Apresentação

Como cheguei aqui

Sempre gostei de indicar filmes e compartilhar informações, sensações e opinião pessoal sobre eles. A atividade cinematográfica é uma das minhas paixões. Optei aqui por indicar 3 filmes por mês, manifestando a minha opinião como um simples espectador, compartilhando algumas informações sobre os filmes selecionados. Espero que o resultado seja agradável para quem visitar.

Enquanto for interessante, estarei por aqui...


Cinema Paradiso (Itália/França, 1988)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Super Nada

Eu indico
Super Nada (Brasil, 2012)

São Paulo. Guto (Marat Descartes) é um artista de rua e aspirante a ator que sonha em um dia ser reconhecido pelo seu trabalho. Dedicado, ele pratica, se prepara e participa de todas as audições que pode, na espera de que um dia a sorte chegue. Ele admira Zeca (Jair Rodrigues), um comediante que trabalha na TV e é idolatrado por muita gente, apesar de estar com a carreira decadente. Os dois se encontram por acaso. O que será que o destino reserva para eles?

O super e o nada, o ator e o personagem:
Como é dito pelo personagem Zeca: “Não tá fácil pra ninguém”, a realidade de muitos atores pode não ser o que a maioria pensa. Neste filme, o personagem principal Guto, luta para sobreviver em São Paulo, mesmo com seu talento para atuação, com foco na comédia, e de todos os seus esforços. Guto faz o que de fato gosta, ele é apaixonado pela arte, pela comédia. Seu quarto é cheio de posters de comediantes brasileiros, como o Golias e o Zeca (do programa Super Nada, inventado para a compor a narrativa). Sua vida não é fácil, ele chega a fazer bico atuando nas ruas, às vezes em sinais de trânsito e em teatros que não parecem bem valorizados.
Super Nada é um programa que mostra situações cômicas, estrelado pelo Zeca, surpreendentemente bem interpretado pelo Jair Rodrigues. Quando Guto é chamado para um teste do programa "Super Nada", ele enxerga uma pequena chance de mudar seu rumo e entra em estado de satisfação por poder participar de um programa do qual é grande fã. E a partir daí o encontro dos dois atores vai permear a trajetória do filme e trazer conseqüências inesperadas. Juntos numa atuação bem sinérgica, eles agradam ao espectador, ao mesmo tempo em que nos confunde, considerando que são atores interpretando atores, em alguns momentos precisam interpretar a improvisação, e como estamos do lado de cá da telona, não sabemos o quanto de fato houve improviso nas cenas e o quanto foi encenação do improviso... Fantástico.
O roteiro satiriza um pouco a decadência da comédia brasileira, quando vemos no programa Super Nada um monte de bordões e piadas sem sentido (e sem graça ou criatividade). Vemos o mundo dos pequenos artistas, às vezes numa condição marginal. A situação é retratada com realismo e criatividade. O melhor de tudo, como alguns críticos já disseram, é que passa todas essas idéias sem caminhar no sentido da expectativa do público. Surpreende. Reflete sobre a arte e o envelhecimento dos artistas, ao mesmo tempo em que mexe com o ego humano de cada um.
Super Nada foi exibido no segundo dia do 40º Festival de Cinema de Gramado, na categoria de longa-metragem nacional. A excelente atuação de Marat Descartes garantiu ao mesmo o prêmio de melhor ator. O diretor, Rubens Rewald, ao ser entrevistado no final do evento, informou que o ator conseguiu ser, ao mesmo tempo, o tudo e o nada no filme, ajudando fortemente no resultado da obra. No filme, percebemos inclusive como a influência de questões emocionais pode influir na atuação de um artista, em algumas cenas onde o Guto está em conflito e não consegue fazer uma boa interpretação de cena. E daí fica mais difícil impulsionar a carreira e dar algum sentido à sua vida, além de precisar se sustentar, tendo que ser obrigado a ter ajuda financeira da mãe, que também fica cuidando da filha do personagem. Ego, humilhação, humanidade, temos tudo isso no personagem muito bem interpretado pelo Marat. O próprio personagem se surpreende ao conhecer melhor o Zeca, o Super Nada (ator no estilo malandro suburbano que conquista pela espontaneidade), quando ouve do mesmo a autoavaliação realista de que trata-se de um ator velho, de um programa decadente e sem graça.

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2012-08-12/jair-rodrigues-rouba-a-cena-de-super-nada.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Artigas: La Redota

Eu indico
Artigas: La Redota (Uruguai, 2011)

Em 1884, o governo uruguaio dá ao retratista compatriota Juan Manuel Blanes (1830 – 1901) a missão de retratar José Artigas (1764 – 1850). Motivos políticos à parte, a tarefa era grandiosa. Para os uruguaios, el libertador Artigas foi mais que o rosto de um homem corajoso. Pelos ideais cultivados e feitos realizados, o homem se confunde com a identidade uruguaia e o mais primitivo dos anseios humanos: liberdade.

El libertador Artigas:
Carregado de um bom material histórico e político, a trama já fica interessante quando inicia pela tarefa do pintor em reconstruir a imagem de um herói. A tarefa é difícil, pois o material disponível para produzir a pintura são anotações de 70 anos atrás, feitas por Guzmán Larra (Rodolfo Sancho), um espião espanhol enviado para se infiltrar entre os revolucionários e matar Artigas (Jorge Esmoris). Com isso temos duas narrativas, em momentos diferentes, onde esses dois homens tentam encontrar Artigas, líder da marcha histórica conhecida como La Redota, quando o líder fugiu com milhares de seguidores e deu início ao movimento nacionalista do Uruguai. Com histórias separadas pelo tempo, Blanes e Larra se encontram na busca pelo herói da independência do país.
Muito boa a idéia de mostrar um herói que realmente existiu, este quase desconhecido pelos brasileiros, herói nacional do Uruguai, José Artigas. Percebemos um grande feito da equipe de produção do filme, em resgatar muito conteúdo histórico para agregar à trama.
Na primeira parte da narrativa, vemos os defeitos de Artigas, através das sensações de Larra, e somos meio que influenciados a sentir certa aversão a ele. Junto com o espião, e também com o pintor, separados pelo tempo, vamos transformando nossa percepção através dos fatos, das ações que vamos acompanhando deste revolucionário, que liderou guerrilhas formadas por pessoas do povo (gaúchos, índios, negros), buscando tratar a todos com igualdade, como uma única grande família. Sitiados entre a violência dos inimigos e o esquecimento, os revolucionários vivem entre farrapos e com pouca comida. A perseverança e a comunhão de esperança daquela pobre gente intriga Larra. Mais o que mais o intriga é o Artigas, que é apenas um homem, mas exerce uma influência sobre o seu povo que é difícil de explicar. Ele também é falível e por vezes ingênuo, como demonstra numa cena em que confia cegamente na deserção de um dos seus homens. Para tristeza do governo uruguaio e surpresa de Blanes, é pela força do povo que Artigas emerge, como o centro de uma força que já não se pode deter.
Também existe uma crítica à força da imagem e seu uso na história. Como os registros históricos ambíguos são apresentados para as gerações posteriores. A história é reescrita e também é repintada.
Produzido para a televisão espanhola como parte da série Os Libertadores, Artigas: La Redota é o segundo longa-metragem de César Charlone, e faz parte de um conjunto de filmes sul-americanos, onde um deles será sobre Tiradentes (retratado pelo cineasta Marcelo Gomes). Sua estréia como diretor se deu com O Banheiro do Papa (2007), que lhe rendeu uma série de prêmios. Ele também cuidou da fotografia em Cidade de Deus (2002), O Jardineiro Fiel (2005) e Ensaio sobre a Cegueira (2008).

No Festival de Gramado 2012:
Tive oportunidade de conhecer Gramado este ano, na semana do 40º Festival de Cinema de Gramado, sendo que este foi o primeiro filme que assisti nas 5 noites em que pude ficar. Artigas: La Redota levou quase todos os prêmios na mostra de longas estrangeiros (concorreram filmes do Uruguai, Chile, Argentina e Cuba), mas não posso deixar de indicar outros filmes e também curtas selecionados no Festival 2012, excelentes e que tive oportunidade de ver na minha curta passagem por lá:
- Menino do Cinco (2012) – BA: curta bahiano que foi o mais premiado no festival, onde um garoto finalmente encontra um amigo, mas ele não pode ser seu. Sensacional e com um final impactante;
- Super Nada (2012) – SP: filme que gostei muito, sobre um ator que sonha em ser grande, na cidade de São Paulo. Seu ídolo e exemplo é Zeca, comediante de TV que, embora velho e decadente, ainda mora no coração de toda uma geração. Seus caminhos se cruzam e a sorte de Guto parece mudar;
- Meta (2012) – SP: curta interessantíssimo. Federico vive em um filme que ele mesmo dirige, mas será isso suficiente para conquistar a garota de seus sonhos?
- Colegas (2012) – SP: filme que pode chamar bastante atenção quando entrar em cartaz. Um Road movie onde três jovens com síndrome de Down resolvem se aventurar e fugir, buscando realizar três sonhos;
- Vinci (2012) – Cuba: filme sobre Leonardo Da Vinci, quando aos 24 anos ficou preso num calabouço com mais dois prisioneiros, e usou sua arte para sobreviver;
- A Mão que Afaga (2011) – SP: curta que mostra uma operadora de telemarketing que planeja a festa de aniversário de 9 anos de seu único filho, Lucas, com poucas chances de dar certo;
- Casa Afogada (2011) – RS: curta sobre um homem que vive recluso em uma casa sobre palafitas. Subitamente as águas tornam-se revoltas e ele precisa lutar para manter sua casa, suas memórias, seu último refúgio;
- Linear (2012) – SP: curta com animação, sobre a linha ser um ponto que saiu caminhando;
- O Que Se Move (2012) – SP: filme onde três núcleos familiares, em três diferentes situações, precisam lidar com mudanças súbitas em suas vidas, envolvendo alguma perda ou um reencontro há muito esperado;

Infelizmente não puder ficar para assistir ao filme O Som ao Redor (2012) – PE, que está recebendo prêmios em outros festivais e tem uma proposta bem interessante. Este recebeu boa parte das premiações em Gramado, juntamente com o filme Colegas.

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Fontes:
http://www.papodecinema.com.br/filmes/artigas-la-redota

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Kung-Fusão (“Kung Fu Hustle”)

Eu indico
Kung Fu Hustle (China, 2004)

"Kung-fusão" conta a história de um jovem zé ninguém (Chow) que, para se dar bem na vida, quer se tornar um gângster em plena China dos anos 40. Numa cidade dominada pela Gangue do Machado, ele tenta de qualquer jeito se firmar. Só que existe uma pequena vila que consegue resistir à penetração das gangues e é justamente dominando essa vila que ele pode provar seu valor e ser recrutado.

Kung-fu com comédia:
Stephen Chow é um ator e cineasta de Hong Kong, que em 2001 teve a idéia de combinar esporte com kung-fu, fazendo um filme de ação e comédia chamado “Shaolin Soccer” (“Kung Fu Futebol Clube”, no Brasil). Filme hilariante, onde o sucesso internacional garantiu que seu próximo filme, Kung-fusão, chegasse ao ocidente nos cinemas, e não diretamente em DVD.
Considero Kung-fusão melhor do que Shaolin Soccer, quem gostar de um vai acabar gostando do outro. Prevalece na trama a luta exagerada, mas bem feita e agradável, misturando ação com comédia, apresentando diferentes personagens e seus “poderes”; até os vilões ficaram bem colocados, inclusive o líder da Gangue do Machado, que não possui poderes. É um filme bem diferente do que já vimos, tanto na questão comédia, quanto na questão kung-fu.
O filme começa interessante, apresentando a gangue com uma trilha sonora empolgante e direito a coreografia. Os efeitos especiais ajudam muito, no entanto, são os personagens que garantem o sucesso do filme. Chow está ótimo, engraçado quando tem que ser engraçado e sério quando precisa de seriedade. Ele aparece muito menos que em Shaolin Soccer, dando espaço a uma série de personagens que vão do seu parceiro abobalhado ao maior assassino de todos os tempos, praticante do perigoso kung-fu do sapo. Temos até personagens que usam instrumentos chineses como arma. Quando o bairro pobre é ameaçado, três pacatos habitantes revelam-se mestres de kung-fu e partem para defender sua gente.
Chow ainda abre espaço para um certo melodrama que, por quebrar constantemente com as expectativas do espectador, deixa um clima mais sério e torna "Kung-fusão" mais impactante do que o esperado.
É kung Fu puro e simples, mas de uma forma bastante exagerada, tendo como propósito principal a diversão pura, ótimo para quem está precisando relaxar e se divertir.

Looney Tunes e Bruce Lee – SPOILER:
Em um dado momento do filme, de forma inesperada e inusitada, dois personagens entram numa perseguição que lembra o Papaléguas e o Coyote, uma forma do diretor homenagear o universo Looney Tunes.
Além disso, temos referências a Bruce Lee, quando a proprietária do vilarejo onde se passa a história faz os gestos de ameaça ao líder da gangue, igual a um famoso gesto de Bruce Lee em um de seus filmes, o gesto calando as palavras. Além disso, veja que a roupa de Stephen Chow na batalha final é igualzinha a de Bruce Lee no filme Operação Dragão (1973), kimono branco na parte superior e preto na inferior. Chow é fã de Bruce Lee e foi inspirado por ele.
Até uma referência sutil a Shaolim Soccer ocorre no início do filme.
Em meio a todas essas referências, com cenas absurdas, temos uma história no mínimo interessante, com bons elementos chineses, onde um grupo de lutadores experientes e esquecidos, falidos e morando em um cortiço, acabam defrontando-se com a mais perigosa gangue da região. Cada um desses lutadores possui golpes e características especiais, como a mulher que tem como seu ponto forte o estrondoso grito que devasta tudo o que tem pela frente (o rugido do leão), ou o lutador novato (Chow) que ainda não descobriu sua vocação real para a luta e está tentando libertar-se para tornar-se uma espécie de "Escolhido", assim como uma borboleta que sai do casulo (um gancho com a primeira cena do filme).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (“What’s Eating Gilbert Grape?”)

combinada
Eu indico
Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (EUA, 1993)

Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador é o filme de um jovem tão consumido com o que decidem para a vida dele que não tem tempo de pensar se é o que realmente quer fazer. Gilbert Grape (Johnny Depp) vive em Endora, uma cidade pequena e tediosa, e trabalha numa mercearia. Após o suicídio do pai, ele se vê como a figura central da família. Ele que sustenta a casa, ele controla as irmãs e ele tem de cuidar da mãe obesa (Darlene Cates), que come compulsivamente desde a morte do marido, e do irmão Arnie (Leonardo DiCaprio), que é deficiente mental. Ele vive nessa rotina em sua cidade, sem nenhuma novidade surgindo. Até que Becky (Juliette Lewis), uma forasteira que viaja pelos Estados Unidos com sua avó, chega na cidade de Endora e começa a fazer as decisões de Gilbert surgirem e modificarem sua vida.

Depp e DiCaprio:
Um drama familiar bacana, sustentado pela representação e sentido que os personagens dão à trama. Com uma combinação de atores excelentes (Johnny Depp, Juliette Lewis, Leonardo DiCaprio, John C. Reilly, Mary Steenburgen, Darlene Cates) e atuações memoráveis do protagonista (Depp) e coadjuvante (DiCaprio); este último fez provavelmente o melhor papel de sua vida, rendendo uma indicação ao Oscar.
É interessante ver o Johnny Depp mais jovem e no papel de uma pessoa comum, bem diferente de seus exóticos e esquisitos personagens em boa parte dos filmes que fez (Edward Mãos-de-Tesoura, Don Juan DeMarco, Piratas do Caribe, Era Uma Vez no México, Janela Secreta, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd, O Imaginário do Dr. Parnassus, Alice no País das Maravilhas, O Turista, O Diário de Um Jornalista Bêbado, Sombras da Noite). No filme, ele pode ser comparado a uma pessoa qualquer, como eu ou você, seguindo uma rotina traçada e planejada, vivendo na mesma casa que cresceu, sem nunca ter ido a outra cidade. Ele vive mais a vida pela família, quase nunca por si mesmo. Um exemplo disso é a função dele de cuidar do irmão incapacitado Arnie (DiCaprio). E nessa tarefa, ele não pode se distrair nem por um instante. Diante de qualquer erro nesse papel, a responsabilidade e a vergonha caem para o irmão mais velho. Com o suicídio do pai, sua vida se torna quase irreversível, já que os tempos vagos que ele tinha com o irmão sobraram para ele trabalhar e sustentar a fome da mãe.
A mudança causada pela chegada de Becky representa a liberdade que ele não tem. O filme representa como a mudança é necessária para fazer a vida seguir em frente. Todos precisam de uma Becky como exemplo. Ela é interpreta por Juliette Lewis, que está uma graça, combinada com uma fotografia belíssima pelos campos ao redor da cidade, com lagos e céu aberto.
A proposta remete à idéia de não desperdiçar a vida, onde cada momento é valioso e cada mudança é necessária. Aproveitar as oportunidades e não viver por muito tempo numa situação incômoda. Mesmo que o filme não agradasse, já bastaria ver um Leonardo DiCaprio praticamente irreconhecível, mostrando todo o seu potencial de atuação e dando um realismo ao personagem que faz toda a diferença no enredo.

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Fontes: 

http://planocritico.ne10.uol.com.br/critica-gilbert-grape-aprendiz-de-um-sonhador/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Johnny_Depp

terça-feira, 17 de julho de 2012

Alta Frequência (“Frequency”)

Eu indico
Alta Frequência (EUA, 2000)

John Sullivan é um detetive da polícia de Nova Iorque que, dias antes de completar trinta anos da morte de seu pai, que era bombeiro, começa a ouvir alguém tentando se comunicar através de um velho aparelho de rádio. Para surpresa sua, já no segundo contato, percebe que aquela voz captada naquela frequência, era de seu pai, Frank Sullivan as conversas se tornam cada vez mais frequentes e familiares mas, como Frank ainda estava vivo em seu tempo, John pode preveni-lo do acidente que seria fatal. Advertido, Frank age de forma a evitar o acidente mas isso gera alterações no futuro, ou seja, no presente do John.

Viagem no tempo pelas ondas do rádio amador:
Existem alguns filmes interessantes que envolvem viagem no tempo, ou dimensões paralelas. A famosa trilogia De Volta para o Futuro, de Spielberg, é uma opção divertida, no mínimo. Outros que me recordo são: A Máquina do Tempo (1960), A franquia O Exterminador do Futuro (1984), Os 12 Macacos (1995), Corra, Lola, Corra (1998), Donnie Darko (2001), Efeito Borboleta (2004), e, recentemente, Contra o Tempo (“Source Code”, 2011).
As explicações científicas para o tema não são simples e muitos filmes não se preocupam com isso. Mesmo para quem ache o tema fictício demais, as situações interessantes que são trabalhadas nestes podem compensar. O filme Alta Frequência deixa explicado de forma geral o motivo do acontecimento que envolve principalmente os personagens interpretados por Dennis Quaid e Jim Caviezel (pai e filho). O foco do filme é mais na ação e no impacto emocional.
Graças a um aparelho de rádio amador e a um efeito provocado pela aurora boreal, pai e filho conseguem fazer contato, mesmo estando separados por 30 anos. Notícias na rádio e na TV, logo no início do filme, já afirmam que a aurora boreal em si é um grande mistério, e cientistas não conseguem explicar como ela causa efeitos de instabilidade nos aparelhos eletrônicos, principalmente em rádios. Após isto, a criatividade toma conta do enredo, o filho no ano de 1999 e o pai em 1969. A troca de informações implica em mudanças radicais no presente e daí vamos acompanhando os acontecimentos com grandes expectativas. O fato de permitir a John (Jim Caviezel) matar as saudades do pai, Frank (Dennis Quaid numa atuação muito boa), um bombeiro morto há três décadas em um incêndio, já garante uma boa densidade dramática. Pai e filho protagonizam momentos emocionantes, a interpretação de ambos é surpreendente, mesmo sem dividirem a mesma cena. Em meio a tudo isso existe um assassino serial que nunca foi capturado pela polícia, o que torna as coisas interessantes, pois pai e filho, através deste inusitado contato, tentam resolver o caso antes que as vítimas sejam afetadas. Os atores foram indicados em premiações menores, na categoria de melhor ator para Dennis Quaid e de melhor ator estreante para James Caviezel (ou Jim Caviezel, como é popularmente conhecido), embora este já tenha atuado em outros filmes, talvez com uma participação menor.

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Fontes: 

http://www.terra.com.br/cinema/suspense/frequency.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frequency

sábado, 14 de julho de 2012

Encurralado (“Duel”)

Eu indico
Encurralado (EUA, 1971)

Homem de negócios dirigindo sozinho em uma estrada secundária de repente se vê perseguido por motorista de caminhão. Depois de algum tempo, ele chega a conclusão de que aquele motorista pretende matá-lo.

Duelo:
É preciso dar valor a alguns filmes antigos, muitos servem de referência a filmes posteriores sem que saibamos disso. Este filme de 1971 é o terceiro dirigido por Steven Spielberg, e chamou atenção ao talento deste cineasta para o público. A partir de uma premissa simples, que envolve a perseguição entre um caminhão-tanque e um Plymouth Valiant vermelho, dirigido por um pacato trabalhador interpretado por Dennis Weaver, temos um excelente filme de suspense, que nos prende a atenção do início ao fim. Tudo à luz do dia.
Filmado em apenas treze dias e lançado primeiramente para a TV, este se faz bem original ao eliminar o uso de detalhar demais os personagens. No final das contas só sabemos o nome do protagonista, David Mann; os demais, nos créditos finais, ficam com a caricatura (a senhora Mann, o motorista de ônibus, o dono do café, a atendente no posto de gasolina, o homem velho, o motorista do caminhão). Logo no início, ao invés da prática de apresentar o personagem, acompanhamos a estrada com o carro em movimento, o motor roncando. Após narrações no rádio e uma pequena introdução do que está por vir, quando o personagem estranha o comportamento do caminhão, é que aparece (após quase meia hora de filme) os primeiros pensamentos do protagonista, a conhecida narração em off (abaixo os primeiros pensamentos do personagem, que resumem bem a proposta):
“Nunca se sabe. Nunca se sabe mesmo. Vivemos certos de que algumas coisas nunca mudam. Como andar numa auto-estrada... sem que alguém nos tente matar. E depois, acontece qualquer coisa sem nexo. Vinte ou vinte e cinco minutos de uma vida inteira... e tudo aquilo que parecia aguentar-nos desmorona-se. E, de repente, acaba-se tudo, ficamos nos afundando na lama. Pronto, rapaz, foi um pesadelo, mas agora já passou. Já passou.”

Assim facilmente nos colocamos no lugar dele, já que o diretor é um mestre em tornar realista as coisas mais improváveis. A atuação de Dennis Weaver também ajudou muito. Criando suspense com uma única ultrapassagem, e impressionando ao criar uma situação esquisita de um personagem que, na sua rotina em percorrer uma longa e livre estrada, acaba se sentindo encurralado. Como nunca vemos o motorista do caminhão, acaba que a máquina em si se torna um grande mostro, como se tivesse sendo dirigida por um fantasma. Os bons ângulos de câmera ajudam, vemos em certo momento a parte de baixo do caminhão, e em outro o mesmo esmaga a calota que se soltou do carro que está perseguindo, demonstrando assim sua grandeza.
Tenso e com um ritmo alucinante, a grande perseguição praticamente não para, chegando ao momento final como um clímax de um duelo ao sol e sobre rodas, um confronto. Em filmes assim, é importante também não estragar o final, e o deste é muito bom.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Prometheus

Eu indico
Prometheus (EUA, 2012)

Uma equipe de exploradores descobre novos indícios sobre as origens da humanidade na Terra, levando-os a uma aventura impressionante pelas partes mais sombrias do universo. A bordo da nave estelar Prometheus, eles seguem para um planeta distante, onde existe uma civilização avançada.

Ficção científica:
Ridley Scott dirigiu o seu último filme de ficção em 1982, o clássico “Blade Runner”, mas antes disso ele já era conhecido pelo filme “Alien - O Oitavo Passageiro” (1979). A intenção do diretor era que o filme Prometheus tivesse elementos de Alien, como o fato de se tratar do mesmo universo, revelando as origens da criatura ao mesmo tempo em que explora a sua mitologia. Particularmente não sou fã da franquia Alien, embora tenha me agradado bastante o segundo filme (“Aliens, O Resgate”, dirigido por James Cameron em 1986), com boas cenas de ação. Mas este filme Prometheus mostra a habilidade de produção e direção de Scott, e o resultado é um verdadeiro filme de ficção científica: futurista, com diálogos e cenas densas e interessantes, doses de suspense e terror, além de um visual de tirar o fôlego (foi inteiramente rodado com câmeras 3D e não economizou nos efeitos visuais), bem no estilo que questiona a existência e explora a necessidade de sobrevivência.
A procura por respostas sobre a criação da humanidade permeia boa parte do filme, embora o mesmo não tarde a revelar algumas respostas, ao mesmo tempo em que nos deixa com alguns questionamentos importantes (pois novas perguntas surgem); afinal, se tivermos todas as respostas sobre a criação do universo e da humanidade, não haveria mais necessidade de debates interessantes e discussões filosóficas, tão necessárias para a existência de alguns. No filme, as idéias são apresentadas à medida que vamos conhecendo personagens com diferentes opiniões (cientistas que acreditam que fomos criados por seres mais evoluídos, pessoas que acreditam em Deus como criador do universo e até aqueles que só querem fazer o seu trabalho sem necessidade de revelação alguma). Os diálogos, principalmente aqueles onde o andróide (Michael Fassbender) se envolve, são bem interessantes. Fassbender está fascinante interpretando o andróide David de uma forma que chega a ser estranha, meticuloso e sem sentimentos, artificial, a ponto de incomodar o espectador, quando decisões importantes são tomadas por uma máquina sem medo e sem consideração pela vida humana (a tipologia deste deve ser a mesma do Andróide do segundo filme de Alien). A protagonista Elizabeth Shaw também ficou bem interpretada pela Noomi Rapace, que me surpreendeu bastante. Um choque para quem conhece essa atriz pelo papel na trilogia Millenium, versão Sueca, onde ela interpretou uma exótica personagem.
O roteiro não só se aproveita desta grande questão (busca de nossas origens), como também trás novamente à tona os mistérios que rondam o surgimento da criatura da série Alien. É importante saber que o filme é muito mais do que um prelúdio para este último, tendo assim uma trama quase que independente.
O filme é o show de imagens, sons e efeitos. Os cenários são realistas e detalhados, o clima de Alien aparece com força em alguns deles, e temos a sensação de nostalgia que alguns filmes conseguem passar. Para quem for ao cinema, vai ter a sensação de que está chovendo forte do lado de fora da sala, durante uma cena do filme onde milhares de gotas de água estão caindo sobre os personagens. A trilha sonora de Marc Streitenfeld contribui bastante, inclusive usando alguns trechos das composições de Jerry Goldsmith feita para o “Alien” original.
Como se passa no ano de 2093, não perde a chance de introduzir alguns aparatos tecnológicos, como as esferas flutuantes que percorrem os lugares e mapeiam a região, assim como uma máquina para fazer cirurgias complexas sem necessidade de intervenção humana.

Prelúdio de Alien? - SPOILER
O interessante é que Prometheus desde o início procura se distanciar de Alien e mesmo assim reutiliza muitos elementos que deram certo no clássico de 1979 e constrói aos poucos uma nova atmosfera de tensão. Só que a última cena deixa bem claro que o mesmo é um prelúdio de Alien (por sinal uma cena bem legal). No início, após um belo panorama por montanhas e cachoeiras, vemos um alienígena humanóide, de corpo perfeito. Sob a sombra de uma nave, ele bebe um líquido escuro que faz com que ele se desintegre. O seu corpo cai em uma cachoeira, e o seu DNA desencadeia uma reação que origina vida. Depois que os cientistas comprovam que os seres humanos foram criados pela mesma espécie desta criatura, imaginamos que o planeta da cena inicial era a Terra. Daí as reflexões são bem interessantes, como o fato dos seres humanos serem uma espécie inferior, fruto de uma outra espécie mais evoluída que “brincou de Deus” ao nos criar. Outra questão interessante é relevar os verdadeiros motivos do patrocinador da missão, que ao invés de se importar em achar respostas, queria na verdade encontrar uma forma de prolongar a própria existência, enquanto outros personagens continuam a acreditar que a existência não acaba quando chega a morte. Até a nave Prometheus usa o nome do titã que roubou o fogo dos deuses e lutou pelo bem estar dos homens, o que despertou a ira de Zeus e este fez surgir Pandora para sua vingança contra a humanidade. Na parte final do filme, a nave foi sacrificada para salvar a Terra da destruição. Entre várias perguntas interessantes (“É possível ser um cientista e manter a fé no desconhecido?”, entre outras), o filme é apropriado para espectadores atentos, pois releva muitas coisas de forma bem sutil. Recomendo fortemente, após assistir ao mesmo, fazer a leitura do link abaixo:

Um destaque para a cena da cirurgia, que é praticamente uma evolução criativa da cena marcante de Alien - O Oitavo Passageiro, quando a criatura sai da barriga de uma pessoa.

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Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Prometheus_%28filme%29
http://www.cineclick.com.br/criticas/ficha/filme/prometheus/id/2965
http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/269191/prometheus-ridley-scott-mixa-existencialismo-e-terror-ao-voltar-ao-universo-alien/