Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

As Vinhas da Ira (“The Grapes of Wrath”, EUA, 1940)

Eu indico
The Grapes of Wrath (EUA, 1940)

A história de uma família de pequenos agricultores que, expulsos de suas terras no Oklahoma durante a depressão, atravessam o país em busca de melhor sorte na Califórnia. Dirigido por John Ford.

Família Joad:
Baseado no livro de John Steinbeck, este filme foi lançado um ano depois da obra e faturou o Oscar de melhor diretor (John Ford) e melhor atriz coadjuvante (Jane Darwell). Tal como é a fala do personagem Tom Joad (Henry Fonda, indicado ao oscar por este papel) no final da história (ver no final desta postagem), é este filme, extremamente inspirador. Tom é um homem que acabou de sair da cadeia e é recebido pela sua família com a triste informação de que eles serão expulsos de sua morada. O retrato da Grande Depressão que colocou muitas famílias de agricultores nesta mesma situação, com os bancos vendendo as terras e um sistema de exploração baseado em capital intensivo, com as máquinas sob o controle de assalariados agrícolas. Logo os tratores estão passando por cima das casas, fazendo com que muitas famílias fugam em busca da própria sobrevivência, buscando o suposto paraíso, a Califórnia.
Com foco na família de Tom, vamos acompanhando uma trajetória cheia de incertezas, desventuras e, também, de transformações pessoais. É na figura do amigo da família, o ex-pastor Casey, que surge a inspiração de Tom para ir de contra as injustiças e opressões contra os pobres. Numa sociedade que explorava cada vez mais a força de trabalho, surge para alguns a consciência de classe que vai resistir a isso.

“O Casy pode ter sido pastor, mas via as coisas com clareza. Foi como uma candeia. Também me ajudou a ver as coisas. ”
(Tom Joad)

Imaginar que foi lançado no finalzinho da Grande Depressão já pode dar uma ideia de como este filme balançou a cabeça dos americanos, já que mostra como o país era visto por muita gente que sofria com este cenário. A família de Tom é simples, e vai sofrer os diabos com a mudança, junto com muitas outras que eles encontram nos acampamentos de sem-terra da Califórnia.
O super lotando carro ambulante da família causa um impacto visual e significativo. É o único meio “viável” de transporte e o único bem que eles possuem, mas parece que vai desmontar a qualquer momento, assim como a família que logo vai sofrendo as consequências de sua situação. Logo no início da jornada o bisavô de Tom já abandona os demais quando não consegue, física e psicologicamente, abandonar suas terras. A adaptação é para poucos. Já a mãe de Tom retratada todo o sentimento passado pela família, com uma interpretação sensacional da atriz Jane Darwell. O brilho nos seus olhos e sua expressão facial transmite tudo: amor pela família, alívio quando surge esperança e momentos de tranquilidade, receio e resistência nas situações difíceis. Ela é um dos grandes sustentos da família e por isso mesmo tenta sempre se manter firme. A sua postura ao defender a família, até diante do filho que retornou da prisão, é de uma verdadeira mãe.

“Eles o machucaram, filho? Eles o machucaram e o enlouqueceram?
Às vezes eles fazem coisas com você. Eles o machucam até você se tornar um homem mau. E o machucam de novo e você se torna pior ainda. Até que não é mais menino nem homem, apenas malvadeza encarnada.”
(Ma Joad)

O filme “Vinhas da Ira” começa numa encruzilhada e termina em outra, só que com esperança. Assim como a faísca de esperança da família ao encontrar um acampamento do Ministério da Agricultura, que serve de dormitório para famílias em busca de trabalho, que logo se apaga quando percebem que a opressão também chega ali. Mas o personagem Tom, em seu conflito, já que no início está buscando somente a sobrevivência da família e, depois, desperta para a missão de pensar na sociedade, desperta para além do interesse pessoal e passa a pensar no todo. Henry Fonda cumpre seu papel de bom ator no discurso final, seu olhar transmite a mensagem junto com as palavras de um homem que, no passado, havia sido preso por assassinato:

“Andarei por aí no escuro. Estarei em toda a parte. Para onde quer que olhem. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, estarei lá. Onde houver um polícia a espancar uma pessoa, estarei lá. Estarei nos gritos das pessoas que enlouquecem. Estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar. E quando as pessoas comerem aquilo que cultivam e viverem nas casas que constroem. Também lá estarei.”
(Tom Joad)

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Fontes:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Tarde demais ("The Heiress", EUA, 1949)

Eu indico
The Heiress (EUA, 1949)

Catherine (Olivia de Havilland), uma jovem boa, vive um drama, pois seu pai não deixa que ela se relacione com ninguém. Ele faz de tudo para mantê-la presa, inclusive dizendo que ela é feia, ao contrário de sua mãe morta. Até que surge Morris Townsend (Montgomery Clift), que se interessa por ela. Mas o pai tentará impedir o romance dizendo que o único interesse que o rapaz tem é no seu dinheiro. Dirigido por William Wyler.

A Herdeira:
Este filme, premiado com o Oscar de melhor atriz (Olivia de Havilland), direção de arte, figurino e trilha sonora, possui um ótimo roteiro e é altamente recomendável. A direção de William Wyler é muito boa e os quatro principais atores, Olivia de Havilland, Ralph Richardson, Montgomery Clift e Miriam Hopkins estão ótimos em seus papéis, com destaque para os dois primeiros. Olivia de Havilland excede as expectativas, é a mesma atriz que fez o papel coadjuvante de Melanie em “…E O Vento Levou” (1939), no qual teve a sua primeira indicação ao Oscar.
Catherine Sloper, a herdeira do título original, é uma jovem doce mas sem muita beleza ou classe. Tímida, ingênua, nem sabe dançar para aparecer bem nos bailes. Mesmo sendo filha de um rico viúvo, o Dr. Austin Sloper, os pretendentes costumam por evitá-la. Seu pai é um médico muito rico e importante, um homem dedicado às aparências. Eles moram num palácio na Washington Square (que inspirou o título do romance que deu origem à peça teatral antes do filme), que fica bem no início da Quinta Avenida, em Nova York, símbolo de status social na cidade que se firmava como a grande metrópole americana. Neste contexto surge um rapaz bonito, elegante, Morris Townsend (Montgomery Clift era um jovem ator em ascensão, e neste filme cumpre também um papel importante com sua atuação), que rapidamente se interessa por Catherine, e ela corresponde ao rapaz. Morris não esconde de ninguém que não possui fortuna e é desempregado. Para Catherine, a sua sinceridade é um indicativo de honestidade. Já o seu pai reprova a união de cara, justificando que o rapaz está interessado somente na riqueza dela.
O melhor do filme é o fato de que as coisas não ficam muito claras, pelos acontecimentos que surgem a partir daí, e pelo comportamento do rapaz. Não sabemos se ali existe uma paixão verdadeira ou se, de fato, ele está interessado na herança (ou talvez as duas coisas). Catherine, cada vez mais apaixonada pelo rapaz, praticamente tem que escolher entre o seu amor e o seu pai, além de lutar para acreditar que o rapaz está realmente interessado nela e não no que ela possui. Reviravoltas interessantes e um final inesperado e com muito significado.
Com roteiro de Augustus Goetz e Ruth Goetz, o filme é uma adaptação da peça teatral dos roteiristas, tendo sido um grande sucesso na Broadway, por sua vez baseada na novela Washington Square, de Henry James (1843-1916). Possui um estilo clássico, com os bailes tradicionais da época, ambientado na classe alta de Nova York pelo século XIX, e representa muito bem os costumes, comportamentos e preocupações dessas famílias da alta sociedade da época, onde tudo gira em torno das aparências, da beleza exterior e da riqueza. A prioridade é um bom casamento e uma união de bens vantajosa para todos.

- “Uma criatura inteiramente medíocre e indefesa, sem nenhum porte.”
(Dr. Austin Sloper, se referindo à sua filha)

- "Morris precisa ficar comigo! Morris vai me amar por todos aqueles que não o fizeram!"
(Catherine, escancarando seus sentimentos)

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Fontes:
http://www.70anosdecinema.pro.br/461-TARDE_DEMAIS_(1949)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tudo o que Desejamos (França, 2011)

Eu indico
Toutes nos Envies (França, 2011)

Casada e mãe de dois filhos, Claire (Marie Gillain), de 32 anos, é juíza na cidade de Lyon, na França. Seu agitado cotidiano sofre um forte abalo: ela descobre que tem um tumor no cérebro e poucos meses de vida. Claire decide esconder sua morte iminente da família e ajudar Céline (Amandine Dewasmes), uma moça que pediu dinheiro emprestado a uma financeira e, sem condições de pagar, está sendo processada. Para isso, encontra a ajuda do colega de profissão Stéphane (Vincent Lindon). Dirigido por Philippe Lioret.

Desejamos...
Desejamos muitas coisas. Amor, saúde, justiça, são apenas alguns exemplos. O diretor Philippe Lioret assume um filme que é coerente e bastante maduro na abordagem de temas como estes. Na trama, a jovem juíza Claire tem câncer irreversível. O filme não fica focado nas cenas de sofrimento, vai muito além e aborda questões diversas, tendo a justiça um dos pontos centrais. É um excelente filme de tribunal e de relações entre pessoas. Interpretado por Vincent Lindon, Stéphane, juiz veterano e desencantado com a profissão, adquire rapidamente um afeto muito forte pela colega, talvez por ter se inspirado com o comprometimento e sacrifício pessoal dela, mesmo na situação delicada em que a mesma se encontra. A similaridade de ambos, indignados com a situação de Céline, e em busca da verdadeira justiça, acaba aproximando os dois nos últimos dias de vida de Claire. Isso fica claro no cuidado que ele passa a ter com ela e quando a presenteia com o símbolo da justiça. O significado dessa busca pela justiça pode dar um sentido a mais na vida da protagonista que possui pouco tempo de vida, e ao invés de se entregar a um tratamento invasivo, que só prolongaria um pouco sua vida e ainda com sofrimento, ela se entrega ao seu trabalho e a este ideal. Ambos os personagens são casados e felizes com suas famílias e a vida em família também é abordada no filme de forma bem singela, assim como a forte relação entre duas pessoas que a princípio eram somente colegas de profissão, uma jovem e um mais velho e maduro que se confundem entre seus ideais e seus sentimentos um pelo outro.
A justiça é discutida pelas suas facetas do que é justo e do que, de fato, é legal. A briga entre empresas grandes e pessoas desfavorecidas pode ter um resultado raro, a favor dessas últimas. O filme fala também de amizade, solidariedade, compaixão pelo outro. As cenas são delicadas em alguns momentos, como no carinho entre os casais, ou como na cena do lago, mas também fortes em outros. Entre a doença terminal e a busca pela justiça, nem sabemos se a personagem vai viver o suficiente para saber o resultado de sua batalha, pois vemos o quanto burocrática é a justiça, enquanto o tempo é um fator determinante para a protagonista. A narrativa é interessante quando nos mostra a passagem do tempo, pois inicia numa segunda, 13 de setembro, e vai até uma sexta, 14 de janeiro. Muitos detalhes podem ser detectados no filme, como quando Claire presenteia Céline com o mesmo perfume que sempre usou, o mesmo que o seu marido Christophe adora sentir nos seios da esposa. Ela mesma faz Céline usar o perfume nos seios, mesmo sabendo que a mesma viverá mais do que ela. Tudo o que desejamos está lá, tratado com realismo e mostrando algumas lições de humanidade.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Atalante (França, 1934)

Eu indico
L'Atalante (França, 1934)

Jean (Jean Dasté), jovem capitão de uma barcaça a motor chamada de Atalante, casa-se com Juliette (Dita Parlo), filha de camponeses. Mal a cerimônia acaba e os dois vão viver embarcados, navegando pelos canais de Paris. Há uma crise entre os dois, Juliette foge para a vida noturna parisiense, e Jean mergulha numa profunda depressão causada pela ausência da amada. O velho lobo do mar Jules (Michel Simon), ajudante de Jean, percebe a situação e sai em busca de Juliette. Dirigido por Jean Vigo.

Atalante:
Apesar de ter vivido menos de 30 anos e dirigido poucos filmes, Jean Vigo é considerado um cineasta que pensava bem à frente do seu tempo. Dirigiu dois filmes que marcaram o cinema francês e mundial: Zero de conduta (Zéro de Conduite, 1933) e O Atalante (L'Atalante, 1934). Este último teve que passar por restaurações para ficar disponível nos dias de hoje. Desde sua criação em 1934, se submeteu a diversas mutilações e tentativas de restauração, e a versão resultante parece que ficou bem fiel à original.
Neste filme, podemos conferir uma grande realização do diretor, que sai da mesmice de romances clássicos para deixar sua marca: realismo, naturalidade. Na trama, um casal com uma forte ligação física, vão passar a lua-de-mel em um pequeno espaço (interior do barco denominado Atalante), já dando uma ideia de que uma relação pode acabar com a liberdade do outro. Logo a moça é seduzida pela cidade grande e acaba fugindo para descobrir os prazeres desta vida. Aqui temos a presença marcante do ator Michel Simon, como o père Jules que, junto com seu assistente, fará de tudo para encontrar a garota e restabelecer o relacionamento dos dois. Estes dois empregados que cuidam da embarcação, a princípio se mostram atrapalhados, como pode ser visto na recepção do casal no barco; porém, diante de uma situação séria, mostram seu bom coração e maturidade para ajudar o casal. O personagem Jules, além de bem interpretado, surpreende numa cena onde tira a camisa e mostra várias tatuagens exóticas no corpo, e seu quarto cheio de objetos diferenciados também mostra um pouco da sua personalidade, excentricidade e maturidade.
O ambiente um pouco sombrio do filme casa com a temática principal apresentada (o casamento), forma pela qual o diretor decidiu se expressar. A difícil situação econômica e social da década de 30 também é mostrada numa cena onde Juliette tem que encarar uma fila de desempregados nas ruas de Paris. Auxiliado pela fotografia de Boris Kaufman com seus tons de iluminação escura e nebulosa, ainda mais com o fato de ser um filme em preto e branco, culmina com a atmosfera da cidade grande, pessoas perdidas e desiludidas, sem rumo e sem opções.
A felicidade parece, a princípio, se resumir aos prazeres físicos e a abundância, assim Juliette tenta se desfazer da submissão do marido autoritário. Aceitar a realidade e libertar o outro depois de sentir o verdadeiro amor é cruel para Jean. Vemos um pouco disso numa cena que mistura fantasia e realidade, quando Juliette diz acreditar que o rosto da pessoa amada pode ser visto debaixo d’água, e posteriormente Jean enxerga Juliette embaixo d’água, tendo assim uma visão do diretor sobre o verdadeiro amor. Apesar da versão recuperada ter alguns problemas com o som, a trilha de Maurice Jaubert, compositor de Jean Vigo e Marcel Carné, mostra uma das primeiras tentativas bem sucedidas de usar efeitos sonoros além da música.

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Fontes:

http://www.revistacinetica.com.br/oatalante.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Vigo#Filmografia

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

As Aventuras do Príncipe Achmed (Alemanha, 1926)

Eu indico
As Aventuras do Príncipe Achmed (Alemanha, 1926)

Um feiticeiro maligno engana o príncipe Achmed, convencendo-o a cavalgar em um cavalo alado. O príncipe percebe ser capaz de conduzir o cavalo e este o leva para diversas aventuras, até que acaba se apaixonando pela linda princesa Peri Banu. Dirigido por Lotte Reiniger.

Clássico das animações:
Parece um espetáculo teatral sem falas (é um filme mudo), mas com música, som e movimentos bem planejados. Praticamente cada cena só usa duas cores, tendo sempre o preto. Cenas com preto e laranja, preto e azul, etc, geram uma surrealidade bacana. Impressiona o jogo simples de luzes e sombras, um conceito surgido e popularizado na China, de onde são oriundas as famosas caixas de sombras. A diretora alemã Lotte Reiniger foi pioneira no uso da animação em sombras chinesas. As figuras do filme foram recortadas e manipuladas à luz de câmara pela realizadora.
A animação contém vários personagens, bem apresentados na introdução, com muita aventura, fantasia e romance. Até Aladim aparece como um dos personagens. Trata-se de uma adaptação dos conhecidos contos de “As Mil e Uma Noites”. Cada quadro é um espetáculo individual, usando a mudança de cores para indicar se estamos em um espaço interno ou externo, ou para aumentar o clímax e indicar a temperatura da cena. Figuras feitas de cartolina preta fazem movimentos complexos, desde dedos, boca, braços e corpo. A música de Wolfgang Zeller é uma sinfonia que acompanha bem os acontecimentos. A fotografia de Carl Koch (parceiro presente de Renoir) também maximiza o resultado da obra.
Logo no início do filme nos deparamos com a seguinte informação: “As aventuras do Principe Achmed foi lançada na Alemanha em 3 de setembro de 1926. Nem o negativo original, nem a copia do original da versão alemã existem mais. Esta reconstrução foi baseada em um fragmento de uma copia de nitrato com informação das legendas em inglês pelo arquivo nacional de filmes e televisão em Londres. Este foi recopiado e as informações da legenda original alemã foram inseridas de acordo com o cartão censor sobrevivente”.
Em 1908, o curta animado “Fantasmagorie”, de Émile Cohl, fascinou as plateias mostrando as possibilidades da animação. Trata-se de uma animação interessante que pode ser encontrada facilmente no youtube. O primeiro longa-metragem de animação foi o argentino “El Apóstol” (1917), dirigido por Quirino Cristiani. Infelizmente foi completamente perdido em um incêndio, em 1926. Depois veio “As Aventuras do Príncipe Achmed”, que então se torna o primeiro longa-metragem de animação acessível. Logo depois, em 1928, a Disney entra no jogo e lança a primeira animação onde aparece Mickey Mouse: “Steamboat Willie”, que por sinal o início desta animação é usado para apresentar a logomarca da Disney antes do início de alguns filmes com a produção desta.

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Fontes:

Livro “Tudo Sobre Cinema”, editado por Philip Kemp e com o prefácio de Christopher Frayling

sábado, 14 de dezembro de 2013

Os Filhos da Meia-Noite (Midnight's Children, 2012)

Eu indico
Midnight's Children (Canadá / Reino Unido, 2012)

Em 15 de agosto de 1947, a Índia conquistou a sua independência. Neste exato momento, à meia-noite, nasceram duas crianças em uma maternidade. No entanto, uma enfermeira decidiu trocá-los: Saleem, filho indesejado de uma mãe pobre, foi criado no lugar de Shiva, o filho biológico de um casal rico. A história dos dois garotos será para sempre ligada ao destino político do país, principalmente quando a Índia entra em guerra, e eles se encontram em lados opostos na batalha. Dirigido por Deepa Mehta.

Índia:
O roteirista e narrador deste filme é o próprio Salman Rushdie, escritor do livro “Os filhos da meia-noite”, um romance de 1980 que venceu alguns prêmios importantes, como o de melhor livro publicado durante os primeiros 25 anos do mais importante prêmio literário britânico. A direção ficou por conta de Deepa Mehta, indiana radicada no Canadá, duas vezes indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por "Terra" (1998) e "Água" (2005).
A história da Índia no século XX é mostrada através de uma saga rodeada de momentos fantásticos, seus eventos históricos significativos se misturam com a dramatização vivida pelos diferentes personagens e pelos momentos míticos que ressaltam a cultura indiana, e assim temos uma aula de conhecimentos sobre a história da Índia. Um visual deslumbrante e, provavelmente, realista, desde as grandes mansões, até as favelas.
O muçulmano Salim Sinai narra sua história desde 1919, antes até de seu nascimento (o que já dura quase meia hora de filme), mostrando a forma inusitada como seus avós e pais se conheceram e os eventos que levaram ao seu nascimento que, como se não bastasse, ocorreu em Bombaim à meia-noite de 15 de agosto de 1947, no instante em que a Índia se tornava uma nação independente. Acredita-se que todos os mil e um indianos nascidos entre a meia-noite de 15 de agosto e a uma hora da madrugada de 16 de agosto de 1947 desenvolveram poderes extraordinários. Eles são capazes de se encontrar mesmo estando em lugares diferentes e, a partir disso, a história toma rumos interessantes.
Giles Nuttgens fica a frente da fotografia do filme, o que parece ter feito toda a diferença, até porque foi filmado no Sri Lanka e envolveu mais de 600 lugares, e sua competência em apresentar as cenas bem posicionadas e o uso das cores foi comprovada. Junto com isso, a produção e direção de arte, inclusive trilha sonora, ajudam a enaltecer o exotismo da Índia. Não tem como não recordar, então, do maravilhoso “Passagem para a Índia” (1984), dirigido por David Lean, e que também conta a história da Índia e mostra o choque cultural entre estrangeiros e habitantes locais.
Com certas pitadas de humor que não chegam a tirar a seriedade do filme, assim como os momentos mágicos, os personagens dão uma lição de convivência, amor e laços verdadeiros; movidos pelo amor, quebram e superam barreiras e tradições de laços sanguíneos - quando pais assumem como filhos crianças que não são suas, assim como quando presenciamos o amor além da questão do sexo.

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Fontes:

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Footloose (EUA, 1984 e 2011)

Eu indico
Footloose (EUA, 2011 e 1984)

Ren McCormick é um rapaz criado na cidade grande que se muda para uma cidade pequena do interior. Disposto a organizar um baile de formatura, Ren acaba descobrindo que dançar não é permitido na cidade. Apaixonado por música, Ren decide lutar pela restauração da dança na cidade e, em meio a isso, acaba conquistando o coração de Ariel Moore. Entretanto, Ariel é a filha do conservador reverendo Shaw Moore, responsável pelo banimento da dança na cidade, em virtude da morte de seu filho. A versão original (1984) foi dirigida por Herbert Ross e a versão de 2011 por Craig Brewer.

Ritmo louco em 1984 e em 2011:
No meio dos anos 80, um filme soube casar muito bem com a dança e a música, mesmo numa época onde os musicais já não tinham tanto valor. Só o nome “Footloose” pode encher o coração de muitos fãs, que lembram de Kevin Bacon no papel de Ren McCormick, este que lhe deu grande visibilidade e mostrou seu talento fantástico para a dança, e também para a dramatização. Vale lembrar que este ator, que chegou a participar do filme de terror “Sexta-feira 13” (1980), fez papéis posteriores de grande valor, tais como “Assassinato em Primeiro Grau” (“Murder in the First”, 1995), “Sleepers: Vingança Adormecida” (1996), “Sobre meninos e lobos” (Mystic River, 2003) e “O Lenhador” (“The Woodsman”, 2004). Sua atuação em “Assassinato em Primeiro Grau” e “O Lenhador” é extraordinária e rendeu indicações.
É complicado comparar a nova versão do filme “Footloose” com a antiga, que é um clássico e possui o mérito da originalidade, assim como comparar os atores, já que Kevin Bacon deixou uma marca muito forte. Porém, é injusto tirar o mérito desta nova versão, que para começar já nos trás uma boa nostalgia. Ambos os atores possuem um grande talento para a dança, o ator estreante Kenny Wormald (da versão de 2011) poderia tranquilamente disputar com Kevin Bacon um desafio na dança. Ambos os filmes não ficam somente no contexto musical, afinal é um drama e musical, com uma mensagem bacana sobre viver o agora e como a música e a dança têm grande sentido e importância para os jovens. Além disso, trás a questão do ativismo, como podemos fazer a diferença e lutar contra coisas já estabelecidas e tornar o mundo um lugar melhor.
Craig Brewer dirige o remake que, de fato, segue a mesma linha do original. Ficou bem parecido, sendo uma coisa boa para quem for assistir sem ter visto o original. Algumas mudanças básicas foram feitas, talvez para trazer uma atmosfera de uma época mais atual, como colocar uma cena com uma espécie de baile funk e rap, ou na cena de disputa usar um ônibus de corrida ao invés de um trator. O que importa é que a cena com a dança country funciona nos dois filmes, não há quem não se divirta assistindo. Na refilmagem, de 2011, entendemos melhor os motivos da cidade proibir a dança, logo na primeira cena, assim como o trauma do protagonista com a morte de sua mãe por causa da leucemia. Novamente, o que importa é que a cena no galpão também funciona nos dois filmes, ambos os atores dão um show de performance na dança. Na refilmagem, o legal é que o personagem erra uns passos e até cai no chão. Os atores Kevin Bacon e Kenny Wormald dão um show de coreografia, como uma forma de esfriar a cabeça e resolver suas questões traumáticas dançando sozinho em um galpão esquecido. Sem contar a cena divertida onde ensina o amigo caipira Willard a dançar (interpretado por Chris Penn no original e Miles Teller no remake).
Em ambas as produções, as músicas combinam com as cenas apresentadas e o estilo country ficou perfeito para o estilo caipira de cidade pequena. A música tema do original abre e fecha os filmes de uma forma empolgante, começando o filme exibindo somente os pés e os passos de dança, e posteriormente vemos muitas cenas de dança bem coreografada. Não tem como esquecer as músicas “Footloose” (de Kenny Loggins) e “Let's Hear It for the Boy” (de Deniece Williams), essenciais para o sucesso do filme, tanto que foram mantidas na versão de 2011. Ambas, na versão original, receberam uma indicação ao Oscar de melhor canção original. A trilha sonora contém Tom Snow, Dean Pitchford, Kenny Loggins, Nigel Harrison, Mark Mothersbaugh, Jamshied Sharifi, Jim Steinman e Nate Archibald. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Um álbum, contendo a trilha sonora do filme, foi lançado nas lojas e acabou sendo indicado ao Grammy.