa: Estou vivo, e estar vivo é fantástico!
Sempre que algo assim acontece, você é parte do Circo do Dr. Lao"
Dr. Lao

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Fontes: 

http://porquever.blogspot.com.br/2009/05/as-7-faces-do-dr-lao-eua-1963.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/7_Faces_of_Dr._Lao

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Janela Secreta (“Secret Window”)

Eu indico
A Janela Secreta (EUA, 2004)

Mort Rainey (Johnny Depp) é um escritor em crise, que acaba de se separar de sua esposa (Maria Bello) após tê-la flagrado com outro homem. Mort decide se isolar em uma cabana à beira do lago Tashmore, em busca de tranquilidade. Porém lá aparece John Shooter (John Turturro), que começa a atormentá-lo ao acusá-lo seguidamente de plágio.

Algumas janelas não deveriam nunca ser abertas:
O escritor americano Stephen King é um dos autores de horror mais populares no mundo e muitas de suas histórias foram adaptadas para o cinema e televisão. Particularmente um dos melhores resultados foi um dos meus filmes favoritos: Um Sonho de Liberdade (“The Shawshank Redemption”, EUA, 1994), uma adaptação para as telas do conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”. A postagem deste filme vai ficar para um outro momento.
Aqui indico o filme “A Janela Secreta”, uma adaptação do conto “Janela Secreta, Jardim Secreto”, publicado em 1990 no livro “Depois da Meia-Noite” (Four Past Midnight). O diretor e roteirista David Koepp traz à tona um grande medo dos escritores - o qual Stephen King já explorou em muitas de suas histórias - o bloqueio criativo. Inclusive, costuma mexer com a situação de que o escritor aparece como um personagem de uma de suas histórias. Johnny Depp encara muito bem o papel principal (personagem com seus cabelos grandes, bagunçados, e que dorme horas no sofá de sua casa isolada e à beira de um lago), ajudando bastante no resultado e na tensão do filme, e também ficando bem acompanhado pela interpretação de John Turturro, que faz um tipo de caipira que aparece na vida de Mort acusando-o de ter plagiado uma de suas histórias. Envolvido num jogo mental de gato e rato, Rainey descobre ter mais astúcia e determinação do que jamais imaginou. E aos poucos vai percebendo que o evasivo Shooter talvez o conheça melhor do que ele próprio.
O filme é bem misterioso, um suspense psicológico, com vários detalhes não tão simples de perceber (levantei as informações no spoiler abaixo). O diretor David Koepp entrega um resultado bacana, com movimentos de câmera interessantes. Temos um final diferente do conto, mas que achei mais agradável, mas não menos sinistro.

Janela Secreta, Jardim Secreto – SPOILER:
Algumas curiosidades tanto do conto, quanto do filme:
- Um dos jogos legais acontece no início do filme, quando a câmera entra pelo espelho e vai até o personagem principal. É como se toda a história se passasse através de um espelho e isto seria a visão distorcida da realidade de Mort Rainey. A verdadeira “Janela Secreta” não é aquela da parede da casa e sim o espelho por onde assistimos todo o filme;
- Sobre o nome John Shooter: shooter soa como “shoot her” (atire nela) e é uma representação do desejo de Mort em relação à sua ex-mulher;
- Na cena em que o personagem de Johnny Depp empurra o veículo para dentro de um lago, o seu relógio fica dentro do veículo, abrindo assim uma margem para que ele seja identificado. Seria uma ponte para uma possível continuação do filme?
- No final do conto um policial encontra um papel no lixo, com um recado de John Shooter para Mort, deixando-nos realmente na dúvida se o cara era real ou uma imaginação do protagonista;
- No final sinistro, o escritor mata a ex-mulher e seu amante, enterrando os corpos mutilados no jardim, onde existe um milharal. À medida que come os milhos cozidos, vai se livrando dos restos dos corpos;
- A fala de Johnny Depp: "This is not my beautiful house. This is not my beautiful wife. Anymore" (Esta não é mais minha linda casa, esta não é mais minha linda esposa), é tirada da canção "Once in a Lifetime", dos Talking Heads;
- Quando Depp está olhando para o espelho, podemos ouvi-lo sussurrar: "When Sister Veronica found out about the windows she withdrew the school from the competition" (Quando a Irmã Verônica descobriu sobre as janelas, ela desqualificou a escola da competição). Esta é uma fala do primeiro sonho de Rosemary Woodhouse em “O Bebê de Rosemary”, filme de 1968;
- Mort olhando para o espelho e vendo suas próprias costas é uma referência à pintura do artista surrealista belga René Magritte, "La Reproduction Interdite" (A Reprodução Proibida). Ele constantemente pintava um homem misterioso com um chapéu coco, não muito diferente do que o Shooter usa;
- O nome do personagem de Johnny Depp é Morton Rainey. No fim do filme, o personagem compra três coisas na loja de conveniência. Um dos itens é uma caixa de sal da marca MORTON cujo slogan é: "Quando chove (chover em inglês é "Rain"), cai." Dessa forma, Morton (marca do sal) e Rainey (variação de “Rain”);
- Quando o personagem de Depp joga o chapéu na mesa, uma cópia do livro "Rum: Diário de um Jornalista Bêbado" (The Rum Diary) é visível na mesa. Johnny Depp fez mais recentemente o papel de Paul Kemp, no filme “Diário de um Jornalista Bêbado” (2010);
- Na cena que Johnny Depp flagra Maria Bello e Timothy Hutton num Motel, David Koepp queria que Bello e Hutton parecessem chocados e amedrontados de verdade. Ele os fez ficar deitados por 15 minutos, antes que Depp entrasse. A equipe de produção colocou grandes alto-falantes que soaram barulhos estáticos e as luzes no quarto também foram programadas para acender quando Depp abrisse a porta, assustando os atores ainda mais. Ninguém sabia exatamente como agir;

“Eu sei que consegui – disse Todd Downey, pegando outra espiga de milho da tigela fumegante. – eu lhe garanto que com o tempo qualquer vestígio dela desaparecerá, e a morte dela será um mistério... até para mim.”
 “A melhor parte de uma historia é o seu final.”
Mort Rainey.