Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Crimes Ocultos (Child 44, 2015)

Eu indico
Child 44 (EUA / República Tcheca /
Reino Unido / Romênia, 2015)

Durante o governo stalinista na União Europeia, um oficial da segurança percebe um número de assassinatos de crianças muito alto numa região, a ponto de se considerar a existência de um serial killer. O Estado não quer saber do caso, que pode ter conexões com altos funcionários do governo e exila o oficial para que ele não possa prosseguir com a análise dos fatos. No entanto, este homem decide chamar a sua esposa para investigarem o caso por conta própria. Dirigido por Daniel Espinosa.

Criança 44:
Baseado no best-seller de Tom Rob Smith, “Criança 44”, este filme que ganhou o título no Brasil de “Crimes Ocultos”, quase que ofusca a informação de que trata-se de uma adaptação de um livro de sucesso. Apesar de tê-lo visto, inúmeras vezes, como um dos mais vendidos nas grandes livrarias, infelizmente ainda não li a obra, mas achei o enredo do filme bem interessante. A proposta, por si só, de existir um suposto serial killer ofuscado pela situação da União Soviética na época, justificando-se através da frase de Stalin, "não há assassinos no Paraíso", já que as barbaridades sempre eram atribuídas como falhas das autoridades, é uma interessante ideia e gerou um bom suspense misturado neste contexto de poder político na antiga União Soviética, exercido por Josef Stalin, política na qual não existem crimes na sociedade local.
A ambientação da União Soviética stalinista é ótima, o filme consegue passar esse drama e também não deixa de ser um suspense de serial killer. Se baseia no primeiro livro (de 2008) de uma trilogia que mostra um oficial soviético, Leo Demidov, investigando homicídios na União Soviética de Stalin. O interessante do romance é que este é baseado na história real do assassino em série russo Andrei Chikatilo, também conhecido como o Estripador de Rostov, que foi o responsável por 52 assassinatos na União Soviética, muitas das vítimas crianças, entre Moscou e Volsk.
Quando uma criança é encontrada morta, o governo logo quer forçar a conclusão como um acidente, mas o pai convence um de seus amigos a investigar o caso. A partir daí, nos deparamos com um caso repleto de reviravoltas, sendo que muita coisa paralela ocorre, já que o contexto onde está inserido, é bem maior. É interessante perceber o quanto era difícil, na época, levar uma investigação dessas a frente, mostrando o que de fato é um herói. Este é interpretado por Tom Hardy, astro de um dos melhores filmes do ano: Mad Max - Estrada da Fúria (2015). Sua esposa é interpretada por Noomi Rapace (Os Homens que Não Amavam as Mulheres, a versão original, de 2009, da Suécia). O elenco conta ainda com grandes nomes como Gary Oldman e Vincent Cassel, entre outros, sendo assim temos um elenco para ninguém botar defeito.

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Fontes:

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

No Coração do Mar (2015)

Eu indico
In the Heart of the Sea (EUA, 2015)

Inverno de 1820. O navio baleeiro Essex parte em busca de óleo de baleia. O navio é liderado pelo nada experiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), que tem Owen Chase (Chris Hemsworth) como seu primeiro oficial. Owen sonha em ser capitão e tem o objetivo de superar a meta traçada por seu empregador. Eles navegam por meses em busca de baleias, mas quando encontram se deparam com uma grande ameaça, uma gigantesca baleia branca que irá lutar por sua sobrevivência e acabará atacando o navio e sua tripulação. Dirigido por Ron Howard.

Mody Dick:
Este filme é uma adaptação do clássico da literatura Moby Dick, de Herman Melville, sendo que mostra a história por um novo ângulo, mantendo as principais lições da obra. Admito que ainda não li o livro, mas assisti sua adaptação mais antiga para o cinema, de 1956, com Gregory Peck e Richard Basehart, que me pareceu ser uma cópia mais fiel à obra em si. Entretanto, esta nova versão, mostra a história do escritor conhecendo a história que ele vai contar. No Coração do Mar vai nas profundezas do coração humano, lidando com o ego, ódio, ambição, vingança e também a humildade e o amor. Nas mãos do competente diretor Ron Howard, o filme é muito mais do que uma batalha entre homens e uma baleia. Assim como a obra, continua impactando pensamentos até os dias de hoje.
Ainda mais interessante é mostrar o significado da palavra “ficção”, quando o escritor explica que será contada uma história, com a ideia principal mantida, mas podendo ele ocultar algumas partes; o principal, ele disse, já foi presenciado (um homem que foi no lugar onde nenhum outro tem coragem). Em outra cena, aparece a comparação do óleo da baleia com o petróleo: os tempos mudam, mas a ganância do homem continua levando a guerras, seja antigamente ao matar baleias atrás de óleo para iluminar as cidades, ou mais recentemente na busca pela exploração de petróleo.
Desde que conquistou o Oscar pelo filme “Uma Mente Brilhante” (2002), Ron Howard vem se destacando como diretor. Destaco outros como “Frost/Nixon” (2008), “A Luta Pela Esperança” (2005) e “Rush - No Limite da Emoção” (2013). Agora neste “No Coração do Mar”, ele conta com Chris Hemsworth para contar a história por trás do clássico da literatura Moby Dick. O ator, que interpretou o deus-herói Thor, teve que abrir mão do seu grande físico e perder muitos quilos para viver um náufrago neste filme.
O filme tem o clima das aventuras épicas da literatura, na linha de grandes embarcações por mares distantes. Esta fórmula fez muito sucesso na literatura e nos cinema em décadas passadas, principalmente em histórias de piratas, como “A Ilha do Tesouro”, do escritor Robert Louis Stevenson, que também possui algumas adaptações para o cinema. Neste aqui não temos histórias de piratas, mas sim uma batalha entre homens e baleias, sendo Mody Dick a principal, considerada pelos homens como um demônio. A grande baleia branca se destaca como um monstro, mas na verdade podemos concluir facilmente que ela está se defendendo, ou defendendo as outras. Ela, assim como os humanos do filme, é um grande personagem, tanto que ganhou um nome. O filme tem grandes cenas e um ritmo legal. Para se situar melhor no filme, segue o significado de alguns termos náuticos que se referem a lados e locais da embarcação:
Barlavento: lado do barco que recebe o vento.
Sotavento: lado do barco que solta o vento.
Bombordo: lado esquerdo do rumo da embarcação.
Estibordo (ou boreste): lado direito do rumo da embarcação.
Popa: parte de trás do barco (onde normalmente fica o motor, fica fácil se você imaginar que existe “motor de popa”).
Proa: parte da frente do barco.

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Fontes:

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Invasores - Nenhum Sistema Está à Salvo (Alemanha, 2014)

Eu indico
Who Am I - Kein System ist sicher (Alemanha, 2014)

Benjamin (Tom Schilling) é uma pessoa solitária. Sua vida se resume ao mundo virtual, onde pode ser quem desejar. Logo, ele se junta a um grupo de hackers em Berlim que provocam atividades divertidas em busca de fama e reconhecimento de outros hackers. Mas o que começa como um jogo, acaba se intensificando a algo perigoso entre o amor e a morte. Dirigido por Baran bo Odar.

O hacker e o mágico:
A cultura hacker foi abordada em diversos filmes, um dos meus preferidos é o Hackers - Piratas de Computador (1995, de Iain Softley), com Jonny Lee Miller e Angelina Jolie. Entretanto, ao assistir a este filme Invasores - Nenhum Sistema Está à Salvo, percebi que vai ser difícil um outro filme, do mesmo estilo, superá-lo. É um filme alemão, bem movimentado, com uma narrativa interessante, contado em flashback. Mostra como uma pessoa se torna um hacker, desde pequeno. Toda a cultura desse meio é abordada: um grupo que se forma para pregar peças em grandes sistemas, furar seguranças de grandes empresas e disputar com outras facções por reconhecimento neste mundo cibernético, os encontros dos grupos com máscaras, para manter o anonimato, e até aqueles que abusam da fama e da experiência para obter benefícios próprios e violar a lei. O título original em inglês (WhoAmI) é um apelido virtual (nickname) de um grupo de hackers no filme.
Essa rivalidade que existe no mundo virtual, junto com a máfia cibernética que é combatida pelo governo e grandes corporações, levanta questionamentos interessantes no filme. Sendo assim, o que seria um mero filme de hacker, que já deixou de ser algo atrativo, passa a ter uma dimensão maior e explorar a psicologia humana, já que grandes hackers sabem se aproveitar do comportamento humano para encontrar falhas de segurança, se aproveitando da fragilidade de algumas pessoas em virtude de seus sentimentos. Nenhum sistema está a salvo porque, mesmo com toda a segurança que a tecnologia garante, sempre pode existir a falha humana, a grande brecha final. Com essa premissa o filme consegue seu feito.
Mesmo para quem não curte filmes de hackers, a recomendação para assistir a este é ata. O filme tem uma grande reviravolta, na qual as coisas se encaixam e assim ele toma proporções bacanas. Um dos melhores finais já imaginados em filmes de ação e suspense. Se fossemos julgar um filme pela capa, pelo título ou até mesmo quando chegamos na metade e achamos ele chato ou cansativo, muitos desistiriam deste. Porém, a recomendação que eu deixo é a seguinte: assista até o final e, como dito por um dos personagens, não acredite em tudo o que vê, o hacker não é muito diferente de um mágico ilusionista... ele faz com que as pessoas olhem para o lado errado, e aplica o golpe de forma quase imperceptível. É como aquela mágica que, quando revelada, você fica abismado o quanto o truque era simples. Não deixa de ser um truque de engenharia social.

Só mais uma coisa: como esse truque funciona? ”

Quando descobre como ele funciona, é quase decepcionante.
As pessoas só veem o que elas querem ver. ”

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Fontes:

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Corrente do Mal (It Follows, 2014)

Eu indico
It Follows, (EUA, 2014)

A jovem Jay (Maika Monroe) leva uma vida tranquila entre escola, paqueras e passeios no lago. Após uma transa, o garoto com quem passou a noite explica que ele carregava no corpo uma força maligna, transmissível às pessoas apenas pelo sexo. Enquanto vive o dilema de carregar a sina ou passá-la adiante, a jovem começa a ser perseguida por figuras estranhas que tentam matá-la e não são vistas por mais ninguém. Dirigido por David Robert Mitchell.

A coisa que te persegue:
Você já se sentiu rodeado de fantasmas? O fantasma do medo, da pressão social, do julgamento, da inveja ou qualquer outro? Já parou para olhar se alguém o persegue? A juventude lida com uma série de preocupações que vêm junto com o amadurecimento, uma delas é a forma como ela encara o sexo. Estreando no Festival de Cannes em 2014, este filme merece uma atenção especial quando provoca esse tipo de reflexão através de uma história macabra. Assim, como pudemos observar em outro grande filme de horror, “O Chamado” (2002), no qual uma fita cassete deveria ser passada para se livrar da maldição, este aqui é mais um do tipo slasher movie (uma criatura ou pessoa persegue e faz uma série de vítimas), seguindo uma espécie de maldição que é sexualmente transmissível (após a relação, a pessoa passa a ser perseguida pela entidade que estava atrás da anterior).
Com boa carga psicológica, essa ideia gera situações bem tensas no filme, altas expectativas e frio na espinha ao acompanhar a saga da garota amaldiçoada. Com um jogo de câmera interessante, em alguns momentos girando 360o e deixando o espectador na iminência de encarar qualquer coisa que possa aparecer para assustá-lo, além de uma trilha sonora feita sob encomenda (concluída em menos de 3 semanas, composta por Rich Vreeland, mais conhecido como Disasterpeace), dando um clima de terror anos 80, o filme já valeria a pena somente por essas sacadas e todo o clima sinistro que apresenta. Contudo, ele vai além, e é por isso que preciso deixar alguns spoilers e curiosidades na esperança de que o espectador compreenda melhor a dimensão deste:
O filme começa bem tenso, mostrando uma vítima que não consegue escapar da coisa que a persegue, embora dessa vez ainda não vejamos a coisa. Em outros momentos, após explicada toda a situação, vemos a coisa em muitas cenas, inclusive tem vezes que os próprios personagens não a enxergam, mas nós estamos ali quase que querendo avisar a eles que ela está chegando perto. Um caso quase imperceptível é numa cena na escola, quando os amigos de Jay procuram informações sobre o cara que passou a maldição para ela, depois eles saem de carro (a mesma menina que apareceu um pouco antes, quado eles chegaram a escola, aparece andando em direção ao carro).
Poesias da literatura são apresentadas mais de uma vez, uma pelo professor na sala de aula ("A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock", de TS Eliot), outra pela irmã de Jay quase no final do filme. Elas têm uma forte relação com a metáfora proposta pelo filme, lidando com questões reflexivas, por exemplo, o fim da vida. Não adianta evitar, uma hora a morte te alcança, mesmo que demore (como a coisa do filme).
É curioso tentar imaginar o tempo em que o filme se passa. Enquanto um personagem está com celular (a garota do início do filme), outros assistem a filmes de terror mais antigos. Certos carros apresentados são de épocas mais recentes e outros não. Ao que parece, a primeira cena se passou depois dos demais eventos do filme, mostrando então que a coisa continua viva e matou mais uma pessoa, assim, está voltando para a anterior. Sinistro.
Outro fato interessante é reparar na casa onde o cara que passou a maldição para Jay morava. Ela mesma menciona que conhecia o lugar, mas nunca chegou a entrar, até porque ele mesmo evitava isso. Sabemos que ficar em lugar fechado com a coisa te perseguindo é desvantagem. Isso nos leva a interpretar que ele estava com a maldição há um tempo e não suportou mais, passando assim para Jay. A casa onde ele habitava temporariamente (veja que na verdade ele morava num lugar melhor, mas só voltou para lá depois que passou a maldição) é uma ruína em estilo residência, chamada American Foursquare. Era uma tendência popular na década de 1890 até 1930. A construção tem um padrão circular, onde é possível prosseguir através de várias salas e voltar ao ponto de partida, sem nunca inverter o caminho. Em algumas moradias, há quartos adjacentes, armários e banheiros compartilhados. Ou seja, é a melhor morada para conseguir se esquivar da coisa.
Com mais de 10 indicações em festivais alternativos (pouco conhecidos) e alguns prêmios, o filme faz alusão a problemas enfrentados pelos adolescentes, diante da vida. O sexo é um tema bem escolhido e no mínimo a ideia de passar essas mensagens através de um filme de horror é valoroso. A questão do fim da virgindade ou até o fato de não a perder, principalmente durante a escola, é muitas vezes um peso, como se todo mundo ficasse julgando a pessoa. É o fim da inocência quando o sexo desencadeia a situação toda. Quem um dia esperou uma noite romântica e na verdade ela se tornou um pesadelo? Após o sexo, Jay confessa que antigamente ela esperava um príncipe encantado, isso mostra a questão da inocência sendo quebrada. O filme dispensa quase o tempo todo a presença de adultos, nem a mãe da protagonista aparece direito, o diretor evita que a câmera mostre o rosto dela. Afinal, o foco é os jovens e seus conflitos internos. Boa parte dos adultos aparece na forma da coisa, é aí que precisamos prestar a tenção às fotos que são apresentadas nos quartos. Elas mostram pessoas que são usadas na forma que a coisa assume (por exemplo, o pai da Jay, que aparece na cena da piscina e depois é mostrado na foto no quarto dela). A figura dos pais é repetida algumas vezes pela coisa e isso é proposital já que o julgamento deles sobre os filhos é um tema importante. Em uma cena, Jay coloca pedaços de grama em sua perna e isso representa o formato de cortes, parecendo a ideia de um suicídio, algo comum entre os jovens diante de problemas na vida, muitos deles ligados de alguma forma ao sexo.
O diretor consegue, seja em locais fechados ou abertos, tomadas de câmera perfeitas para dar uma sensação de nossa presença no local. Isso ajuda com os sustos e cria um clima de tensão. Uma entidade em forma de pessoa deixa a coisa tão assustadora quanto se fosse uma entidade horrorosa, que é uma estratégia de muitos filmes do gênero. Até então, este ano foi fraco em relação a filmes de terror. Poucas exceções como este filme e o excelente Goodnight Mommy (Áustria, 2015) devem salvar o gênero:

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Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/It_Follows
http://www.blahcultural.com/critica-de-filme-corrente-mal/

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Barton Fink – Delírios de Hollywood (1991)

Eu indico
Barton Fink (EUA, 1991)

Nova York, 1941. Barton Fink (John Turturro) é o dramaturgo do momento e toda a Broadway, além da imprensa, se curva ao seu talento. Ele acaba indo a Hollywood para escrever um roteiro para um filme. Porém, ele é atingido por um bloqueio de escritor. Charlie Meadows (John Goodman), seu vizinho, um amigável vendedor de seguros, tenta ajudá-lo mas diversos acontecimentos bizarros surgem na vida de Barton. Dirigido por Joel Coen.

Roteirista em Hollywood:
Uma visão realista da Hollywood na década de 1940 é transportada para as telonas pelos irmãos Joel e Ethan Coen, que também assumiram o roteiro, produção e edição deste filme. A narrativa é excêntrica em vários momentos, tendo suas metáforas e significados críticos, cabendo a cada espectador sua interpretação. É o quarto filme dos irmãos Coen, que possem até então quase vinte produções, entre elas grandes filmes que recomendo: Bravura Indômita (2010), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), O Homem Que Não Estava Lá (2001), E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000), Na Roda da Fortuna (1994) e Arizona Nunca Mais (1987).
Estrelado por John Turturro, que está em sua melhor atuação até o momento, mostrando um talento nato ao representar um personagem com algumas esquisitices e aparência não tão agradável. Perfeito na caricatura de um escritor, roteirista de Hollywood, com personalidade forte e um pouco de loucura diante do conhecido bloqueio de escritor. A história é muito interessante e retrata de forma não convencional a realidade de Hollywood, com seus preconceitos e tudo o mais, formando essa cultura de produção de filmes. Algo de muito valor no enredo é o aspecto do “homem comum” e os valores pessoais que um profissional tenta seguir. Barton Fink entra em choque ao seguir seus valores e esbarrar com os desejos dessa indústria, com seus empresários ricos e com muito pouco bom senso. Essa generalização da figura do escritor roteirista como um profissional correto e tão pouco reconhecido, podemos ver em outros filmes: em 1963, no filme italiano Oito e meio, de Federico Fellini, a crise de criatividade de um cineasta é retratada numa narrativa bem fora do comum. Temos algo parecido no filme Adaptação (2002). Lembrando que o movimento do cinema denominado realismo poético francês surgiu no cinema francês a partir da metade da década de 1930 e foi o movimento que enfatizou o papel do roteirista, embora essa função ainda não fosse reconhecida profissionalmente.
O ambiente presente na trama, mostrando um calor infernal, fica bem evidente junto com todos os acontecimentos, realistas ou insanos, que ocorrem até o seu desfecho. John Goodman também está em uma de suas melhores interpretações e, nas cenas que contracena com Turturro, ambos disputam a melhor atuação. Ele é o personagem que tira Barton Fink do isolamento e faz ele relaxar e, talvez, voltar a encontrar a inspiração que precisa. Mas como nada nessa vida vem de graça, vamos ver no que vai dar. A turma de coadjuvantes também se destaca, principalmente Tony Shalhoub (astro da série Monk na qual ele já venceu vários prêmios como ator) e Steve Buscemi, ambos aparecendo em poucas cenas, mas deixando uma grande impressão para quem estiver atento a este aspecto.
Barton Fink recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1991, bem como os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Turturro). Também foi indicado a três Oscars e muito bem recebido pela crítica. Por motivos diversos, o filme arrecadou somente dois terços do seu orçamento estimado.

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Fontes:

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A festa de despedida (Israel, 2015)

Eu indico
A festa de despedida ("Mita Tova", Israel, 2015)

Um grupo de amigos em uma casa de repouso em Jerusalém constrói uma máquina de auto-eutanásia, a fim de ajudar um amigo em estado terminal. Quando os rumores sobre a máquina começam a se espalhar, mais e mais pessoas começam a se interessar pela ideia de partir dessa para uma melhor, e o grupo de amigos se questiona se o que estão fazendo é a coisa certa. Dirigido por Tal Granit e Sharon Maymon.

Dispositivo de uso fácil e indolor:
Este filme consegue tratar de um assunto como a eutanásia, forte e polêmico, de forma leve e divertida, mantendo a seriedade da coisa. Encontramos uma série de excelentes filmes sobre o assunto, como Mar Adentro (2005, de Alejandro Amenábar), Uma Primavera com Minha Mãe (2012, de Stéphane Brizé), entre outros. Mas essa produção israelense consegue, num filme curto (95 minutos), transmitir as questões essenciais sobre o assunto, com leveza e algumas cenas bem divertidas.
O elenco principal, composto de velhinhos, tem a sua parcela de mérito. Os personagens são bem interessantes e passam por algumas aventuras e situações engraçadas, após um deles, um inventor nato de bugigangas, construir uma máquina de auto-eutanásia. Assim, o grupo se forma para decidir pela escolha e empréstimo do dispositivo, com a melhor das intenções, já que muitos amigos estão em estado desacreditado e sofrível, e essa seria uma forma de acabar com seu sofrimento, sem deixar vestígios. Os personagens, por serem idosos, mostram uma certa atrapalhação, ou melhor, falta de habilidades, o que gera boa parte das cenas engraçadas. Entretanto, junto com isso, vem a experiência de vida de cada um, e suas atitudes são realistas e até admiráveis.
A história se passa num asilo em Jerusalém, local perfeito para criar a argumentação proposta, e mostra o dilema das pessoas quando escolhas difíceis precisam ser tomadas diante de situações difíceis. Também consegue mostrar o espaço e o dilema particular de cada um deles. É uma história fácil de assimilar e deve agradar à grande maioria dos espectadores.

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Fontes:

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

[ESPECIAL] Duas visitas privilegiadas

Ano passado tive a oportunidade de visitar a sala de projeção do Cinema do Museu, aqui em Salvador, Bahia. Muito legal observar e tentar entender as explicações do projecionista sobre como funciona o projetor de 35mm. Hoje em dia quase não existe mais este modelo de projetor, já que foi substituído aos poucos, desde 1999, pelo projetor digital, onde um filme cabe num HD externo.

Eu olhando a película de filme em 35mm, que passa
pelo projetor e se transforma em imagem em movimento
Agora uma breve explicação deste projetor de 35mm: para obtermos a sensação de movimento, precisamos ver uma sequência de imagens estáticas a uma velocidade mínima de 12 imagens por segundo. No cinema, essa velocidade é de 24 frames (imagens estáticas) por segundo. As películas de cinema são fitas que contém uma sequência de frames, que serão reproduzidas de forma que, a cada 1 segundo, 24 imagens sejam projetadas na tela. Ao lado dos frames fica a faixa de áudio, onde é gravado o som do filme, e nas bordas ficam os furos de tração, que se encaixam nos dentes de engrenagens (rodas dentadas) para movimentar a película pelo projetor.

Componentes básicos de um projetor
Projetor de 35mm

Já neste ano, aproveitei a ida a Nova York para conhecer um museu com coisas de cinema. Para quem é cinéfilo e tiver a oportunidade, recomendo visitar o Museum of the Moving Image, que fica no Queens. É o único museu nos Estados Unidos dedicado a “imagens em movimento”. Por isso, muitas exibições relacionadas a cinema pode ser vistas. Provavelmente é um dos melhores museus sobre cinema do mundo. Abaixo, algumas fotos que tirei no museu:

Exibição do filme O Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1927),
considerado o primeiro filme falado
Vários projetores antigos, evoluídos com o tempo
A boneca utilizada para a personagem em
O Exorcista (The Exorcist, 1973)
Cartazes de filmes mais antigos
Máquina para você criar sua própria animação
em stop motion
Uma das primeiras máquinas de exibição de filmes.
Na época, você pagava um níquel, encostava o olho e
girava a manivela para ver o filme passando
(à esquerda, provavelmente o primeiro filme do King Kong)
O ator James Jean (1931 - 1955), num
quadro com vários retratos de atores,
atrizes e diretores famosos
Para se guiar no museu
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Fontes:

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Love (França, 2015)

Eu indico
Love (França, 2015)

Murphy (Karl Glusman), é um estudante de cinema americano que mora em Paris. Lá ele conhece a jovem Electra (Aomi Muyock), com quem vive um amor profundo de dois anos que mudou sua vida. Agora, casado com outra (Klara Kristin) e com um filho, ele recebe uma ligação da ex-sogra, o que o leva a relembrar vários momento de sua relação. Dirigido por Gaspar Noé.

Sobre sexo e, sobretudo, o amor:
Grandes expectativas foram geradas quando anunciado este filme. O motivo? Seu diretor, Gaspar Noé, foi responsável por filmes controversos como Irreversível (2002) e Enter the Void (2009). Além disso, ele mesmo transmitiu que queria representar os “sentimentos” do sexo e a "dimensão orgânica” do amor neste novo trabalho. Para fechar, utilizou o formato 3D num filme com bastante conteúdo sexual explícito.
O filme tem cenas reais de sexo, ou seja, os personagens realmente transaram e, assim, todo o realismo está ali, assim como foi feito em filmes anteriores, como 9 Canções (Reino Unido, 2004), também postado neste blog:
http://eueatelona.blogspot.com.br/2014/06/9-cancoes-reino-unido-2004.html
Não é um filme pornográfico, é de fato um filme que fala do amor e suas complicações, através de adolescentes apaixonados que estão experimentando sensações e aprendendo com esse sentimento e com o sexo que, é claro, vem junto. O que o diretor queria passar é que eles não estão meramente fazendo sexo, eles estão fazendo amor. Essa é a chave para entender e valorizar o filme. Numa das experimentações relacionadas a sexo que os personagens vivem, é uma cena na qual participa uma transsexual brasileira (Stella Rocha), que na vida real vive mesmo em Paris.
E o 3D? Como na grande maioria dos filmes, não impressiona, embora exista uma cena de sexo que aproveita o recurso para dar mais uma despertada no expectador. Não tem como esquecer essa cena, que tem causado muitos comentários na mídia.
Para quem gosta também de filmes polêmicos, é uma boa pedida. Cenas de sexo explícito recheiam a trama, melhor ainda quando lindas atrizes estão no meio, uma da Suiça (Aomi Muyock) e outra da Dinamarca (Klara Kristin). A trama é contada como um flashback, através da narrativa introspectiva do personagem principal, que achei bem interessante. Noé parece ter se envolvido bastante com o trabalho, ele até emprestou seu sobrenome para um dos personagens, que se chama Gaspar.

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Fontes:

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Respire (França, 2014)

Eu indico
Respire (França, 2014)

Charlie (Joséphine Japy) tem 17 anos. A idade das paixões, das emoções, das convicções. Educada e bem-comportada, Charlie é imediatamente atraída por Sarah (Lou de Laage), a nova aluna da escola. Encantadora e de temperamento difícil, ela se aproxima de Charlie. Íntimas, as jovens dividem intimidades e segredos até que, um dia, seu relacionamento começa a mudar, podendo gerar consequências trágicas. Dirigido por Mélanie Laurent.

Respire fundo:
Mélanie Laurent encarou a direção deste grande filme depois de muitas experiências como atriz. Por exemplo, ela chegou a atuar em Bastardos Inglórios (2009, de Quentin Tarantino), Trem Noturno para Lisboa (2013, de Bille August) e O Homem Duplicado (2013, de Denis Villeneuve). Ela é uma lida atriz que não tem como não ser percebida nas telonas.
Este filme é baseado no romance da autora francesa Anne-Sophie Brasme e é um filme com um clima tenso e um desfecho sensacional. Pode entrar na lista dos melhores finais que eu já vi em filmes. Na história, após duas garotas se conhecerem na escola, a relação entre elas vai sendo transformada e o limite de sua liberdade vai se confundindo com a amizade. Charlie (Joséphine Japy) tem 17 anos e possui uma vida tranquila na escola até que surge Sarah (Lou de Laâge), animada e muito segura de si. Elas viram melhores amigas, começam a conviver demasiadamente juntas e compartilhar momentos e segredos. Até aí podemos identificar diversas situações semelhantes no mundo real. Mas a chave aqui são as consequências. O filme foca na amizade que é formada e nas atitudes de cada pessoa perante o limite que é atingido, principalmente o limite da tolerância. Discute como relações íntimas de amizade e dependência podem ser boas somente até certo ponto e o quanto, de fato, não conhecemos o outro tão bem quanto pensamos conhecer.
É um dos grandes dramas do cinema francês, com boas atuações e uma grande direção sobre um roteiro envolvente e surpreeendente. No final, alguns espectadores vão ficar sem ar, outros vão respirar melhor. Experimente e diga como foi contigo. Com nossa protagonista sofrendo de asma e com a última cena do filme, podemos dizer que há uma forte coerência do título com o resultado. Então, respire fundo até lá!

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Que mal eu fiz a Deus? (França, 2014)

Eu indico
Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu? (França, 2014)

O casal Verneuils tem quatro filhas. Católicos, conservadores e um pouco preconceituosos, eles não ficaram muito felizes quando três de suas filhas se casaram com homens de diferentes nacionalidades e religiões. Quando a quarta anuncia o seu casamento com um católico, o casal fica nas nuvens e toda a família vai se reunir. Mas logo eles vão descobrir que nem tudo é do jeito que eles querem. Dirigido por Philippe de Chauveron.

Uma divertida bofetada no preconceito:
A convivência com diferentes raças é uma situação até hoje curiosa, observada por muitos estudiosos. Também é uma temática na qual muitos filmes abordaram, normalmente filmes dramáticos. Além disso, é algo que gera muito conflito. A França lança essa comédia - muito divertida, por sinal - que lida com a situação sem causar ofensas e consegue levantar boas reflexões, sem perder o humor. A França é um país que convive com diversas etnias, então o diretor aproveitou o cenário e conduziu o filme com criatividade para mostrar situações engraçadas, advindas dessa situação. Nosso preconceito, muitas vezes sutil e camuflado, acaba sempre aparecendo de alguma forma, como acontece com o casal Verneuils e sua família. O casal é católico conservador e, como uma maldição, suas filhas se casaram com homens de diferentes nacionalidades e religiões. É o suficiente para causar um mundo de confusões, caras feias, ofensas e brincadeiras. O esforço do casal em nome da harmonia familiar chega a ser engraçado, pois eles não conseguem deixar se ser transparentes e esconder o descontentamento. Mas até eles serão transformados nesse processo, para melhor.
O filme se destaca por mostrar que todos os personagens possuem algum grau de preconceito. Essa mistura de culturas na telona e os conflitos que aparecem com a convivência é bem interessante. Imagine um jantar de família com pessoas de tudo quanto é origem. Não há preferência por uma cultura específica, religião ou qualquer coisa. O lado bom e ruim de cada uma é manifestado e o recado é a boa convivência e um viva à diversidade. São mostradas as vantagens desse tributo à diversidade, o que podemos aprender com diferentes culturas e perceber como podemos nos identificar com alguém que parecia ser tão diferente.
As piadas não são ofensivas, apesar de que o filme consegue chocar, em seu propósito, e isso é bom. Os atores estão numa sinergia muito boa, com destaque para Christian Clavier, que interpreta o pai da família, Claude Verneuil. Desde a primeira cena ele é hilário com suas caras e bocas e mais ainda com seus comentários, além de uma grande atuação. Podemos dizer que é uma das melhores comédias dos últimos tempos, que consegue lidar com uma situação séria de forma criativa, causando reflexão e uma boa sensação no todo.

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Goodnight Mommy (Áustria, 2015)

Eu indico
Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh, Áustria, 2015)

No calor do verão, uma casa isolada no campo, entre bosques e campos de milho. Gêmeos de dez anos de idade esperam por sua mãe. Quando ela volta, com a cabeça envolta em ataduras após uma cirurgia plástica, nada é como era antes. Severa e distante, ela fecha a família para o mundo exterior. Começando a duvidar que esta mulher é realmente sua mãe, os meninos estão determinados a encontrar a verdade de qualquer maneira. Dirigido por Severin Fiala e Veronika Franz.

Elias e Lukas:
Eu, brasileiro, tive a oportunidade de escolher somente um filme para assistir em Nova York, queria muito conhecer algum espaço de cinema nos EUA. Escolhi o Elinor Bunin Munroe Film Center, no Lincoln Center, em Manhattan, que é tipo sala de arte, passando filmes estrangeiros. Dessa forma, apesar da língua falada no filme escolhido ser a alemã, as legendas em inglês foram suficientes para entendimento pleno... e a escolha do filme foi certeira.
Há quem diga que este é o filme de terror mais assustador do ano. Na verdade, o filme alterna entre o drama e o suspense, inclusive trás à tona uma boa discussão sobre relacionamentos familiares e a importância de cuidar bem dos filhos após a ocorrência de um trauma. A Áustria anunciou que este será o seu representante para o Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro. Só espero que passe logo pelas salas do cinema nacional, pois merece muito ser assistido.
Na trama, mãe e dois filhos (gêmeos) estão isolados numa residência em meio a árvores e plantações de milho. Ela sofreu uma cirurgia plástica no rosto, sua aparência coberta de ataduras dá um ar assustador e seu comportamento com os filhos parece severo e questionável. Então, a relação entre eles vai ficando cada vez mais tensa. Alguns fatos recentes observados pelos garotos faz com que eles suspeitem se de fato ela é sua mãe verdadeira. Daí em diante não dá para contar, só deixar o registro de que a trama fica carregada de mistério, suspense, expectativas sobre a verdade e, claro, cenas bem fortes.
O elenco é formado por Susanne Wuest, Elias Schwarz e Lukas Schwarz. Ela simplesmente é chamada sempre de “mãe” (mommy), então não sabemos o seu nome e essa deve ser uma forma que os diretores encontraram para universalizar o papel de mãe. Os garotos emprestaram o seu primeiro nome de verdade para os personagens (os atores se chamam Elias e Lukas mesmo).
O filme é carregado de mistério, os cineastas decidiram disponibilizar poucas explicações durante a trama, nos deixando somente ser levados pelas cenas. Um ponto muito forte é a fotografia, quanto mais com grandes paisagens da floresta e da própria casa que é um espetáculo. Mas o ponto de maior destaque é a forma como foi transportada para as telas essa discussão sobre a relação familiar, as consequências de desentendimentos e desconfianças - muitas vezes como reação após um trauma - e a agressividade resultante dessa desconfiança, quanto mais num ambiente isolado. A dupla Severin Fiala e Veronika Franz mistura tudo isso com algumas cenas que se aproximam do macabro. Como os dois garotos e a mãe precisam conviver quase o tempo inteiro juntos, ficamos sempre na expectativa de como um vai tratar ou reagir a uma ação do outro.
Aguarde um final impactante e difícil de ser previamente descoberto, apesar de que existem algumas pistas durante a trama, assim como outras que são estratégias para nos confundir um pouco. Particularmente, gosto muito de ser surpreendido pelos finais dos filmes, o que foi o caso.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Delta de Vênus (1995)

Eu indico
Delta of Venus (EUA, 1995)

Na procura de uma matéria provocante, Elena, uma jovem escritora, parte numa aventura excitante e exótica na cidade de Paris, onde suas fantasias se tornam realidade, acordando-a para seu próprio poder sensual e seus desejos. Dirigido por Zalman King.

Elena:
Anais Nin escreveu o livro Delta de Vênus em 1978, que lida com diversos temas sexuais, do ponto de vista da mulher, sendo a escritora bem elogiada por conseguir ir além da pornografia. O filme de 1995 é uma adaptação desta obra, dirigido por Zalman King que é conhecido por outros filmes nesta mesma proposta, cujos títulos dizem tudo: Orquídea Selvagem (1989), Um toque de Sedução (1988), 9 1/2 Semanas de Amor (1986). Este último ele não dirigiu, mas participou da produção.
A obra erótica de Anais Nin é traduzida para as telonas de forma ousada, com muitas cenas explícitas e interessantes. Então, não deixe de conferir a versão sem cortes e tenha a mente aberta, que é uma característica marcante nos leitores fãs de Anais Nin. A crítica ao filme foi fervorosa, muitos defendem que foi uma traição à obra da escritora. Enfim, às vezes é melhor desassociar uma coisa da outra e aproveitar o filme, que é bem legal.
No filme, a escritora americana Elena (Audie England) se envolve com um romancista francês (Costas Mandylor) num relacionamento ardente. Mas isso é só o começo de tudo que o filme vai oferecer. O clima da 2ª Guerra Mundial chegando só intensifica, talvez, a vontade de Elena em aproveitar a vida e expandir suas experiências sexuais, sem perder de vista a busca pela paixão. Vários contos do livro são vivenciados no filme pela protagonista. E nada melhor do que a cidade de Paris para servir de palco.
Com certeza vala a pena conferir a atriz Audie England, que interpreta Elena, linda, charmosa, muito sensual e sem problemas para encarar este papel difícil. Talvez o maior mérito do filme seja ela. A atriz tinha 23 anos na época do filme e, a partir deste, ela atuou em outros filmes até 1999.
Aproveitando o tema, vale a pena conferir a lista dos vinte grandes filmes picantes (com conteúdo sexual significativo, mas sem se perder no enredo) que selecionei com uns amigos e publiquei no final da postagem abaixo:

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Desaparecimento de Eleanor Rigby (EUA, 2013)

Eu indico
The Disappearance of Eleanor Rigby: Him (EUA, 2013)

Eleanor (Jessica Chastain) e Connor (James McAvoy) são dois jovens recém-casados que vivem em Nova York, EUA. Eles são felizes, até que algo muda tudo. Resta-lhes procurar as peças que lhes permitam reconstruir aquele passado ou conseguir seguir em frente. Dirigido por Ned Benson.

Ele e ela:
Posso dizer que este é um dos melhores filmes românticos de 2013, que no Brasil recebeu o nome de “Dois Lados do Amor”, impróprio na minha opinião. Não se trata de uma história de amor perfeita, mas realista e bem desenvolvida. Com uma interpretação muito boa de James McAvoy e Jessica Chastain (umas das minhas atrizes preferidas), é um filme que aborda o sentimento entre o casal e suas reações perante à mudança que terão que enfrentar. Muito bom mostrar o ponto de vista de cada um dos protagonistas, afinal, existe mais de uma versão deste filme: a versão do ponto de vista dele (him), a dela (her) e a de ambos (them). Até o momento, vi somente a versão do Connor: “The Disappearance Of Eleanor Rigby: Him”. Com certeza verei as outras duas em breve.
Ele, um cara centrado, se assusta com a decisão de afastamento por parte da esposa, e busca primeiro retomar a relação e, depois, seguir em frente. Ela, busca na fuga uma possível solução para seu sofrimento. A versão dele é suficiente para mostrar o grande resultado dirigido por Ned Benson, que nos mostra um filme legal a partir de um roteiro simples, cada personagem lidando com uma situação difícil e tomando o seu caminho e encontrando a si mesmo. Também é um filme que mostra boas tomadas das ruas de Nova York, a cidade que nunca dorme.
Mesmo diante da incerteza do que vem pela frente – afinal assim é a vida – o final é reflexivo e esperançoso, podendo agradar tanto a casais, quanto a qualquer pessoa que assista sozinho. Afinal, consegue ser abrangente em sua proposta. Essa fórmula, separando os pontos de vista em filmes distintos, consegue mostrar o quanto é importante nos colocarmos no lugar do outro e não julgar de cara as ações de uma pessoa.
Os coadjuvantes também foram acertados, já que ninguém acaba ficando solto dentro da história, ainda mais com a ótima interpretação de Ciarán Hinds (faz o pai de Connor, um sujeito interessante) e Viola Davis, que aparece na versão de Eleanor (que eu não vi, porém essa atriz dispensa comentários). São personagens que, cada um do seu jeito, dão um suporte emocional aos protagonistas, que é um papel que os coadjuvantes de nossa vida (pais, professores, amigos) fazem tanto por nós.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Na Estrada (On The Road, 2011)

Eu indico
On The Road (Brasil / França / Reino Unido / EUA / Canadá, 2011)

Nova York, Estados Unidos. Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que acaba de perder o pai. Ao conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund) ele é apresentado a um mundo até então desconhecido, onde há bastante liberdade no sexo e no uso de drogas. Logo Sal e Dean se tornam grandes amigos, dividindo a parceria com a jovem Marylou (Kristen Stewart), que é apaixonada por Dean. Os três viajam pelas estradas do interior do país, sempre dispostos a fugir de uma vida monótona e cheia de regras. Dirigido por Walter Salles.

Road movie sobre a geração beat:
Walter Salles (de Diários de Motocicleta), brasileiro, encara mais uma direção nesta produção predominantemente americana para mostrar o movimento da geração beat dos anos 1950. Em 2012, o filme estreou na competição para a Palma de Ouro no Festival de Cannes de no Festival Internacional de Cinema de Toronto.
No período pós-guerra, muitos jovens americanos, contestadores, buscavam entender melhor o mundo e quebrar o conservadorismo, gerando uma sociedade mais livre e democrática. Kerouac, na época um escritor iniciante, resolveu atravessar de carona os EUA, de leste a oeste. Suas experiências foram anotadas como em um diário (rolo de papel telex), não havia espaço e nem comodidade para uso de máquina de escrever. Dessa forma, Jack Kerouac publicou o seu livro “On The Road - Pé na Estradae mostrou essa geração beat, através de suas aventuras com o companheiro de viagem Neal Cassady.
O filme adapta essa obra e toca muito num ponto importante, que é a amizade, até que ponto essa libertinagem pode implicar em ferir uma relação. Isso fica muito claro no relacionamento entre os personagens principais, o jovem escritor Sal Paradise, o jovem libertário Dean Moriarty e sua namorada de 16 anos (interpretada por Kristen Stewart, da saga Crepúsculo). Eles cruzam o país quebrando todos os limites possíveis, rodeados de sexo, drogas e jazz. O contagiante personagem Dean Moriarty (do filme), assim como Neal Cassady (do livro), é uma pessoa com grande energia para a vida e acaba transformando a vida de Sal Paradise. Existem outros personagens importantes que também se libertam do conformismo e buscam seus próprios caminhos, servindo de exemplo para as gerações seguintes.

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