Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Última Casa à Esquerda

Eu indico
The Last House on the Left (EUA, 2009)

No dia de seu aniversário de 17 anos, a jovem Mari Collingwood (Sara Paxton) e uma amiga acabam nas mãos de cruéis criminosos que escaparam da prisão, comandados por Krug (Garret Dillahunt). Enquanto seus pais (Tony Goldwyn e Monica Potter) organizavam os preparativos de uma festa surpresa para ela, Mari e sua amiga são violentadas e mortas. No dia seguinte, os assassinos vão refugiar-se exatamente na casa dos pais da vítima, sem imaginar o destino infeliz que os aguardava. Dirigido por Dennis Iliadis, com Wes Craven como produtor.

Família Vingança:
Trata-se de uma segunda refilmagem. O primeiro filme, “A Fonte da Donzela” (“Jungfrukällan”, Suécia, 1959) foi do grande diretor sueco Ingmar Bergman e venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Depois veio o filme “Aniversário Macabro”, de 1972, que foi dirigido e roteirizado por Wes Craven (conhecido por filmes de terror, entre eles os famosos “Pânico” e “A Hora do Pesadelo”), sendo a sua estreia como diretor, tendo sido proibido a exibição do filme em muitos países por algum tempo, pois trouxe de forma explícita os temas sexo e violência.
O fato de existir uma última casa na rua, com uma família, que o acaso leva a se deparar com um grupo de psicopatas, já dá uma ideia da situação. Entretanto, quem espera falta de originalidade, por similaridade com outros filmes, vai se surpreender positivamente. O filme, até um certo ponto, vai numa linha comum e, de repente, ocorre a grande inversão, de forma bem interessante. A grande sacada é a família composta pelos protagonistas inverter o jogo e tornar a família de assassinos a grande vítima da história. A velha vingança é aplicada de forma tão brutal quanto os próprios assassinos e psicopatas fariam.
Alguns acontecimentos levam a garota Mari e sua amiga a se encontrar com os bandidos, sendo sequestradas e violentadas (em uma entrevista, Sara Paxton revelou que a sequência de estupro levou 17 horas para ser filmada). A família de Mari, posteriormente, abriga a família de psicopatas e acaba descobrindo o que eles fizeram. A grande vantagem da surpresa está nas mãos dos pais... e eles não fazem feio. A forma como a violência aparece é, ao mesmo tempo, explícita e interessante, principalmente nos momentos de vingança que marcam a segunda metade do filme, gerando grande tensão e expectativas crescentes, características de um suspense bem feito.
Podemos sentir um certo prazer em ver os assassinos passarem de predadores à presa e nos questionar até que ponto o ser humano pode chegar para se vingar, de forma cruel, das pessoas que machucaram ou acabaram com a vida de alguém próximo. E até que ponto alguém chegaria para se defender e dar o troco àqueles que merecem.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Amor Profundo (The Deep Blue Sea)

Eu indico
The Deep Blue Sea (EUA / Inglaterra, 2011)

Na década de 1950, Hester Collyer (Rachel Weisz) é a jovem esposa de um importante juiz do Estado, Sir William Collyer (Simon Russell Beale). Hester inicia uma relação fulgurosa com um piloto aéreo (Tom Hiddleston), perturbado por suas experiências durante a guerra. Quando a relação entre os dois é descoberta, Hester decide cometer suicídio. Mas quando os planos falham, ela começa a questionar as escolhas que fez em sua vida. Dirigido por Terence Davies.

Azul e profundo mar:
Morando de aluguel num prédio antigo de uma rua de Londres, pouco depois da Segunda Guerra, Hester tenta o suicídio. Um começo de trama escuro, vazio, acompanhando por momentos que mostram a prévia da personagem agindo para atingir seu objetivo, alternado entre cada cena com o escurecer (como se tivéssemos fechando e abrindo os olhos a cada momento), com cenas acompanhadas de uma música clássica - favorecendo o estilo tragédia - e dando um certo clima de filme clássico mais antigo. A câmera vai dos escombros no final da rua, subindo até o andar onde está Hester. Antes de toda a cena, ela lê a carta que deixa para o seu amante. Os diálogos só vão começar depois de um tempo, já nas lembranças da mulher, que a acompanham durante todo o filme, na velha narrativa não linear, e vamos juntos vendo essas lembranças e tentando não julgar suas decisões.
A Londres pós guerra é comparada à situação quase trágica vivida pela personagem principal, e a certo ponto ela ouve do marido: “Isso é uma tragédia”, e responde: “Tragédia é uma palavra demasiado forte. Tristeza, talvez, mas... quase sufoca”. A cidade é mostrada de forma tão convincente que se contradiz aos poucos momentos de felicidade vividos pelos personagens, normalmente quando estão nos bares cantando e bebendo; inclusive, em uma das passagens que mostra o passado, um grupo faz uma cantoria num túnel de metrô, protegidos pela guerra que está destruindo a cidade lá em cima; a personagem tem essa lembrança em um novo momento onde está com a vida por um fio, à beira dos trilhos, mais uma tendência ao suicídio. Será que a lembrança de ter sobrevivido à guerra e da cantoria das pessoas naquele mesmo lugar a fez desistir de uma segunda tentativa? Esta seria provavelmente bem sucedida, devido à extrapolante situação (atropelamento por um metrô) em comparação à primeira (algumas aspirinas e envenenamento por gás em seu quarto). Momentos antes, em um ataque de raiva, o amante joga uma moeda nela dizendo que ela pode precisar usar para ligar o gás novamente. Os sentimentos sempre presentes neste drama, tomam proporções mais fortes, chegando à ofensa e humilhação (o marido que quase implora pelo retorno da esposa, ela que se submete ao amante descuidado, e este último com seus próprios conflitos que ela não consegue compensar).
Rachel Weisz é tão grandiosa em sua interpretação quanto o filme em si. É como se não existisse outra atriz para este papel. É tão humana, que em alguns momentos fica difícil saber o que a mesma está pensando, ou entender o motivo de suas escolhas (o que pode incomodar alguns espectadores), tornando assim os momentos mais realistas. E não ficam de fora os atores Simon Russell Beale e Tom Hiddleston, personagens tão diferentes que se entrelaçam e se complementam tão bem em suas atuações. Memoráveis as cenas de Rachel Weisz com Simon Russell Beale, carregadas com certa melancolia. Percebam a expressão facial do marido quando entra no carro e olha para a esposa, praticamente derrotado e carregado de sofrimento.
Baseado na peça de mesmo título, “The Deep Blue Sea” (título original), de Terence Rattigan, produzida em 1952, a forma como o filme acontece nos remete a comparar a profundidade azul do mar, tão belo e ao mesmo tempo tão assustador, com o sentimento do amor, além da sensação de estar submerso e flutuando no mar em perfeita relação com os momentos onde Hester parece leve, deixando o tempo passar de forma agradável enquanto lembra dos momentos com Freddie, e onde tudo se move lentamente, até o movimento no ar feito pela fumaça do cigarro.
Personagens complicados vão sendo, aos poucos, decifrados. Todos têm muito a perder e a ganhar e, entre encontros e desencontros, está o peso maior da sensação trazida com a possibilidade de frustração amorosa. Assim como no filme Amour (França, 2012), vencedor do último Oscar como filme estrangeiro, este sentimento ganha significado quando mostra o “cuidar do outro” em um curto momento no filme “Amor Profundo” onde vemos o cuidado de uma velha senhora com o seu marido, que ainda diz para a protagonista: “Escute... dizem um monte de besteiras sobre o amor. Sabe qual é o amor verdadeiro? Quando você limpa a bunda de alguém... e troca os lençóis depois de serem molhados... para que possa manter a dignidade... e poder seguir... juntos. ”.
Com um final belíssimo que inverte totalmente o início do filme, seja no movimento da câmera inverso ao do início, agora partindo da janela de Hester (que é aberta para a entrada da luz do dia e com direito a um sorriso da personagem), descendo o prédio e terminando nos mesmos escombros onde o filme começou, seja nas cores vivas da manhã e nas pessoas andando e brincando na rua. Toda a experiência passada por ela e sua decisão final de esperar o futuro para ver, retomar a sua vida, após o abandono, contradiz de forma clássica ao início trágico do filme, com uma estreita relação com uma guerra que felizmente acabou, e deixando uma pequena esperança de dias melhores.

“As vezes é difícil julgar quando se fica entre o demônio e o profundo mar azul. ”

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Fontes:
http://omelete.uol.com.br/cinema/amor-profundo-critica/
http://cinemaeargumento.wordpress.com/2013/05/14/amor-profundo/

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os Vivos e os Mortos

Eu indico
The Dead (EUA / Reino Unido / Irlanda, 1987)

É 6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis em meio à neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um sarau musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história. Dirigido por John Huston.

A morte para os vivos:
Este foi o último trabalho de John Huston, que dirigiu o filme já doente e em uma cadeira de rodas. Faleceu pouco depois da estreia do filme. Com apenas 83 minutos de duração, o resultado é uma bela reflexão, com um certo impacto emocional, mesmo que isso só fique explícito para o espectador nos últimos momentos do filme, quando uma bela narração é feita por um dos personagens, e que resume bem toda a proposta. É baseado em um conto do livro “Os Dublinenses”, do consagrado escritor inglês James Joyce, especialista em narrar histórias com base em sua própria vida familiar e experiências em Dublin, amizades e inimizades de sua vida.
O filme se passa em uma noite, em Dublin, no ano de 1904, numa ceia de família, onde os personagens compartilham memórias, poesias, canções, decepções, pequenas discussões políticas, pequenos atritos, etc. Durante o filme, a câmera passeia com classe pelo ambiente, focando muitos detalhes de objetos e da estrutura da casa.
A cena quando o casal Conroy está de saída, com Gretta ainda acima da escada (imagem acima), admirando uma cantoria, deixou uma marca na história do cinema; a imagem em si, com a expressão na face de Anjelica Huston - e parte do corpo de Frank Patterson embaixo, virado para ela - junto com o som da cantoria, expressam um instante de devoção à vida e à arte. Ao final, quando o casal chega no hotel onde estão hospedados, será explicada a reação da mulher à música. E é daí que o personagem de Conroy faz uma reflexão que compartilha com o espectador.
Assim como o título original, The Dead (“A Morte”), o cenário apresentado serve de pano de fundo para uma análise pertinente dessa fatídica condição humana, considerada por uns como o fim, por outros como uma passagem. Independente de qualquer vertente, para os vivos que ficam, sobra a saudade e a reflexão do sentido de sua existência; cada encontro familiar (ou com amigos), é único por si só, pois algumas pessoas podem não estar no próximo.

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Fontes:

http://50anosdefilmes.com.br/2008/os-vivos-e-os-mortos-the-dead/

quarta-feira, 15 de maio de 2013

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne

Eu indico
The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn (EUA, 2011)

O ávido e insaciável jovem repórter Tintim (Jamie Bell) e seu leal cachorro Milu descobrem que o modelo de um antigo navio contém um segredo explosivo. Atraído pelo mistério centenário, Tintim se vê na mira de Ivan Ivanovitch Sakharin (Daniel Craig). Com a ajuda do mordaz e resmungão Capitão Haddock (Andy Serkis) e dos atrapalhados detetives Dupond e Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), Tintim percorrerá meio mundo, atrás da localização exata onde teria afundado O Licorne, um galeão naufragado que pode conter a chave de uma imensa fortuna e de uma antiga maldição.

Spielberg, Peter Jackson e Tintim:
As Aventuras de Tintim é uma série de histórias em quadrinhos criada em 1929 pelo autor belga Georges Prosper Remi (Hergé). Spielberg é um fã da série desde seu surgimento no jornal Le Vingtième Siècle, destinado ao público infantil. O personagem Tintim é um jovem repórter belga e aventureiro viajante. Ele é auxiliado em suas aventuras por seu fiel cão Milu e pelo Capitão Haddock, entre outros personagens. A adaptação para o cinema usou a tecnologia 3D digital de captura de movimentos. Jamie Bell, conhecido pela excelente atuação como um garoto que se descobre um talentoso bailarino, no filme Billy Elliot (Reino Unido / França, 2000), vive o protagonista.
Os filmes de Tintim são um projeto conjunto de Spielberg e Jackson. A direção de Spielberg para um filme de animação faz toda a diferença, e os fãs devem ficar mais contentes ainda em saber que Peter Jackson deve dirigir a sequência (com produção de Spielberg). Contando com a supervisão do diretor de fotografia Janusz Kaminski, a animação é cheia de situações bem elaboradas de ação, que contém perseguições, brigas e até luta entre piratas. A sequência de perseguição em Bagghar é inesquecível, envolvendo explosões, inundação, animais, tanque, enquanto heróis e vilões disputam os pergaminhos. Muito bem bolada e divertida. Destaque também para os efeitos nas mudanças de cena (por exemplo, quando estão no deserto e a cena muda para o navio pirata no passado, a água do mar com o navio “invadem” a areia do deserto).
Para manter o dinamismo, o filme também conta com uma boa história, estilo caça ao tesouro, fazendo com que os personagens passem por vários lugares. Algumas cenas mostram o passado do avô de Haddock como um grande pirata, para explicar o contexto do Licorne. Cada personagem possui suas características que enriquem a história: Tintim gosta de se arriscar e possui grande capacidade de interpretar as pistas; Haddock tem uma forte ligação com a bebida – o que é usado de forma divertida em algumas cenas de ação - e mostra ser um homem mais velho e cansado, mas na hora que precisa é leal e experiente; os detetives Dupond e Dupont são atrapalhados e quase idênticos; o vilão Sakharine é ameaçador e tem habilidades com a espada; e o cão Milu é fiel, inteligente e tira os protagonistas das maiores enrascadas.
Apesar de ter ganho o Globo de Ouro 2012 como melhor filme de animação, no Oscar só recebeu a indicação pela trilha sonora. Para o Oscar, não é considerada uma animação os filmes que usam a técnica com ator de verdade para captura e posterior substituição por animação.

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Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Aventuras_de_Tintim:_O_Segredo_do_Licorne
http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/filme/ver.php?cdfilme=2787

sexta-feira, 10 de maio de 2013

2 Coelhos

Eu indico
2 Coelhos (Brasil, 2012)

Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos. Na medida que o plano de Edgar é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e um amor que ele jamais esqueceu. Dois Coelhos é um enigmático suspense de ação onde cada minuto vale mais que todo o passado. Dirigido e escrito por Afonso Poyart.

“A gente precisa se afastar um pouco do papel, para entender o desenho todo”
Levando quatro anos para estrear nos cinemas nacionais, este é um dos melhores filmes que tive oportunidade de ver no ano passado. Soube inovar o cinema brasileiro, com ação interessante, animações, efeitos visuais e sonoros e trilha sonora bacana, aproveitando bem o que a tecnologia oferece nos dias de hoje. Além de ficar no mesmo patamar que ótimos filmes americanos de mesmo gênero, tem a sua especificidade e mérito, na medida em que apresenta também um roteiro bem elaborado e surpreendente, criticando claramente a corrupção brasileira e a zona de conforto onde parte da sociedade se mantém. Apresenta a técnica de narrativa não-linear e um final entrelaçado com toda a linha da trama; aquele tipo de filme cuja última cena deixa o espectador perplexo. Destaco até a escolha certa do momento no qual o personagem narra “A gente precisa se afastar um pouco do papel, para entender o desenho todo”.
São muitas cenas com efeitos especiais, usando animação e desenho, dando um charme especial para o filme. A representação visual da personagem Julia (Alessandra Negrini), quando tem uma crise de síndrome de pânico, exemplifica bem essa característica.
Este é um destaque no meio de tantas produções nacionais que apresentam entretenimento descartável, boa parte inspirados em outras produções americanas também sem graça. Já existe um projeto para a refilmagem, por parte da produtora americana Tango Pictures.

Lista de filmes nacionais:
Neste espaço me arrisco a indicar alguns filmes nacionais:
- O Pagador de Promessas (1962)
- Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964): dirigido por Glauber Rocha
- Terra em Transe (1967): também por Glauber Rocha
- Tolerância (2000): uma trama bem elaborada com uma boa pitada sexual. Neste blog:
http://eueatelona.blogspot.com.br/2014/04/tolerancia-brasil-2000.html
- Eu Tu Eles (2000)
- Bicho de Sete Cabeças (2001)
- Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
- O Homem que Engarrafava Nuvens (2009) (de Lírio Ferreira) (Documentário sobre Humberto Teixeira)
- Riscado (2010)
- O Palhaço (2011): com Selton Mello reconhecido por sua atuação e direção
- O Som ao Redor (2012): recentemente nos cinemas, excelente e bastante premiado. Neste blog:
http://eueatelona.blogspot.com.br/2013/07/o-som-ao-redor.html
- A Coleção Invisível (2012): venceu o prêmio de júri popular no Festival de Gramado. Neste blog:
http://eueatelona.blogspot.com.br/2013/09/a-colecao-invisivel.html
- Serra Pelada (2012)
- Jorge Mautner - O Filho do Holocausto (2012)
- Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2013)
- O Lobo Atrás da Porta (2013)
- Isolados (de Tomas Portella) (2013): filme de suspense nacional de qualidade. Neste blog:
http://eueatelona.blogspot.com.br/2014/12/isolados-brasil-2014.html
- Depois da Chuva (2013): de Cláudio Marques e Marília Hughes
- Praia do futuro (2014)
- Que Horas Ela Volta? (2015)

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Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/2_Coelhos
http://omelete.uol.com.br/2-coelhos/cinema/2-coelhos-critica/

segunda-feira, 6 de maio de 2013

César Deve Morrer

Eu indico
Cesare Deve Morire (Itália, 2012)

Na prisão de segurança máxima de Rebibbia, Roma, um grupo de prisioneiros encena a peça "Júlio César", de William Shakespeare. Pelos corredores, fala-se de morte, liberdade, vingança. Realidades presentes no texto shakespeariano, mas também nas suas próprias histórias. Dirigido pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, o filme venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012.

Documentário e drama:
De forma inusitada, os diretores e irmãos Taviani fazem um filme usando como elenco detentos da prisão de segurança máxima Rebibbia, em Roma. Os detentos interpretam detentos, com base em fatos reais, se tornando assim atores, admiradores e contribuintes da sétima arte. E não só esta, mas também a arte do teatro (a 5ª arte), já que na trama, uma parcela dos prisioneiros é selecionada para ensaiar e representar a peça de Shakespeare. Dessa forma, há uma mistura que neste funciona de forma impressionante: drama e documentário.
O filme inicia com uma cena em cores, ao apresentar a peça, e logo depois volta ao passado para mostrar todo o processo pelo qual os detentos passaram (é aí que sabemos que são prisioneiros), a fim de realizar a peça. Aí temos o uso do preto e branco para destacar que estamos no passado.
Na maior parte do tempo o filme mostra os ensaios da peça, algumas vezes as cenas começam e não sabemos se os personagens estão ensaiando ou se estão fazendo outra coisa, na sua rotina bem determinada de prisioneiros; logo, pelo menos na maior parte das vezes, percebemos que estão ensaiando. É no mínimo emocionante perceber a empolgação e dedicação dos detentos ao papel de cada um, para a peça. E também é importante ver que em alguns momentos a realidade vem à tona para alguns deles, como quando um está desconcentrado e entristecido, pois acabou de receber uma visita que mexeu com ele. Também temos uma cena onde no meio do ensaio dois prisioneiros levam uma questão para o lado pessoal, gerando quase uma briga feia. Um terceiro e último exemplo, ocorre quando um deles consegue se identificar com uma passagem da peça, associando um fato que ocorreu com o mesmo antes de ser preso. Vão se confundindo a prisão em Roma com a Roma antiga, a fronteira entre vida e arte, realidade e encenação, usando o próprio ambiente da prisão como cenário principal, exposto assim essa relação de forma inteligente.
Todo o cenário natural da prisão é usado como espaço para ensaio, cada corredor, porta, cama, janela, muros, grades. A imaginação floresce, neste lugar de redenção, de pagamento pelos pecados de cada um. E, em certo ponto, temos uma discussão sobre dignidade e solidariedade, e principalmente sobre uma nova chance, já que estamos falando de pessoas com crimes como assassinato ou tráfico, mas que no final das contas, em contato com a arte, nos parecem mais humanos.

"Desde que conheci a arte, esta cela virou uma prisão"

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Fontes:

http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/02/estreia-cesar-deve-morrer-e-cronica-shakespeariana-feita-por-dupla-italiana.html
http://omelete.uol.com.br/cinema/cesar-deve-morrer-critica/

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O Circo

Eu indico
The Circus (EUA, 1928)

O Vagabundo acaba indo parar em um circo enquanto fugia da polícia, que o confundira com um ladrão de carteiras. Ele sem querer acaba entrando no espetáculo e fazendo grande sucesso com o público, sendo logo contratado pelo dono, que irá se aproveitar dele. Ele ainda arranja tempo para se apaixonar pela acrobata, filha desse mesmo proprietário. Dirigido e estrelado por Charles Chaplin.

Circus:
Todo o talento de Chaplin foi testado neste filme, certamente um dos mais engraçados de sua carreira. A trama em si, que coloca o vagabundo Cartilos por acaso dentro de um espetáculo circense, é bem explorada visualmente, gerando também situações divertidas que são maximizadas pelo talento do ator em expressão corporal e coordenação. Também mantém o padrão de outros filmes e faz algumas reflexões, já presentes nas obras de Chaplin, como quando o personagem tem dificuldades em conseguir comida, quando é explorado pelo dono do circo e quando trabalhadores abandonam o emprego por falta de pagamento. Também mostra o comportamento ingênuo e, em outros momentos, até maduro e bondoso de Carlitos.
O filme tem as características de cinema mudo, com a trilha sonora bem presente e os letreiros na tela para alguns diálogos. Nesse ambiente, Chaplin tira de letra nos quesitos direção e atuação, demonstrando os sentimentos do personagem sem precisar falar e, além disso, provocando o riso no espectador.

Chaplin e o vagabundo:
Chaplin foi um diretor e ator bem famoso na era do cinema mudo, com seu personagem “O Vagabundo”, um andarilho pobretão que possui todo um comportamento de um cavalheiro (paletó apertado, calças e sapatos, chapéu-coco, bengala e pequeno bigode), e é considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos, além de um grande pioneiro do cinema, junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith.
Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes. Gostei de todos os que assisti até então: O garoto (1921), Em busca do ouro (1925), O Circo (1928), Luzes da cidade (1931), Tempos modernos (1936), O grande ditador (1941).
Assim como em O Circo, seus filmes costumam resumir a busca por uma vida melhor. Carlitos, após todas as desventuras e aventuras, normalmente abre um sorriso e segue em frente, sempre em busca da felicidade.

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Fontes:

http://cinemaedebate.com/2010/10/20/o-circo-1928/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_Chaplin