Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

terça-feira, 7 de julho de 2015

Secretária (EUA, 2002)

Eu indico
Secretary (EUA, 2002)

Após passar algum tempo em um sanatório, Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal) volta para a casa de seus pais pronta para recomeçar sua vida. Ela então faz um curso de secretária e tenta um emprego com E. Edward Grey (James Spader), que tem um escritório de advocacia. Inicialmente o trabalho parece bem normal e entediante, mas com o tempo, chefe e subordinada embarcam numa relação mais íntima e cruzam linhas de conduta da sexualidade humana. Dirigido por Steven Shainberg.

Estranho amor:
Reconhecer um único gênero para este filme é complicado. Comédia? Drama? Erótico? Um misto dos três é mais adequado. O mais relevante é que o diretor Steven Shainberg consegue criar uma história envolvente e diferente dos padrões tradicionais de romance, amor e sexo. Bastante não-convencional, pode causar estranheza. Para quem tem a mente mais aberta, a identificação com o filme é forte. Mesmo diretor de A Pele (2005), mais um filme não convencional, com Nicole Kidman e Robert Downey Jr.
Nada de paixão com romance tradicional, clichês ridículos como podemos conferir em muitos filmes. Imagine uma secretária, interpretada por Maggie Gyllenhaal, provavelmente em seu melhor momento como atriz (reconheço também sua atuação no divertidíssimo Histeria, de 2011), que acaba de sair de uma clínica psiquiátrica e passa a ter este trabalho com um chefe difícil e diferente, o advogado interpretado por James Spader. Eles acabam desenvolvendo uma relação exótica, que mistura submissão, aceitação do outro, pequena dose de romance e dependência (o menos importante para eles) com uma série de jogos envolvendo dominação e total submissão. Nos jogos, ambos desempenham muito bem os seus papéis. Isso melhora ainda mais com a grande atuação dos protagonistas.
Estamos acostumados ainda com essa visão da secretária que se apaixona pelo chefe, daquelas que sofrem o assédio moral e sexual e todas as formas como isso se destrincha. Mas este filme quebra o tradicional, mostrando um outro lado, interessante, através da relação dos dois personagens. Quando reclamações do chefe, a respeito dos erros de datilografia da secretária, passam a vir juntas com sessões de palmadas nas nádegas e outros castigos mais perversos, percebemos a dimensão tomada, deixando o filme bem interessante. Um pouco de sadomasoquismo e gosto sexual curioso e diferenciado. James Spader resgata sua experiência em papéis controversos, como já apresentou em Sexo, Mentiras e Videotape (1989) e Crash - Estranhos Prazeres (1996), mas em Secretária ele consegue ser único.
Quando esperamos que o filme caia no drama, ele cai na comédia. Quando esperamos que ele entre pelo lado da comédia romântica, ele cai no erotismo. Assim é bom, ser surpreendido pelas próximas cenas. Maggie Gyllenhaal faz a sua parte, dando um show de interpretação e sensualidade. Sua interpretação da secretária submissa, mas deixando claro que faz aquilo que quer e sente prazer nisso, faz o filme humilhar outras tentativas fracassadas, como Cinquenta Tons de Cinza (2015), que em algum momento acaba caindo na mesmice do romantismo clichê.

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Fontes:

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Tempestade do Século (EUA / Canadá, 1999)

Eu indico
Storm of the Century (EUA / Canadá, 1999)

Little Tall é uma pequena cidade que fica em uma ilha longe do continente e está prestes a receber uma violenta tempestade de neve. Andre Linoge (Colm Feore), um forasteiro bastante estranho, chega na pequena cidade e cria pânico e morte entre os moradores. Ele sabe o segredo de todos os habitantes. Mike Anderson (Timothy Dale), o policial da cidade, tenta manter cada um em alerta contra a forte tempestade e contra Linoge. Dirigido por Craig R. Baxley. Roteiro de Stephen King.

"Dê-me o que quero e eu irei embora"
A Tempestade do Século é uma das melhores histórias criadas por Stephen King, com um terror focado no psicológico e capaz de prender bastante a atenção. Quem encarar o filme, com quatro horas e pouco de duração, não vai se arrepender. O roteiro foi escrito pelo próprio escritor, diferente da maioria de suas adaptações para o cinema, e ele só lançou o livro depois, garantindo assim a fidelidade e o excelente resultado. Nas mãos do Craig R. Baxley, a parceria funcionou muito bem, a sensação de imersão na história é alta, ou seja, o espectador vai se sentir como os personagens presos naquela situação: angustiado, confuso e perplexo. Originalmente, foi produzida como uma mini série de três capítulos para a rede de televisão ABC.
Little Tall é uma pequena ilha do Estado norte-americano do Maine. Os moradores estão se preparando para enfrentar a pior nevasca dos últimos anos. A tranquilidade do lugar é garantida pela convivência com algumas regras básicas, e pelo protagonista Mike Anderson (Timothy Dale), policial da cidade que resolve tudo e acalma as coisas, quando preciso. Mas essa tranquilidade é abalada quando surge, na cidade, de forma inexplicável, um estranho chamado Andre Linoge (Colm Feore), que conhece todos os segredos dos habitantes e gera situações de desconforto, repetindo sempre a mesma frase: “Dê-me o que quero e eu irei embora“. O que vem a partir daí não pode ser contado para não estragar a obra, então pode se preparar para a revelação e os acontecimentos interessantes que virão. A história vai se tornando cada vez mais sufocante até a sua conclusão. Não somente prende a atenção, como toda a explicação para o que acontece é muito criativa.
Um elemento interessante relacionado às histórias de Stephen King são as ligações entre elas. Por exemplo, em “A Tempestade do Século”, a ilha onde a ação acontece, Little Tall, é a mesma do filme Eclipse Total (“Dolores Claiborne”, 1995). Durante outra passagem, um dos moradores fala sobre a cidade de Derry, local onde se passa a história do livro Insônia (Insomnia, 1994) e várias outras (é o local preferido de Stephen King em suas histórias). E em outra cena, um personagem está lendo "The Little Pig", que é uma das histórias favoritas do garotinho de O Iluminado (“The Shinning”, 1980).

"Meu nome é Legião, porque somos muitos" - SPOILER
Ocorre numa das cenas uma referência a uma passagem bíblica. De acordo com os evangelhos, Jesus exorcizou um homem que estava possuído na região dos gerasenos (atualmente Jerash). Ele estava possuído pelo demônio conhecido como "Legião", uma coletividade de demônios. Quando Jesus pergunta o seu nome, ele responde: "Meu nome é Legião, porque somos muitos.", assim como ocorre no filme. Uma grande horda de porcos estava se alimentando ali perto e Jesus fez com que os espíritos malignos saíssem do homem e entrassem nos porcos. Aproximadamente 2.000 porcos correram e se jogaram de uma ladeira, afogando-se num lago. Da mesma forma os habitantes da ilha são arrastados para uma direção, tendem a cair e se afogar, como os porcos, se não obedecerem a Linoge.

Melhores adaptações das obras de Stephen King para o cinema e TV:
Existem muitas adaptações dos livros e contos deste escritor, aclamado como o mestre do suspense e terror. Relaciono aqui as que gostei:

1986 - Stand By Me (Conta Comigo) (Baseado no conto 'O Corpo', localizado no livro 'Quatro Estações', de 1982)

1989 - Pet Sematary (Cemitério Maldito) (Baseado no livro de 1983)

1990 - Misery (Louca Obsessão) (Baseado no livro de 1987)

1992 - The Lawnmower Man (O Passageiro do Futuro) (Baseado no conto de 1976)

1993 - The Dark Half (A Metade Negra) (Baseado no conto de 1989)

1994 - The Stand (A Dança da Morte) (Mini-série baseada no livro de 1978)

1994 - The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade) (Baseado no conto 'Rita Hayworth and Shawshank Redemption' de 1982, localizado no livro 'Quatro Estações')

1995 - Dolores Claiborne (Eclipse Total) (Baseado no conto de 1993)

1995 - The Langoliers (Fenda no Tempo) (Mini-série baseada no livro de 1990)

1997 - The Shining (Mini-série, segunda adaptação do livro de 1977)

1998 - Apt Pupil (O Aprendiz) (Baseado no conto de 1982)

1999 - The Green Mile (A Espera de Um Milagre) (Baseado no livro de 1986)

1999 - Storm of the Century (Mini-série, roteiro original)

2001 - Hearts in Atlantis (Lembranças de Um Verão) (Baseado no conto de 1999, 'Low Men In Yellow Coats')
Resenha neste blog: 

http://eueatelona.blogspot.com.br/2013/10/lembrancas-de-um-verao-hearts-in.html

2004 - Secret Window (Janela Secreta) (Baseado no conto 'Secret Window, Secret Garden' de 1990)

2007 - 1408 (1408) (baseado no conto de 1999)

2007 - The Mist (O Nevoeiro) (Baseado no conto de 1980, localizado no livro Tripulação de Esqueletos )

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Fontes:

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O incrível homem que encolheu (EUA, 1957)

Eu indico
The Incredible Shrinking Man, EUA, 1957

Durante um passeio de barco, Scott Carey (Grant Williams) é atingido por uma misteriosa nuvem de partículas brilhantes. Em seguida é acidentalmente aspergido com inseticida e começa a encolher diariamente. A vida se torna um pesadelo para o agora pequenino Scott, vulnerável a tudo e todos. Dirigido por Jack Arnold.

Incrível:
Estamos diante de uma ficção científica, estilo fantástico, no qual um homem começa a diminuir de tamanho e tem que enfrentar todas as dificuldades que surgem, seja sua relação com a esposa e outras pessoas, seja sua sobrevivência. Outros filmes exploram essa relação que surge quando seres vivos se tornam maiores que o homem, mas na maioria delas o foco é na aventura, no suspense. Aqui, nesta adaptação do romance de Richard Matheson, temos uma boa aventura, mas carregada de ironia, desespero e agonia pela situação e uma boa reflexão sobre a existência. Os pensamentos do personagem no final do filme, que começa a narrar a sua história a medida que vai diminuindo e ficando sozinho, é bem significante e pode ser conferida no final deste texto.
Um mergulho no misterioso universo microscópico, que quase sempre tratamos com desdém porque estamos muito elevados em relação a ele. É tão fácil pisar numa aranha e lançar inseticidas em mosquitos, tão natural e seguro, mas imagine você se tornar um ser menor do que eles. Nosso protagonista então tem que se utilizar da inteligência e controle emocional, nossa vantagem em ser um animal racional.
Jack Arnold tem este filme como um dos seus clássicos, juntamente com “O Monstro da Lagoa Negra” (1954). Os efeitos especiais são de Clifford Stine. Richard Matheson escreveu o roteiro para uma sequência, “The Fantastic Shrinking Girl” na qual Louise Carey segue seu marido até o mundo microscópico. Foi publicada pela Gauntlet Press em 2006, numa coleção chamada "Unrealized Dreams", porém não chegou a ser foi produzida.

Frase no final do filme - SPOILER:
Muito interessante quando, após diminuir tanto, o personagem fica contente em poder sair do porão que por muito tempo o aprisionou, com toda uma nova energia e coragem para encarar este mundo de gigantes lá fora.

Olhei para o céu, como se de algum modo pudesse compreender o céu, o universo, os mundos infinitos, a tapeçaria prateada de Deus que cobre a noite.
Nesse instante eu soube a resposta do enigma.
Havia pensando nos termos da limitada dimensão da mente humana.
Tinha subestimado a natureza.
Pois a ideia de que a vida começa e acaba.
É uma ideia humana, não da natureza.
Senti meu corpo encolhendo, fundindo-se, convertendo-se em nada.
Meus medos acabaram e em seu lugar ficou a aceitação.
Toda esta vasta glória da criação tinha que significar algo.
E eu significava alguma coisa também.
Sim, até o mais pequeno que o ínfimo, também significava algo.
Para Deus não existe um nada.
Então eu existo!”

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Fontes:

terça-feira, 9 de junho de 2015

Chappie (EUA, 2015)

Eu indico
Chappie (EUA, 2015)

Em um futuro próximo, uma opressiva força policial mecanizada é encarregada de patrulhar as ruas e controlar o crime em Joanesburgo, África do Sul. Um dos androides da força policial é roubado e reprogramado com o intuito de ser utilizado como arma pelos criminosos. Ao ser reprogramado, o androide se torna Chappie, o primeiro robô com capacidade de pensar e sentir por si mesmo. Isso faz com que forças poderosas e destrutivas comecem a ver Chappie como uma ameaça para a humanidade e para a ordem pública, e elas farão de tudo para garantir que Chappie seja destruído. Dirigido por Neill Blomkamp.

CHAPPiE:
Em 2004 foi lançado um curta-metragem chamado “Tetra Vaal”, do próprio diretor deste filme, Neill Blomkamp. Este então foi a base para o diretor escrever, juntamente com Terri Tatchell, o roteiro do filme Chappie.
A captura de voz e movimento do robô, que é nosso grande protagonista, foi feita utilizando o ator Sharlto Copley. Podemos dizer que a atuação do ator-robô é a melhor do filme. O grande elemento é justamente a humanização do robô, desde gestos e comportamentos, até gírias. É tão bem trabalhado que esquecemos estar diante de uma máquina “pensante”. Os personagens secundários ajudam, principalmente os pais “adotivos” de Chappie. A mãe, por exemplo, se comporta de forma bem sentimental para com ele, os dois então criam um laço “de sangue” muito forte.
É o terceiro longa-metragem de Blomkamp como diretor, que tem em seu currículo “Distrito 9” (2009) e “Elysium” (2013). Podemos perceber algumas semelhanças entre os três filmes, então parece que este é um estilo no qual o diretor quer investir. Assim como no excelente “Distrito 9”, logo no início nos deparamos com pessoas, especialistas, dando entrevistas à TV sobre a situação. Estamos em 2016 e robôs pré-programados estão substituindo e auxiliando a polícia em Joanesburgo. Este começo já maximiza o nível de realismo do filme, menos do que em “Distrito 9”, porém mais plausível porque o foco não está em alienígenas, mas em máquinas criadas pelo homem.
Sendo uma máquina evoluída, com grande capacidade de processamento e inteligência artificial, Chappie aprende muito rápido. É muito interessante acompanharmos sua evolução, inclusive emocional. A influência do meio onde vive, um gueto, com pais traficantes e excluídos da sociedade, o faz tomar um caminho inicial tortuoso. As primeiras aventuras do robô são exibidas em cenas engraçadíssimas, que superam de longe muitos filmes de comédia. A idéia das correntes no pescoço é divertida e, ao mesmo tempo, genial.
Hugh Jackman faz o antagonista, mas quase fica esquecido diante do nosso carismático protagonista, um robô. Chappie luta por conquistar uma identidade e ainda vai aprender sobre a ética e a justiça. Mas ele está no meio de um grupo de excluídos, no lixo da África. O cenário é de fábricas e prédios abandonados, favelas habitadas.
Não estamos diante de novidade alguma, é mais um filme de ficção com o tema inteligência artificial, tal como o maravilhoso “A.I. Inteligência Artificial” (2001), de Steven Spielberg. Entretanto, o filme Chappie consegue humanizar tanto a máquina pensante, focando no emocional e na linguagem corporal, que conquista seu lugar entre os melhores filmes do gênero. Mais ainda, nos apresenta um final não convencional e bem interessante, para refletir.

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Fontes:

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Síndromes e um século (Tailândia, 2006)

Favoritos
Sang Sattawat (Tailândia/França/Áustria, 2006)

Retrato da modernização da Tailândia e as síndromes do século, através de situações em um hospital, dividido em duas partes, uma no campo e uma na cidade. Roteiro e direção de Apichatpong Weerasethakul.

A transição e as síndromes:
Situações aparentemente insignificantes ganham um grande significado nesta obra cinematográfica do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul. A reflexão cuidadosa sobre as partes e sobre o todo do filme deixa uma sensação de felicidade sobre a vida, onde é colocado como primeiro plano as pessoas com suas diversidades. O mundo é coadjuvante. As pessoas, protagonistas.
Estruturado em duas partes, uma no campo e uma na cidade, mas usando os mesmos personagens e ambiente - um hospital - e mantendo uma pequena semelhança entre elas, podemos imaginar que são manifestações de duas realidades distintas, duas vidas, com forte conexão entre si. As síndromes manifestadas pelas pessoas é a ligação entre essas duas partes. Os personagens são os mesmos... e não o são, já que caminhos e decisões diferentes foram tomadas. Os diálogos e as imagens são os grandes pontos fortes do filme. São simples e, ao mesmo tempo, importantes demais. Uma boa dose de humor pode ser vista nas conversas, principalmente na primeira parte, como se a leveza da graça fosse reduzida na segunda, assim como as relações (um amor platônico na primeira é substituído por um namoro firme e sexualmente intenso na segunda). Algumas conversas são divertidas a ponto de causar muito riso e, dessa forma, conquistar o espectador logo no início. Ainda assim, não prejudica a seriedade do filme.
O cenário de um hospital na Tailândia, em ambas as partes do filme, é palco perfeito para mostrar as relações. Na primeira, ele está no meio da selva, em época de guerra, já na segunda ele está no meio da cidade desenvolvida, a capital Bangkok, dando a entender que está numa época posterior. Pessoas desconhecidas passam a interagir, cada uma com suas crenças, seus vícios. Personagens e situações se repetem, mas existem pequenas mudanças nos diálogos e nas reações. Em ambos os momentos, percebemos fortemente a realidade tailandesa onde se manifestam o budismo e a medicina tradicional. A segunda parte só não repete, de fato, a primeira, porque mostra outras percepções, mas lá estão as mesmas síndromes.
Uma doutora atende um velho monge budista, que está em busca de remédios para se livrar de seus pesadelos, mas acaba que, no meio da conversa, o paciente oferece à médica algumas ervas, para ela fazer um chá de cura e restauração. Cada um ajuda o outro da maneira que sabe, tratamentos distintos para as mesmas síndromes. Existe uma amizade entre um médico e um monge, e este último confessa ao médico que queria ser DJ. Na segunda parte, a relação entre o médico e o monge é tão fria que não existe diálogo, o dentista atende ao monge sem falar nada, fechado em sua máscara antisséptica.
A bela imagem de um eclipse vai marcar a transição entre as duas partes do filme, mas o que vai mais impactar é perceber as diferenças em torno das mesmas síndromes. Amor e vidas passadas aparecem em boas doses, mas as relações mudam. A experiência de vida do diretor, que passou a infância em um hospital da província de Khon Kaen, garante a fidelidade ao trazer as situações para contemplarmos a magia da vida através das cenas. Dizem que há uma semelhança com um de seus filmes anteriores, “Mal dos Trópicos” (2004), muito recomendado pelos críticos.

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Fontes:

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Outra Terra (Another Earth, EUA, 2011)

Eu indico
Another Earth (EUA, 2011)

Rhoda Williams (Brit Marling) é uma estudante de astrofísica do MIT. John Burroughs (William Mapother) é um famoso compositor. Na noite em que um novo planeta é descoberto, Rhoda comete um acidente na estrada e acaba batendo no carro de John, resultando na morte de sua esposa grávida. Depois dela cumprir pena, os dois se encontram e iniciam um relacionamento, ao mesmo tempo em que é lançado um concurso, onde o vencedor poderá conhecer o novo planeta, que é uma cópia do Planeta Terra. Dirigido por Mike Cahill.

Planeta à vista:
Imagine a situação na qual surge um outro planeta, extremamente parecido com o nosso, próximo à nossa vista. Olhamos para ele com uma distância como se fosse a lua cheia, mas ele é azul. Lá existe uma versão idêntica de cada pessoa, que pode ter os mesmos segredos, medos e personalidade, mas que pode ter tomado outro rumo na vida. Essa é a interessante proposta deste filme. Entretanto, não somente de ficção vive o mesmo, pois temos uma história paralela, que ocorre na nossa terra, focada no drama gerado pela situação que foi resumida na sinopse acima.
Juntando a ficção e o drama, temos uma mensagem legal sobre se redimir, algo como reconquistar aquilo que se havia perdido, ou compensar um erro. Atitudes que podem ser tomadas quando o universo nos dá a oportunidade de uma segunda chace, sendo que no filme isto ocorre em meio a uma realidade que foi drasticamente alterada para o mundo inteiro, já que a existência sobre o novo planeta - e sobre as cópias das pessoas - é compartilhada com todos. O filme levou dois prêmios no Sundance Film Festival de 2011, um deles foi o prêmio especial do júri. Uma boa conquista para uma produção independente.

Palpite sobre o final - SPOILER:
No final do filme, aparentemente a Rhoda que vive na “Outra Terra” também ganhou a passagem. Entretanto, ao invés de fazer o que a Rhoda da nossa Terra fez (doar o prêmio para John), ela resolveu fazer a viagem para a nossa Terra e acabou que as duas se conheceram de qualquer forma. Na "Outra Terra", a Rhonda não cometeu o acidente que acabou com a família de John, então ela pôde vir sem remorso e acabou que o John daqui teve a oportunidade de conhecer a cópia de sua família na “Outra Terra”.

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Fontes:

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A Greve (Stachka, Rússia, 1925)

Eu indico
A Greve (Rússia, 1925)

Em 1912, durante o governo do Czar, a greve dos operários de uma fábrica é brutalmente reprimida pela polícia. Dirigido por Sergei M. Eisenstein.

A revolução no cinema russo - SPOILER:
Muitas produções cinematográficas soviéticas foram usadas como propagandas políticas, denunciado o governo anterior à Revolução de 1917, quando se criou a União Soviética. O próprio Estado tinha interesse em distribuir os filmes, que mostravam prioritariamente a força do proletariado russo contra o regime vigente. Podemos conferir isso em filmes de Sergei M. Eisenstein, como este “A Greve”, um de seus primeiros trabalhos como diretor. Outro exemplo, um de seus mais importantes trabalhos, é “O Encouraçado Potemkin”, um grande filme de 1925.
Em “A Greve” (“Strike”, na tradução americana), um operário de uma fábrica russa comete suicídio, após ser injustamente acusado de roubo, e isso se torna a motivação inicial para uma greve. Uma pessoa grita, numa cena, “Stop work!”, e tudo começa. Dividido em 6 partes, o filme apresenta o seu primeiro capítulo como “TUDO ESTÁ CALMO NA FÁBRICA”. De fato, o começo da greve é motivante para os empregados, as reivindicações são discutidas, colocadas numa pauta escrita e encaminhadas para negociação. Logo vemos que elas são negadas com desdém, numa boa cena onde um dos donos da fábrica usa o papel - com as reivindicações - para limpar o sapato. Assim, a greve vai se intensificando e a polícia é chamada para conter a classe de trabalhadores. Mas o que acontece é um ataque às pessoas, a ponto de parecer um cenário de guerra.
A proposta mostra um processo revolucionário, ascensão da classe trabalhadora sobre o capitalismo. Mas a revolução também ocorre na parte técnica do filme, numa montagem e direção que conduziu muitos figurantes, muito movimento nas cenas, e não dá para saber como se conseguiu isso com os poucos recursos da época. O som de tambores e acordeon acompanha e caracteriza este.
Metáforas mostram como as pessoas são tratadas como animais (cenas que se alternam entre o abate de um boi e as pessoas sendo massacradas por policiais em cavalos) e a postura dos empresários (membros do czarismo), bebendo uísque, comendo, fumando charutos e se divertindo no meio daquilo tudo, em seu canto protegido e esbanjando riqueza. Numa cena, um deles mostra uma máquina de espremer fruta para fazer suco, logo muda para outra que mostra trabalhadores sendo maltratados por policiais. Demandas minimamente necessárias foram exigidas, como uma redução para jornada de 8 horas por dia, sendo 6 para menores de idade. A violência chega a tal ponto que, em outra cena, uma criança pequena é jogada do terceiro andar de uma moradia.

Foto famosa do diretor Sergei M. Eisenstein

Na própria abertura do filme, uma frase de Lenin já resume a ideia:

A força da classe operária é a sua organização. Sem organização de massa o proletariado é nada. Com organização, é tudo.”

Outra frase de Lenin é usada no início do grande filme “O Encouraçado Potemkin”:

Estar organizado significa unidade de ação, a unidade da atividade prática.
A Revolução é Guerra. É a única das Guerras que consideramos legítima e justa.
Realmente a maior dentre as guerras que a História conheceu.
Na Rússia ela foi começada e declarada.”
(Lenin, 1905)

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Fontes: