Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Noite dos Desesperados (EUA, 1969)

Eu indico
They Shoot Horses, Don't They? (EUA, 1969)

Em 1929, em plena depressão americana, uma desumana maratona de dança premiava o casal que resistisse por mais tempo na pista, mesmo que isso representasse a morte para o vencedor. Dirigido por Sydney Pollack.

Assim como cavalos:
Um concurso de dança se aproveita do desespero das pessoas para ganhar publicidade, sendo palco para mostrar o quanto alguém pode se sujeitar a qualquer sofrimento para ganhar alguma coisa. Estamos no final da década de 20, com as consequências da grande depressão pós queda da Bolsa de Nova York, onde de fato esses concursos existiam e atraíam milhares de pessoas necessitadas.
Baseado no livro de Horace McCoy, o filme mostra esse concurso que oferece um prêmio de 1.500 dólares somente para o casal que conseguir ficar mais tempo dançando. A maratona é desesperadora: a cada duas horas sem parar, dez minutos de descanso em acomodações desumanas onde o encosto é outra pessoa. Se alguém cai, tem dez segundos para levantar, como se fosse uma contagem do boxe. Como se já não bastasse, existe uma corrida de dez minutos, em volta de um círculo, onde os últimos três casais a cruzar a linha de chegada são desclassificados. Em uma dessas cenas da corrida, contemplamos em câmera lenta o desespero e empenho dos casais, retratando, junto com o resto da trama, uma sociedade em crise, onde pessoas se permitem uma absurda condição, numa desumana maratona de dança.
Em sua maioria vencidos pelo cansaço e pela dor, suas vidas não valem mais do que um cavalo ferido em acidente. Daí o curioso título original "They Shoot Horses, Don't They?" (“Eles atiram em cavalos, não é mesmo?”), uma referência ao ato de sacrificar o animal ferido para que ele não sofra mais, o que cabe como metáfora perfeita para este filme. E a plateia se diverte, torce, adota ídolos, aposta, como se os participantes fossem cavalos numa corrida. Até o expectador pode acabar entrando na torcida, principalmente pelo casal protagonista, Gloria (Jane Fonda) e Robert (Michael Sarrazin), nem que torça para que eles consigam, milagrosamente, sair bem dessa situação, até porque eles não tem perspectiva alguma no mundo lá fora.
A fome, miséria e desemprego atrai uma fila de pessoas querendo participar do concurso insano, pelo prêmio ou pelas refeições diárias. Alguns parecem estar sem rumo na vida e acabam entrando na competição. É a oportunidade de lidar com diversos personagens e fazer uma análise da sociedade da época, tanto os afetados pela depressão, quanto a minoria que está ali para assistir e se divertir. O destaque de atuação fica para o vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por este filme, Gig Young, que interpreta o showman do concurso, um personagem feito para ser odiado, apesar de que, em alguns momentos, consegue ser humanizado. Com isto, a condução do diretor Sydney Pollack resultou na indicação de 9 Oscar, este que também já foi produtor e ator, e faleceu aos 73 anos em 2008.

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Fontes:

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Nossa Hospitalidade (EUA, 1923)

Eu indico
Our Hospitality (EUA, 1923)

Por volta de 1830, as famílias McKay e Canfield travavam uma grande rixa em Kentucky, nos Estados Unidos. Quando John McKay (Edward Coxen) é morto, a viúva manda o filho de 1 ano para ser criado pela tia em Nova York. Vinte anos depois, Willie (Buster Keaton) volta à Kentucky em um trem e vai lutar para ter suas posses de volta. Na viagem, ele conhece uma menina da família Canfield e se apaixona por ela, mas a rixa parece ainda não ter sido resolvida. Dirigido por Buster Keaton.

Hospitalidade:
Buster Keaton dirige e protagoniza este que é considerado o seu melhor filme por muitos críticos do cinema, embora ele mesmo tenha uma preferência por A General (1926), uma excelente comédia que pode ser conferida aqui neste blog (não dirigida por ele):
http://eueatelona.blogspot.com.br/2014/05/a-general-eua-1926.html
Como um dos grandes comediantes independentes (já que dirigia muitos de seus filmes), foi elevado ao nível de Charles Chaplin. Embora vistos por muitos como grandes rivais no mundo do cinema, na verdade eram quase como parceiros que concretizaram grandes filmes, cada um ao seu estilo maximizando a magia do cinema, chegando a atuar juntos numa cena relevante em “Luzes da Ribalta” (Limelight, 1952), de Chaplin, ambos com idade mais avançada.
Podemos perceber que “Nossa Hospitalidade” não abandona a comédia que prevalece nos filmes de Keaton. Contudo, existe toda uma questão dramática tratada. Ao tratar da hospitalidade, do saber acolher, característica fundamental para a boa convivência, neste filme ofuscada pelo ódio entre diferentes famílias, por conta de uma rixa forte ao longo dos tempos, o filme também garante sua faceta séria, embora a comédia prevaleça. É claro que os encontros e desencontros, atrapalhações, que são características fundamentais das comédias mudas, levam a situações engraçadas, mas o centro da proposta está lá o tempo todo: a intenção é acabar com a vida de Willie simplesmente por ele ser um membro da família McKay. Pessoas, muitas vezes, tão prezas à tradições absurdas, mesmo que as torne cruéis, acabam não enxergando o bem à sua frente. E tudo isso, no filme, é abordado com a leveza de uma comédia madura. As armações que o personagem de Keaton apronta para não ser pego e, ao mesmo tempo, ficar próximo de sua amada (sem que ela perceba que sua família quer acabar com ele) são criativas e divertidas. Reparem nas suas desculpas para não sair da casa da família Canfield, já que lá dentro, pelas etiquetas da época, ele não poderia ser maltratado. E o interessante de tudo é que a solução para sair desta situação é tão simples que, ao ser apresentada, de repente faz todo o sentido e nos arranca mais um sorriso.
Keaton vive seus personagens sem expressão no rosto - por isso etiquetado como “o palhaço que não ri” - mas as situações que vive nas cenas são hilárias. A cena onde McKay (Keaton) viaja de trem para a chegar à propriedade de sua família é surreal, lembrando cenas maravilhosas de “A General”, que provavelmente é a comédia mais relevante, que envolve trens, no mundo do cinema.

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Fontes:

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Traídos pelo Desejo (“The Crying Game”, 1992)

Eu indico
The Crying Game (Reino Unido /  Irlanda / Japão, 1992)

Fergus (Stephen Rea), um membro do IRA (Exército Republicano Irlandês), juntamente com outros companheiros terroristas, sequestram o soldado britânico Jody (Forest Whitaker). Eles mantém o soldado em cativeiro e pedem um resgate por ele. Se não forem atendidos em três dias, Jody será executado. Fergus fica encarregado de guardar Jody e acaba desenvolvendo uma amizade com este. Direção e roteiro de Neil Jordan.

A fábula do escorpião e da rã:
A sinopse acima é na verdade uma introdução do que pode ser visto neste surpreendente filme, indicado a seis Oscar: melhor filme, edição, ator (Stephen Rea), ator coadjuvante (Jaye Davidson), diretor e roteiro original (de Neil Jordan), sendo que venceu neste último. Talvez se não tivesse disputado com grandes filmes de 1992, como Os Imperdoáveis (de Clint Eastwood) e Perfume de Mulher (de Martin Brest), mais estatuetas seriam conquistadas. É até admissível que Os Imperdoáveis tenha recebido os prêmios de melhor filme e direção, assim como Al Pacino, quase imbatível no papel, como melhor ator em Perfume de Mulher. Entretanto, por mais que respeitemos a atuação memorável de Gene Hackman por Os Imperdoáveis, levando o prêmio de melhor ator coadjuvante, foi uma grande injustiça o Oscar não ter premiado o ator Jaye Davidson pelo papel de Dil, um ator de pouca visibilidade e que só chegou a atuar em 5 filmes. Seu papel neste é controverso, difícil para qualquer um. De um mero coadjuvante, o personagem Dil pode se tornar o principal centro de atenção do espectador, muito pela atuação excepcional do ator Jaye Davidson.
Este é um filme enigmático e surpreendente em muitos momentos, podendo causar um choque nas pessoas mais sensíveis. Pelo menos quanto a isso o reconhecimento do Oscar foi justo (melhor roteiro original). A fábula do escorpião e da rã, que Jody (soldado inglês sequestrado) conta à Fergus (seu carcereiro) é a metáfora que melhor representa o filme. Jody é interpretado por mais um grande ator, Forest Whitaker, que merecia pelo menos uma indicação, mas também foi injustiçado. O título original "The Crying Game" (algo como "O Jogo das Lágrimas") é o título de uma canção que Dil está cantando quando Fergus a encontra em Londres, canção de 1960 do inglês Dave Berry, regravada por Boy George. A trilha sonora em si é mais um ponto forte, com a produção musical de Anne Dudley e da banda Pet Shop Boys.
O destino, como se estivesse escrito, trilha os caminhos de Fergus, já que ele é o protagonista, ponto central da história. Mas o que entendemos é que a sua natureza o faz dono de seu destino, suas escolhas estão amarradas ao que ele é de fato, algo que ele aprendeu com Jody. Stephen Rea como Fergus surpreende, um membro do IRA, experiente, mas com uma certa sensibilidade. Difícil de ser interpretado com seus comportamentos, a princípio, controversos, aos poucos mostra o que ele é realmente. Sempre voltamos ao que o personagem de Forest Whitaker disse, quando eles se aproximaram no momento mais atípico possível. A partir daí nos deparamos com envolvimentos amorosos, conturbações e interrupções regadas por questões de opção sexual, preconceito e valores pessoais, principalmente através de Fergus que vai se revelando aos poucos, criando uma relação de dependência com Dil que vai nortear o clímax do filme.

Cena do filme que mostra o retrato na carteira de
Jody (Forest Whitaker, à direita), junto com Dil (Jaye Davidson)
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Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Crying_Game

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Eva – Um Novo Começo (“Eva”, Espanha, 2011)

Eu indico
Eva (Espanha, 2011)

Em 2041, os seres humanos convivem com criaturas mecânicas. Alex (Daniel Brühl), um famoso engenheiro cibernético, retorna a Santa Irene, depois de dez anos, para atender a um pedido muito específico da Escola de Robótica: a criação de um robô-criança. Nesses dez anos de ausência, seu irmão David e Lana reconstruíram suas vidas e tiveram a filha Eva (Claudia Vega), que acaba tendo uma relação especial com Alex. Dirigido por Kike Maíllo.

O que você vê quando fecha os olhos?
No topo das montanhas geladas de Santa Irene, em 2041, uma mulher à beira do abismo grita, quando seu corpo cai. Correndo entre os pinheiros, na neve, uma menina de casaco vermelho corre até um chalé de madeira e bate à porta. O homem que atende pergunta: "Eva, o que você faz aqui? Onde está sua mãe?" E a menina desmaia. Este é o início enigmático da trama que aborda as questões da chamada inteligência artificial, num futuro próximo onde seres humanos convivem com robôs criados por eles. O diretor trata das questões de forma agradável e com simplicidade, indo tanto pela abordagem tecnológica (ferramentas para escolher os elementos que vão formar o caráter do robô, por exemplo) quanto pela humana, onde entram as situações críticas como a liberdade humana, segurança e perduração. Mostra a convivência entre seres humanos e máquinas de forma quase natural, tão semelhantes entre si que se confundem nas ruas.
A premissa parte da busca pela criação de um modelo perfeito, sem defeitos e pecados como os seres humanos. São mostradas utilidades dos androides, que podem falar várias línguas, jogar xadrez, cozinhar, cuidar de idosos e doentes, ensinar crianças, fazer manutenções domésticas, etc. Porém, ao tratar das imperfeições destes é que a trama ganha muito sentido, já que os defeitos os tornam mais ainda parecidos com os humanos. E junto com isso vem questões de tolerância, medo, perdão. Uma forma criativa de desativar os robôs imediatamente, a fim de salvaguardar a espécie humana, é a criação de uma frase senha – pelo visto universal – que pode ser usada a qualquer momento: “O que você vê quando fecha os olhos?” é a “proteção” perfeita contra os robôs.
Encarregado de criar o software de controle emocional de um androide menino (o SI-9), Alex, engenheiro cibernético, é o protagonista do filme. Eva, que remete à figura feminina bíblica criada a partir da costela de Adão (como metáfora para a criação de robôs à imagem e semelhança do homem), é uma garota de personalidade atípica, extrovertida e simpática, perfeita como modelo para um robô criança (embora a mãe não permita sua participação nesta experiência), que aparece diante de Alex e eles acabam tendo forte empatia entre si. A garota, com boa interpretação da atriz Claudia Vega, inspira Alex para o projeto, a ponto deste querer usar as características de sua personalidade como protótipo para a criação do robô. A interação entre os dois é mais um ponto forte no filme.
É preciso reconhecer que, diante de tantos filmes excelentes que tratam a temática da inteligência artificial, como “A.I. Inteligência Artificial” (2011, de Steven Spielberg) e “Blade Runner” (1982, de Ridley Scott), é difícil ganhar um destaque. Entretanto, este filme consegue e pode ser acrescentado à lista.

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Fontes:

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Fugitivo (“I Am a Fugitive From a Chain Gang”, 1932)

Eu indico
I Am a Fugitive From a Chain Gang (EUA, 1932)

Desempregado após o término da Primeira Guerra, James Allen (Paul Muni) torna-se um vagabundo sem dinheiro. Quando assiste a outro homem cometendo um furto, é condenado injustamente a dez anos de cadeia, numa prisão na Geórgia. Lá, é perseguido e castigado cruelmente por guardas sádicos. Com a ajuda de outro prisioneiro, escapa e parte determinado em busca do sonho que tem de se tornar um engenheiro. Dirigido por Mervyn LeRoy.

Fugindo de uma prisão estilo “gangue da corrente”:
Baseado na história real de Robert E. Burns, que roubou 5 dólares para comer e de fato conseguiu escapar do sistema legal da Geórgia com a ajuda de três governadores de Nova Jersey. Burns chegou a trabalhar neste filme, em Hollywood, mas voltou para Nova Jersey com receio da prisão. O livro e o filme conseguem criticar claramente o sistema presidiário na década de 1930, na Geórgia, onde os presos viviam acorrentados e forçados a trabalhar numa estrada de ferro. A expressão “Chain Gang” se traduz como uma prisão onde existem trabalhos forçados a que são submetidos os presidiários acorrentados; assim, os prisioneiros são a “gangue da corrente”.
Paul Muni, que antes atuou em Scarface (1932), interpreta o protagonista James Allen, que passa de herói da primeira guerra mundial para desempregado e, por azar do destino, torna-se prisioneiro. Após conseguir, de forma incrível, escapar da prisão, com o passar do tempo ele chega a se tornar um cidadão exemplar, trabalhando na construção civil e sendo reconhecido por suas obras importantíssimas. Mas isto é só um resumo dos acontecimentos que terão boas reviravoltas e um final marcante. Para se ter uma ideia (e sem revelar os fatos para não perder a graça), a última palavra saída da boca de Allen no filme complementa o episódio geral com uma crítica severa ao Estado Americano, que com seus sistemas e leis, junto com certa inflexibilidade e interpretações equivocadas, chega a favorecer a injustiça, podendo forçar um cidadão exemplar a se tornar um facínora. Uma temática social interessante e perigosa de ser tratada na época, principalmente para um filme que acabou sendo sucesso de público.
Indicado ao Oscar de melhor filme, ator e edição de som, este ainda procura encher mais ainda os olhos do espectador, com algumas situações de fuga bem elaboradas – que podem ter inspirado muitos prisioneiros. Essa combinação de elementos nos remete a um outro grande filme: Rebeldia Indomável (“Cool Hand Luke”, EUA, 1967), excelente e muito inspirador, dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por Paul Newman. Ambos fazem suas críticas ao mesmo sistema de prisões e ao Estado Americano, assim como disputam cenas de fuga criativas e empolgantes, tendo como protagonista um personagem inspirador.

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Fontes:

terça-feira, 9 de setembro de 2014

G-Men Contra o Império do Crime ("G" Men, EUA, 1935)

Eu indico
"G" Men (EUA, 1935)

James Cagney interpreta o jovem advogado criminalista, Brick Davis, que tenta resistir a tentações do mundo do crime, embora sua educação tenha sido paga por um gângster. Sua vida dá uma reviravolta quando um amigo e agente federal tenta recrutá-lo para o FBI, e é assassinado por um gângster. Dirigido por William Keighley.

Os homens do FBI contra o crime organizado:
James Francis Cagney Jr. foi um renomado ator norte-americano, que teve o privilégio de participar dos primeiros grandes filmes de gângster do cinema. Com isto estabeleceu um papel típico de gângster violento em filmes como Inimigo Público (1931), Fúria Sanguinária (“White Heat”, 1949) e Anjos da Cara Suja (1938). Entretanto, neste filme “G” Men ele interpreta o mocinho que fica famoso ao enfrentar corajosamente os gângsters do momento.
G-Men Contra o Império do Crime apresenta os principais elementos que servem de inspiração para filmes de gângster que perduram até hoje, como bandidos que desde criança são assediados a entrar no mundo do crime, chefões poderosos que aproveitam uma vida de poder e luxo, a dificuldade do FBI em combater o crime organizado, alguns sacrifícios pessoais para mudar este cenário, assim como a presença marcante da metralhadora Thompson. Na época, este filme foi original por focar o lado dos mocinhos, neste caso do FBI, em seus primeiros anos. O senso e vontade de combater o crime organizado exalta do personagem Brick Davis (interpretado por Cagney) depois de alguns acontecimentos, e logo este se mostra útil às investigações – com sua capacidade lógica de análise – e também não exita em partir para a ação. Um personagem incorruptível e atendo à lei. As situações enfrentadas por ele nos mostram a imagem pública adotada pelo FBI na guerra contra o crime.
Parece que é apenas uma lenda o fato de que os agentes do FBI eram chamados de “G” Men, a partir do fato de que um bandido assustado, chamado George “Machine Gun” (metralhadora em português) Kelly, gritou para os agentes não atirarem nele. Com esta lenda, foram criados filmes, histórias em quadrinhos e novelas para promover o FBI. Outra explicação é que “G” Men significa "Homens do Governo".
Não podemos deixar de mencionar que antes deste, o filme “Little Caesar” (1931) fez grande sucesso. Posteriormente muitos filmes do gênero surgiram, como Scarface em 1983. Mas este aqui é um bom retrato filmado da guerra contra o crime declarada pelo governo, diante das quadrilhas de gângsters quase onipotentes que assolavam o país. Teve uma das mais altas bilheterias do ano e deve ser conferido pelos fãs do gênero.
Cabe complementar que este eclético ator (James Cagney) chegou a atuar como dançarino e sapateador na Broadway e em Nova Orleans, na década de 1920. Fundou uma produtora em 1942 e dirigiu um filme em 1957 ("Short Cut to Hell"), além de ter sido presidente e um dos fundadores do Sindicato dos Atores entre 1942 e 1944. Depois de vinte anos fora das telas, ele retornou em 1980 para viver um chefe de polícia em Na Época do Ragtime ("Ragtime"), do diretor Milos Forman.

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Fontes:

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sonhadores (“The Dreamers”, 2003)

Eu indico
The Dreamers (França / Reino Unido / Itália, 2003)

Matthew (Michael Pitt) é um jovem que, em 1968, vai estudar em Paris. Lá ele conhece os irmãos gêmeos franceses, Isabelle e Theo (Eva Green e Louis Garrel). Os três logo se tornam amigos, dividindo experiências e relacionamentos enquanto Paris vive a efervescência da revolução estudantil. Dirigido por Bernardo Bertolucci.

Homenagem ao cinema, por Bertolucci:
Este filme já apareceu em listas de filmes polêmicos com conteúdo sexual explícito. A bem da verdade, o diretor Bernardo Bertolucci deixou, em seus filmes, uma marca abordando situações que giram em torno do erotismo, mas sempre com bastante conteúdo em várias dimensões, seja poesia e arte em geral, política, comportamento humano, história, etc. Baseado no romance “Os Inocentes Sagrados” de Gilbert Adair, que também elaborou o roteiro do filme, contemplemos uma mistura maravilhosa de cinema, sexo e revolução.
A homenagem realizada ao cinema vai se encaixando na trama a medida que filmes são explicitamente mostrados ou citados de forma mais sutil, com direto a exibição de cenas de grandes clássicos, como Os Incompreendidos (“The 400 Blows”, 1959, de François Truffaut), O Picolino (“Top Hat”, 1935, de Mark Sandrich), Crepúsculo dos Deuses (“Sunset Boulevard”, 1950, de Billy Wilder), Luzes da Cidade (“City Lights”, 1931, de Charles Chaplin) e Juventude Transviada (“Rebel Without A Cause”, 1955, de Nicholas Ray). Essa pitada de cada filme deixa uma imensa vontade de assistir a todos eles. A lista completa pode ser conferida no final desta postagem, assim como a cena onde cada um deles aparece.
O interessante é discutir a visão e importância dos espectadores, isso vai sendo trabalhando do ponto de vista dos três personagens principais que, apaixonados por cinema, chegam ao ponto de fazer jogos do tipo “Qual o nome do filme?”, com prendas sexuais inusitadas para quem não acertar.
A Paris de 1968, marcada por revoluções, inclusive manifestações no cinema, é o cenário onde um estudante americano conhece dois irmãos franceses e os três começam a viver experiências sexuais somente entre eles. Entre a oportunidade de viver o prazer da situação, e a luta contra a repressão que basicamente ocorre fora do apartamento dos irmãos - onde se passa quase o filme inteiro – os personagens vivenciam revoluções culturais, música, cinema e sexualidade. Eva Green está arrebatadora em sua sensualidade, numa personagem que horas parece madura e segura, horas inocente ou fingida. Este foi um de seus primeiros trabalhos no cinema, Bernardo Bertolucci descobriu essa atriz nos palcos franceses e chegou a dizer que ela possui uma beleza “indecente".

Referências a filmes e onde aparecem - SPOILER:
- Bande à Part (“Band of Outsiders”, de Jean-Luc Godard)
Quando Isabelle, Theo e Matthew correm no Louvre, tentando quebrar o recorde (9 minutos e 43 segundos) de uma cena em Bande à Part.
- Paixões que Alucinam (“Shock Corrido”, de Samuel Fuller)
É o filme que Matthew está assistindo no cinema, quando ele diz que gosta de sentar na frente para ser o primeiro a receber as imagens.
- O Demônio das Onze Horas (“Pierrot Le Fou”, 1965, de Jean-Luc Godard)
- Os Incompreendidos (“The 400 Blows”, 1959, de François Truffaut)
Posters dos filmes no quarto do Theo.
- Quando Duas Mulheres Pecam (“Persona”, 1966, de Ingmar Bengmar)
Pôster de Liv Ullman e Bibi Andersson em Persona no apartamento de Matthew.
- A Chinesa | La Chinoise (1967), de Jean-Luc Godard
Pôster do filme no quarto dos gêmeos.
- A Vênus Loira (“Blonde Venus, 1932, de Josef Von Sternberg)
Cena em que Isabelle entra no quarto de Theo cantando com seus óculos escuros e um espanador. Isabelle pergunta ao irmão qual o nome do filme.
- Parada de Monstros (“Freaks”, 1932, de Tod Browning)
Isabelle e Theo aceitam Matthew depois da corrida no museu, dizendo: "We accept him, one of us”.
- Scarface (1983, de Brian De Palma)
Isabelle e Matthew estão jogando quando Theo finge uma cena do filme, se jogando no chão.
- Rainha Christina (1933, de Rouben Mamoulian)
Isabelle atua imitando a personagem de Greta Garbo, dizendo "memorizing this room" na primeira noite que Matthew dorme em sua casa.
- O Picolino (“Top Hat”, 1935 de Mark Sandrich)
Cena em que Isabelle e Theo começam a discutir sobre a música alta e rapidamente Isabelle pergunta ao Matthew qual o nome de um filme.
- Acossado (“À Bout de Souffle”, 1960, de Jean-Luc Godard)
Cena em que Isabelle fala para Matthew quais foram as suas primeiras palavras quando bebê. Isabelle responde: “New York Herald Tribune”, que é de uma cena deste filme.
- A Virgem Possuída (“Mouchette”, 1967, de Robert Bresson)
Depois que Isabelle tenta matar os três com gás de cozinha, fecha os olhos e passam cenas do suicídio de Mouchette.
- Luzes da Cidade (1931, de Charles Chaplin)
Cena em que Matthew e Theo começam a discutir quem era o melhor humorista, Chaplin ou Keaton. Theo explica o porquê dele gostar de Chaplin ao citar uma cena de Luzes da Cidade.
- O Homem das Novidades (“The Cameraman”, 1928, de Edward Sedgwick / Buster Keaton)
Matthew discutindo com Theo sobre o assunto citado acima. Uma cena do filme é mostrada.
- Juventude Transviada (“Rebel Without a Cause”, 1955, de Nicholas Ray)
Theo pergunta para Matthew quais os filmes que ele gostava sobre aquele diretor. Matthew responde: Juventude Transviada.

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Fontes: