Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Qualquer Custo (2016)

Eu indico
Hell or High Water (EUA, 2016)

Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, estão para perder a fazenda da família no oeste do Texas e decidem assaltar bancos como uma chance de se reestabelecerem financeiramente. Só que, no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los. Dirigido por David Mackenzie.

Ladrões:
David Mackenzie é mais um diretor que não deixa a desejar. Esse filme é um drama bem sólido, no estilo western, só que mais para a atualidade, isso porquê a atmosfera de alguns locais no estado do Texas ainda passa a ideia de lugares meio esquecidos no tempo. Ainda existem rixas, roubos a banco como em qualquer lugar. Mas no interior do Texas, o clima de faroeste é permanente no filme. E existe claramente a busca por uma vida melhor, mais digna, menos pobre. E se não for para você, que sejam para os seus filhos, como é o caso do personagem interpretado, com maturidade, pelo ator Chris Pine.

Fui pobre minha vida toda.
Meus pais também, assim como os pais deles.
É como uma doença... passada de geração em geração.
Vira um mal, isso sim.
Infecta todos que você conhece.
Mas meus filhos, não.
Não mais.”

A casa da família está prestes a ser tomada por um banco por conta de um empréstimo antigo. Talvez os grandes ladrões no filme sejam os bancos, isso fica meio evidente apesar de que, o que vemos, são grandes assaltos aos bancos que, em certo ponto, ficam violentos. As vítimas desses assaltos, clientes do banco e funcionários, ficam chocadas e reagem, algumas violentamente, o que é normal já que cada um está olhando para o seu umbigo. Cabe ao espectador analisar a situação dos irmãos texanos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) que estão realizando os assaltos. O drama western fica melhor ainda quando entra em cena Jeff Bridges para equilibrar a história, perfeito como o investigador texano quase aposentado que vai combater os foras-da-lei. O drama envolve proteção familiar, vingança e uma boa crítica sobre oportunidades que são tiradas das pessoas menos favorecidas para que uma minoria viva melhor. O diálogo do investigador com a garçonete do bar que simpatiza com um dos ladrões evidencia bem essa questão. É o que sabemos: inferno para alguns e bastante água para outros, como o título original do filme (Hell or High Water).
Cada personagem tem seu drama e suas motivações. Toby é discreto e busca um futuro melhor para seus filhos, mas Tanner demonstra ser descontrolado, possui antecedentes criminais, embora embarque nessa aventura para ajudar o irmão. E Marcus Hamilton (Jeff Bridges) aparece para se fazer cumprir a lei.
O filme também tem uma cara de road movie, por conta das cenas de viagem em estrada, necessárias para a realização dos assaltos. A fotografia mostrando cenários do Texas, áreas desertas e desérticas, é impagável, um show a parte para quem curte esse cenário e o clima que deixa. A fotografia é de Giles Nuttgens.

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Fontes:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Chegada (2016)

Favoritos
Arrival (EUA, 2016)

Quando seres interplanetários chegam na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para estabelecer comunicação e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade. Dirigido por Denis Villeneuve.

Ficção para pensar:
Assistir a uma ficção científica como esta é uma experiência de vida. A palavra ficção - ato ou efeito de fingir; fingimento; elaboração; criação imaginária, fantasiosa ou fantástica; fantasia – nos remete a coisas fora da realidade. Porém, esse filme usa desse conceito e acaba sendo extremamente realista, humano, justamente num momento onde o mundo precisa receber esse tipo de mensagem. Que bom que o diretor canadense Denis Villeneuve acertou mais uma vez, depois de excelentes filmes como Incêndios (2010), Os Suspeitos (Prisoners, 2013), O Homem Duplicado (Enemy, 2013) e Sicario: Terra de Ninguém (2015). Melhor ainda saber que ele será o cineasta a dirigir Blade Runner 2, previsto para 2017, próximo ano.
Em A Chegada, contamos com a grande atriz Amy Adams em mais uma ótima performance. Ela é a Dra. Louise Banks, uma linguista convocada pelo governo americano para um grande desafio incomum: dialogar com alienígenas de uma das doze naves que pousaram no planeta terra. O roteiro parece simples, mas principalmente no clímax vemos como o filme é original e grandioso. Não pretende ficar mostrando muitas cenas de ação, com guerras insanas entre a humanidade e alienígenas; ele é focado no diálogo entre os seres, sendo que existe um clima tenso e muito mistério, pois não se sabe as intenções dos seres extraterrestres. No cartaz do filme tem a pergunta que não quer calar: “Por que eles estão aqui?”.
Não é preciso dizer que a resposta é mais do que uma simples e óbvia resposta, pois o filme nos leva a grandes mensagens em torno dessa proposta de que a comunicação efetiva pode ser a solução para muitos problemas. Mais ainda, sobre entender o próximo e compreender a si mesmo. Tem também um apelo para a questão da união entre os povos, esforço coletivo em busca de um mesmo objetivo, mas que deve ser um objetivo de paz. A ficção e drama se unem para nos deixar um filmaço, que agrada pelas cenas de contato com os seres e todo o mistério que ronda isso, assim como pela parte dramática, relacionamentos, família.
Junto a tudo isso temos a belíssima trilha musical de Jóhann Jóhannssson, providencial, até sinistra em alguns momentos. Atuações, principalmente da Amy Adams, roteiro e montagem são também pontos fortes. O filme tem alguns flashbacks que parecem soltos, mas depois tudo se encaixa se você compreender a mensagem em relação à questão do tempo.
Recordei do filme Contato, de 1997, mais uma grande ficção, de Robert Zemeckis com Jodie Foster e Matthew McConaughey, no qual existe um primeiro contato com uma inteligência extraterrestre e uma cientista que tenta entender a mensagem. Ambos os filmes deixam uma bela mensagem para a humanidade, e este A Chegada é, sem dúvida, uma das melhores ficções científicas já feitas e um dos grandes filmes deste ano de 2016.

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Fontes:

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Frances Ha (2012)

Eu indico
Frances Ha (EUA, 2012)

Frances (Greta Gerwig) divide um apartamento em Nova York com Sophie (Mickey Sumner), sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Entretanto, a amiga não toma a mesma atitude quando surge a oportunidade de se mudar para um apartamento melhor localizado. A partir de então Frances parte em busca de um novo lugar, já que ela é apenas aluna em uma companhia de dança. Mesmo diante das dificuldades, Frances tenta manter o alto astral diante dos problemas que a vida adulta traz. Dirigido por Noah Baumbach.

Frances Halladay:
No que você é bom? Quais suas metas nesta vida? Você está realizando seus sonhos? Não sabe que rumo deve tomar? Frances é uma jovem que trabalha como assistente numa companhia de dança e divide o apartamento com sua melhor amiga em Nova York. Ela não se considera boa o suficiente para se tornar uma dançarina. E ela também se questiona sobre o seu rumo. A personagem, bem carismática e lindamente interpretada pela atriz Greta Gerwig, representa uma realidade quase universal de jovens enfrentando a vida adulta e procurando se estabelecer financeiramente, psicologicamente, enfim.
A atriz Greta Gerwig dificilmente terá um papel superior a este no cinema. Engraçado que, num filme posterior, chamado Mistress America (2015), ela faz um papel que lembra bastante a personagem Frances, neste sentido de ser apaixonada pela vida e correr atrás de seu sonho, talvez até menos ingênua que a primeira, mas com a mesma trajetória. Parece que este outro filme foi uma pequena homenagem ao primeiro, até porquê contém a mesma atriz, mesmo diretor, que juntos assinaram ambos os roteiros, e se passa na mesma cidade de Nova York, palco perfeito para mostrar as desventuras de jovens que moram e tentam ganhar a vida e se realizar numa cidade grande. A vida adulta está chegando e Francis, apesar de não parecer ter perspectivas de melhora, decide encarar a vida com um otimismo incomum. As coisas podem dar errado, mas ela tenta se divertir no processo. A cena de Paris como uma viagem de supetão, para ficar na casa de pessoas que ela nem conhece direito, é interessantíssima.
O filme em preto e branco deixa uma atmosfera banaca. É um filme curto e cativante, com direto a uma cena sensacional na qual a personagem corre pelas ruas de Nova York e a música Modern Love, de David Bowie, diz tudo o que precisa para combinar com o filme. Frances Ha é sensível, divertida, e procura aceitar que seus sonhos talvez não se concretizem, mesmo assim de maneira otimista.
Aqui deixemos uma passagem do filme Mistress America (2015):

"Ela era o último caubói, uma romântica fracassada
O mundo mudava e pessoas como ela não teriam para onde ir
Ser uma luz de esperança para os outros é um trabalho solitário."

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Fontes:
http://www.teoriacriativa.com/somos-todos-frances-ha/

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Hanami – Cerejeiras em Flor (Alemanha, 2008)

Eu indico
Hanami (Kirschblüten, Alemanha, 2008)

Quando descobre que seu marido tem pouco tempo de vida, Trudi não sabe se deve contar a ele a verdade. Em vez disso, ela decide planejar com Rudi uma viagem, para que aproveitem bem estes últimos momentos juntos. Sonhando conhecer o Japão, país pelo qual é apaixonada, a mulher decide que este será o destino do casal, mas que antes eles irão até Berlim, para fazer uma última visita a seus dois filhos que moram lá. Dirigido por Doris Dörrie.

Hanami:
A vida é cheia de surpresas e quase ninguém está preparado para a morte. As pessoas brincam quando perguntam o que você faria se soubesse ter pouco tempo de vida. Hanami – Cerejeiras em Flor discute essa questão, o saber aproveitar a vida, por ela ser efêmera e também cheia de prazeres. Mais isso na verdade é muito pouco do que o filme representa, indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008 e exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Um prazer, preferido da maioria, é o prazer de viajar e conhecer lugares exóticos. Neste aqui, existe a vontade de Trudi em sentir a cultura japonesa, andar por entre as deslumbrantes cerejeiras brotadas em flor e encarar mais de perto o Monte Fuji e toda a energia e magia que este guarda. Acaba que a viagem não ocorre exatamente como eles imaginavam, a começar pela visita aos filhos antes da viagem ao Japão. Os filhos, sempre ocupados e tratando os pais como visitas não esperadas, nos mostram o quanto devemos ser mais próximos e cuidados com nossos familiares, cada vez mais, principalmente com os mais velhos, que provavelmente estão mais perto de partir do que nós. A viagem ao Japão acaba também sendo muito diferente do esperado, por conta da ocorrência de um fato mais inesperado, mudando o cenário do filme. É onde a obra mostra o potencial que tem. Aqui vou revelar o fato que se encontra na maioria das sinopses deste filme e ocorre logo no início, então acredito que não comprometa muito, mas é melhor avisar antes e deixar o leitor decidir.
Antes de ir ao Japão, quem acaba falecendo de repente é Trudi, a esposa. Ainda sem saber que também tem pouco tempo de vida, Rudi decide fazer uma homenagem à ela, então continua com os planos e vai até o Japão. Lá, após algumas interessantes desventuras de um turista despreparado, ele conhece uma jovem, daquelas artistas de rua orientais e essa amizade acrescenta a ambos. Rudi então percebe os sacrifícios que sua mulher havia feito por ele. O melhor de tudo é o caminho, a trajetória, enquanto busca os destinos no Japão que a esposa faria. Porque nele, personagens conhecem outros personagens, outra cultura, outra identificação e forma de viver. E isso tudo faz parte do melhor da vida. O filme possui um final, na minha visão, perfeito, muito sensível e bonito, comovente até para os corações de pedra.

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Fontes:

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Embriagado de amor (EUA, 2002)

Eu indico
Punch-Drunk Love (EUA, 2002)

Embora suscetível a ataques violentos, o empresário Barry Egan é um homem tímido que leva uma vida solitária e tranquila. No entanto, vários eventos ocorrem e mudam sua vida, como apaixonar-se por uma colega de trabalho da sua irmã, Lena Leonard. Porém, o romance é ameaçado quando Egan é vítima de um chantagista. Dirigido por Paul Thomas Anderson.

Romântico ao estilo Paul Anderson:
Finalmente gostei da atuação de Adam Sandler num filme, e que bom que não é uma comédia! Embriagado de Amor faz jus ao seu título, pois nos mostra um amor irracional e crível, verdadeiro mesmo, entre um homem e uma mulher. O melhor é que isso é mostrado numa narrativa não convencional, com uma fotografia diferenciada, a câmera naqueles planos mais longos e uma música repetitiva em alguns momentos. Desde o início da trama vemos que a narrativa não é mesmo convencional.
Adam Sandler está num papel interessantíssimo, uma pessoa excêntrica e ao mesmo tempo, interessante. Personagem único. Finalmente ganhou um papel maduro e sua interpretação lhe rendeu um Globo de Ouro. Dá para se divertir em outros filmes com ele, como Little Nicky (2000) e O Rei da Água (1998), que são comédias não convencionais e agradáveis. Mas este, sem dúvida, foi um marco para este ator e mais um ganho para um bom diretor, que tem filmes como Boogie Nights (1997) e Magnólia (1999) em seu currículo. Por este filme, ele ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes. E para fechar, conta com uma das minhas atrizes preferidas, a Emily Watson, que está competente como sempre!
A história mostra um amor verdadeiro que surge entre duas pessoas, sendo que, reforço, a trama é não-convencional e por isso mesmo, interessante. Com um pouco de atenção, percebemos elementos importantes que marcam uma verdadeira paixão: defender a amada de perigos, a cumplicidade marcante entre os dois (que Barry Egan não conseguia com ninguém, nem com pessoas próximas de sua família), aquele momento tenso até o primeiro beijo, o revelar-se verdadeiramente ao outro, a confiança, a compatibilidade mesmo com as diferenças e uma coisa legal: a iniciativa por parte da mulher… enfim, encare de coração aberto um filme que mexe com o coração.
O roteiro começou a ser escrito depois que o diretor Paul Anderson conheceu a história real deste norte-americano que ganhou milhagens infinitas comprando pudim (isso realmente aconteceu e eu não sabia quando vi o filme). A trilha sonora é de Jon Brion, o mesmo de Magnólia, o que já diz muita coisa. O resultado é um filme verdadeiramente romântico, traduz bem o que de fato é um romance, e não um romance daqueles passageiros.

Lista de filmes românticos:
Aproveito e deixo aqui uma bela lista de grandes filmes românticos que me marcaram:
- Aurora (EUA, 1927):
- Desencanto (Reino Unido, 1945):
- As Pontes de Madison (EUA, 1995);
- A Letra Escarlate (EUA, 1995);
- Amor Maior que a Vida (EUA, 2000);
- Embriagado de amor (EUA, 2002);
- Diário de uma Paixão (EUA, 2004);
- Paixão a flor da pele (EUA, 2004)
- Querido John (EUA, 2010);
- Sentidos do Amor (Reino Unido, 2011) :
- A Espuma dos Dias (França/Bélgica, 2013):
- Dois Lados do Amor (2013):

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Fontes:

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Corte (França, 2016)

Eu indico
L'Hermine (França, 2016)

Michel Racine (Fabrice Luchini) é um juiz rígido e impiedoso, conhecido pela atitude extremamente profissional nos tribunais. Isso muda quando a jurada de um de seus casos é Ditte Lorensen-Cotteret (Sidse Babett Knudsen), uma mulher por quem foi perdidamente apaixonado muitos anos atrás, mas que o abandonou. Dirigido por Christian Vincent.

Tribunal:
Assisti poucos filmes que envolvem tribunal, julgamento pela lei. Me recordo de excelentes produções:
- 12 Homens e uma Sentença (1957, de Sidney Lumet);
- O Sol é Para Todos (“To Kill a Mockingbird”, 1962, de Robert Mulligan), neste blog:
- O Homem Que Fazia Chover (1997, de Francis Ford Coppola);
- Tudo o que Desejamos (França, 2011, de Philippe Lioret), também neste blog:
Agora, acrescento a essa pequena lista, o recente filme francês A Corte. O filme alterna entre cenas dentro e fora de um tribunal, e possui alguns aspectos cativantes. O primeiro deles é facilmente perceptível, que é o personagem principal em si, um juiz competente, que para nossa sorte foi interpretado esplendidamente pelo ator Fabrice Luchini, premiado então como melhor interpretação masculina no Festival de Veneza de 2015. O mesmo festival premiou este filme como melhor roteiro (do próprio diretor Christian Vincent).
É fácil acreditar, de cara, que este juiz possui somente uma personalidade rígida e postura firme, que são atributos importantes para o seu ofício. As pessoas comentam logo sobre ele, antes do julgamento começar, e não temos até então maiores informações. Todos têm medo dele, é um juiz casca grossa. Porém, é aos poucos que vamos percebendo o quanto ele é uma pessoa justa, que segue a lei e faz com que os seus assistentes a sigam. Como se já não bastasse encantar por isso, o filme em determinado momento vai mostrar uma pequena fragilidade do protagonista diante dos sentimentos que ele guarda por alguém, uma mulher por quem foi apaixonado (Sidse Babett Knudsen, que está linda e também ótima no filme). O destino faz com que eles se cruzem novamente, só que durante um julgamento. O envolvimento dos dois vai se desenrolando ao mesmo tempo em que o julgamento vai avançando, mas as coisas são bem sutis, existem pouquíssimos vestígios de sentimento entre eles e é interessante como isso não prejudica a andamento dos seus trabalhos. É importante ver como a postura e firmeza do juiz continuam presentes para que a lei seja aplicada corretamente.
Um julgamento, como o próprio nome diz, parte de suposições, observações e decisão, pois nem sempre a verdade será relevada e é necessário aplicar a sentença. Muito interessante presenciar esse drama principalmente do ponto de vista de um personagem inteligente, justo e humano. É um drama que nos apresenta a um tribunal, com seus elementos visíveis e seus bastidores, mas também possui aquela leve pitada de romance e humor. E tudo isso traça uma certa identidade na obra que a deixa cada vez mais realista e cada vez mais agradável. Um tribunal de justiça e o que ocorre fora dele nos é apresentado como uma corte, onde conduta e comportamento das pessoas estão sendo observados e julgados por outras com base no que se acredita ser o correto, a etiqueta. Vemos no tribunal as relações hierárquicas, as repetições obrigatórias, o tempo de cada um falar, como se dirigir ao advogado e ao juiz, a seleção dos jurados, etc. Mas o melhor de tudo é como se mantém a moralidade implacável do personagem principal e seus conflitos diante de tudo que ele está passando em sua vida pessoal.

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Fontes:

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers, 1985)

Eu indico
Explorers (EUA, 1985)

Tudo com o que Ben Crandall (Ethan Hawke) sempre sonhou torna-se real quando, com a ajuda de seus amigos Wolfgang Müller (River Phoenix) e Darren Woods (Jason Presson), além da sua imaginação, ele se lança na descoberta de uma nave espacial em seu laboratório. Os três jovens garotos vêem então cada vez mais próxima a oportunidade de fazer a viagem interplanetária que sempre desejaram. Dirigido por Joe Dante.

Filme anos 80:
Muita gente entende quando se fala que os filmes da década de 80 possuem um atmosfera especial. Recentemente isso foi resgatado com a série Stranger Things (2016), mas antes disso conferimos algumas produções feitas nessa nossa década atual e que lembram filmes da década de 80; um exemplo disso é Super 8 (2011, de J. J. Abrams com produção de Steven Spielberg).
Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers) foi um dos filmes que inspirou cenas de Stranger Things, então resolvi conferir o mesmo recentemente, pois não lembrava de tê-lo visto quando criança. De cara é interessante ver o grande ator Ethan Hawke estrelando um filme quando era uma criança. Este foi o seu primeiro filme e, quatro anos depois, ele participou de Sociedade dos Poetas Mortos (1989).
Apesar de não ser tão conhecido quanto os demais filmes que inspiraram a série supracitada, Explores é bem recomendado. Não só pela nostalgia, mas porquê os efeitos são legais e os personagens, carismáticos, o que vai de acordo com características dos filmes anos 80. Temos até uma cena divertida num cine drive in, muito popular na época. É uma aventura infantil que mexe com os nossos sonhos quando criança. E o filme vai melhorando com o passar das cenas, principalmente quando os garotos finalmente conseguem ter contato com uma raça extraterrestre que, acredite, será bem diferente do que estamos acostumados em outros filmes onde é estabelecido este tipo de contato. É irreverente, despretensioso, bem bacana e passa o seu recado à humanidade.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Enter the void (França, 2009)

Eu indico
Viagem alucinante (França, 2009)

Óscar é um traficante de drogas em Tóquio e sua irmão, Linda, trabalha numa boate como striper. Uma noite, Óscar é apanhado numa batida policial e acaba sendo baleado. À medida que morre, o seu espírito, fiel à promessa que fez à sua irmã enquanto criança - que nunca a iria deixar - recusa-se a deixar o mundo dos vivos e passa pelos vários estágios da morte, conforme descritos no "Livro Tibetano da Morte". Dirigido por Gaspar Noé.

A morte segundo Gaspar Noé:
Definitivamente, este não é um filme fácil. Para muitos, difícil de assistir; para outros, difícil de gostar. Tendo como referência Irreversível (2002), que já causou bastante polêmica, Gaspar Noé parece, acredito que intencionalmente, causar reações diversas nos espectadores que encaram seus filmes... ou tentam. Ele dirigiu poucos filmes, até então somente quatro, mas cada um deles causou fortes reações e a maioria recebeu indicações importantes em premiações internacionais. Gostei bastante do último, Love (2015), que também postei neste blog:
https://eueatelona.blogspot.com.br/2015/10/love-franca-2015.html
Assim como em “Irreversível”, este filme “Enter the void” possui uma fotografia, digamos, louca (original). Partir da estratégia de câmera em primeira pessoa não seria novidade alguma. A questão é que o personagem principal vai para o além logo no início do filme e aí o jogo de câmera fica bem original. Nos sentimos como uma alma penada em agonia, pois estamos do ponto de vista de uma pessoa que acaba de morrer. Sobre a morte, de acordo com o "Livro Tibetano da Morte", a explicação nos é dada logo no início do filme e essa teoria vai sendo mostrada na prática, só que de forma bem lenta. Muitas cenas parecem a transfiguração de uma mente alucinada, sob efeitos de drogas, ou como em um sonho. As imagens e o som são perfeitos para a proposta.
O título em português ficou Viagem Alucinante. De fato, é uma grande viagem metafisica que explora a vida após a morte, de uma forma bem depressiva, chegando a ser agonizante, mas de acordo com o livro tibetano. A alma de Óscar paira sobre aqueles que lhe são próximos e estão vivos, em alguns momentos ele passa por uma retrospectiva com o seu passado. A câmera é conduzida em planos vistos de cima para baixo. Parece que esse ambiente pós morte casa direitinho com a realidade de uma Tóquio bem decadente. Apesar de não ser um filme leve e para qualquer ocasião, a conclusão da trama não chega a ser triste, dependendo da apreciação do espectador. Enfim, recomendo encarar esse filme que possui longa duração, mas também é extremamente interessante.

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Fontes:

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Último Boy Scout (EUA, 1991)

Eu indico
The Last Boy Scout (EUA, 1991)

Los Angeles. Um ex-segurança presidencial, Joseph Cornelius "Joe" Hallenbeck (Bruce Willis), que já salvou a vida do chefe da nação, é agora um mero detetive particular. Ele é contratado por uma garota a pedido de seu parceiro e, logo depois, seu parceiro e a garota são assassinados. O namorado da garota, James Alexander "Jimmy" Dix (Damon Wayans), um ex-astro do futebol americano que foi expulso da liga por usar substâncias ilícitas, se une a Joe para investigar por qual motivo ela foi morta. Dirigido por Tony Scott.

Ninguém gosta de você. Todos te odeiam”

Bruce Willis e a ação hollywoodiana:
Bruce Willis é um dos melhores atores de ação do cinema. Principalmente no papel de policial, ele é imbatível. Todos temos como referência Duro de Matar, o primeiro, de 1988, que praticamente elevou os filmes de ação em ambiente fechado e introduziu John McClane como um dos melhores policiais fictícios. Mas este outro filme, O Último Boy Scout, mesmo seguindo as mesmas fórmulas de filmes do gênero, não teve o mesmo sucesso que o primeiro. E é por isso que eu recomendo conferir a este ótimo filme americano de ação da década de 90.
Há bastante semelhança entre John McClane e Joe Hallenbeck, personagem principal interpretado pelo próprio Bruce Willis. Ele é brincalhão, inclusive com os bandidos, possui raciocínio rápido para sair de situações complicadas, é duro de matar e possui um bom coração. A princípio, vemos Joe como um bêbado quase decadente, que não consegue agradar a esposa, nem a filha, aponto de ser traído pela esposa na própria casa (até com isso ele faz uma piada no filme). Mas logo diante de uma situação séria, ele mostra ser um grande herói, ele demonstra aquele verdadeiro espírito de escoteiro, tão raro hoje em dia inclusive em policiais da vida real. Daí o nome do filme, o último escoteiro (boy scout). Mas o que chama a atenção mesmo é a quantidade de porrada que ele leva, sangue que mancha seu rosto e camisa, mas ele sempre se levanta. É quase uma maldição para ele também no filme Duro de Matar (em todos os cinco filmes). Chega a ser divertido para o espectador.

Ninguém gosta de você. Todos te odeiam”

A proposta não deixa de ser uma desculpa para um filme de ação: um ex-agente alcoólatra e um ex-astro do futebol americano se unem para investigar o assassinato de uma stripper. Daí temos um pouco de desenvolvimento mostrando um grande esquema de corrupção entre a política e o futebol americano e os dois estão lá, no meio do fogo cruzado, tendo que sobreviver e salvar o dia. Do mesmo roteirista de Máquina Mortífera, Shane Black. É ação com tiros, brigas e uma boa dose de humor, uma combinação que Bruce Willis tira de letra na sua interpretação, principalmente quando usa suas frases de efeito.

Odeio essa porcaria funk”

Aproveitando, uma lista de outros filmes legais com Bruce Willis e suas indicações à premiação de melhor ator:
- Hudson Hawk - O Falcão Está à Solta (1991) é um filme criativo sobre roubos bem elaborados e contém sua dose de humor;
- A Morte Lhe Cai Bem (1992), comédia com um pouco de humor negro onde Willis foi indicado ao Saturn Award de melhor ator;
- Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994), todos conhecem, mas poucos sabem que a crítica elegeu a melhor atuação de Bruce Willis (indicado ao Chlotrudis Award de melhor ator coadjuvante), mas acabou sendo ofuscado por John Travolta e Samuel L. Jackson. Engraçado que Bruce Willis não concordou com a crítica e informou que a sua melhor atuação mesmo foi no filme Os Doze Macacos (1995), que eu concordo plenamente;
- Os Doze Macacos (1995) é uma ficção sensacional onde Bruce Willis teve sua melhor interpretação, inclusive de acordo com ele mesmo. Indicado ao Saturn Award de melhor ator. Preste atenção nele no filme e esqueça um pouco a atuação doida de Brad Pitt;
- O Quinto Elemento (1997) é outra ficção sensacional e dispensa comentários (somente o fato de que Milla Jovovich estava linda e perfeita no filme);
- Armagedom (1998), filme catástrofe onde ele teve mais uma indicação como melhor ator (Saturn Award);
- O Sexto Sentido (1999) já e um clássico do horror psicológico e um dos meus favoritos. Willis foi indicado mais uma vez ao Saturn Award;
- Vida Bandida (2001), filme agradável que quebra alguns paradigmas, tendo como parceiro o ótimo Billy Bob Thornton;
- 16 Quadras (2006), policial muito bom e mais realista, tendo um ótima atuação do David Morse;
- Red – Aposentados e Ainda Mais Perigosos (2013), a sequência do filme baseado na HQ de Warren Ellis e Cully Hamner, que era inédita no Brasil antes do filme ser lançado.


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Fontes:

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Desencanto (1945)

Eu indico
Brief Encounter (Reino Unido, 1945)

Laura (Celia Johnson) e Alec (Trevor Howard) se conhecem por acaso em uma estação de trem, quando ele remove um cisco do olho dela. Ele é médico, ela é dona de casa. Ambos são de classe média, têm meia-idade e são razoavelmente felizes em seus casamentos. Em pouco tempo passam a se encontrar todas as quintas-feiras, mas apenas como bons amigos. Gradativamente surge uma paixão mútua e eles continuam a se encontrar regularmente, apesar de saberem que este amor é impossível.

Desencanto:
Existem romances que vão além da relação perfeita, do amor incondicional e imortal entre um homem e uma mulher. Podem até lidar essa questão, porém apresentam algo a mais, muitas vezes questionando a nossa visão tradicional das relações. “Desencanto”, dirigido por um dos diretores que eu mais admiro, David Lean, é um filme bastante intimista, principalmente porquê é narrado por uma mulher, são os seus pensamentos de cada momento expostos ao expectador, de forma muito madura. Indicado ao Oscar de melhor diretor, roteiro e atriz (Celia Johnson).
Estamos diante de um romance proibido, porém tratado com muito cuidado, carinho e sinceridade pelo diretor David Lean, do ponto de vista da personagem de Celia Johnson. Baseado em uma curta peça teatral de trinta minutos, de Noel Coward, chamada "Still Life", a história nas telas ficou tão boa que é difícil de acreditar que, em 1945, um diretor conseguiu tal feito com um filme dramático e romântico indo além do seu tempo. Acabei lembrando de outro filme que encantou, As Pontes de Madison (1995), que assisti antes deste.
Laura, a protagonista que vai nos confessando o seu íntimo, vive uma relação extra conjugal, que a encanta, em seus breves encontros com Alex (aqui cabe o título original, “Breve Encontro”) ao mesmo tempo em que pesa, em seu íntimo, a culpa. Podemos perceber que Alec, o amante, também sente certo incômodo. Laura narra a história em flashbacks e presenciamos não somente os seus momentos de liberdade e satisfação nos encontros com Alec, mas principalmente a sua culpa e sofrimento pelo que está vivendo.
Fiquei contente em saber que este foi eleito o filme mais romântico de todos os tempos, segundo a revista britânica Time Out. Abaixo a lista para quem quiser conferir e garantir seus momentos, seja acompanhado ou não:
1. ‘Desencanto’ (1945), de David Lean
2. ‘Casablanca’ (1942), de Michael Curtiz
3. ‘Amor à flor da pele’ (2000), de Wong Kar Wai
4. ‘Noivo neurótico, noiva nervosa’ (1977), de Woody Allen
5. ‘Ensina-me a viver’ (1971), de Hal Ashby
6. ‘O segredo de Brokeback Mountain’ (2005), de Ang Lee
7. ‘Se meu apartamento falasse’ (1960), de Billy Wilder
8. ‘Neste mundo e no outro’ (1946), de Michael Powell e Emeric Pressburger
9. ‘Brilho eterno de uma mente sem lembranças’ (2004), de Michel Gondry
10. ‘Embriagado de amor’ (2004), de Paul Thomas Anderson

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Fontes:

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Holy Motors (2012)

Eu indico
Holy Motors (França / Alemanha, 2012)

Oscar (Denis Lavant) transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai... Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Céline (Edith Scob). Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. Dirigido por Leos Carax.

Paris e o cinema:
A beleza do movimento... palavra essa, “movimento”, que deu origem ao nome “cinema” (do grego: κίνημα - kinema "movimento"). Esse filme representa o que é o cinema, através de várias cenas, suas facetas, seus gêneros e estilos (suspense, musical, ficção científica, drama, ação, etc). Tudo começa quando alguém acorda e passa por uma porta secreta vendo-se num filme. Esse alguém é interpretado pelo próprio diretor Leos Carax. A partir daí, ao longo de um dia, um homem, que é um ator, o Sr. Oscar, vai passar por Paris, desde os subterrâneos, parques, cemitérios, até o alto dos edifícios. A cada parada, o Sr. Oscar interpreta um papel diferente: um monstro nos esgotos nos remete a uma história do tipo a bela e a fera; em outro momento, um casal se reencontra no alto da velha loja de departamentos La Samaritaine (momento musical com Kylie Minogue), com o par de torres da Notre Dame ao fundo. A cada cena, Holy Motors homenageia Paris e o cinema.
Denis Lavant é o Sr. Oscar, ele está numa interpretação impecável, muito expressivo quando precisa e podado quando necessário. É um grande ator interpretando um grande ator em vários papéis. Genial! Cada interpretação é tão boa que fica até difícil caracterizar a pessoa em si, o Sr. Oscar, já que no momento seguinte ele está fazendo outro papel. A úncia forma é aproveitar os momentos de transição, quando ele conversa com Céline dentro da limusine, que o transporta de um local para outro. Talvez ele seja um ator brilhante, porém cansado de seu trabalho e de interpretar. Neste ponto talvez seja melhor olharmos para nós mesmos: somos cada vez mais atores nas nossas vidas. Seguimos uma fórmula como se fossemos máquinas e perdemos a própria identidade. Que bom que os filmes existem e nos permitem viver muitas vidas, como naquela frase que esqueci onde li e quem escreveu: “você não precisa ter experimentado de tudo na vida, mas sim ter visto os filmes certos”.

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Fontes: